Veja como desapegar do que não serve mais pode ajudar com renda extra para pagar contas de início do ano

Brasileiros podem arrecadar cerca de R$ 2 mil apenas com a venda de produtos de segunda mão, como mostra pesquisa

Apesar da máxima de que o ano só começa de verdade após o carnaval, as contas, os impostos e os gastos necessários não esperam — na verdade, eles vêm com tudo em janeiro! Por isso, se você já desconfia de que seu salário não vai dar conta de tudo, a solução pode ser fazer um dinheirinho extra sem sair de casa. Basta olhar à sua volta: é possível arrecadar, em média, R$ 1.874 apenas com a venda de itens de segunda mão, como mostrou uma pesquisa da OLX.

A pesquisa, feita em abril do ano passado, analisou comportamento e fatores motivadores de cerca de 800 pessoas que vendem itens esporadicamente, mensalmente ou que consideraram vender produtos usados on-line. Do total, 32% acreditavam que tinham entre um e três produtos usados com potencial de venda em casa.

Mais da metade (52%) dos que vendem às vezes e dos que anunciam com frequência (49%) responderam que optam justamente pelo início do ano para fazer as vendas, época em que surge a necessidade de uma renda extra para pagar contas, fazer mercado, juntar um dinheiro ou até mesmo para comprar um produto novo.

— Com a virada de ano, muitos que mudam de casa desejam móveis usados para mobiliar. Outros iniciam um curso novo e buscam livros usados para os estudos. Há também quem deseja renovar o guarda-roupa, quem quer começar a praticar um esporte… Assim, há diversas categorias para vender o que está parado em casa — explica Flávio Passos, vice-presidente de Autos e Bens de Consumo do Grupo OLX.

E há mercado: uma outra pesquisa, dessa vez encabeçada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), publicada em agosto passado, mostra que três em cada dez (33%) pessoas já compraram produtos de segunda mão pela internet nos últimos 12 meses à divulgação do estudo.

Itens mais vendidos

Entre os itens mais anunciados na plataforma da OLX estão os de vestuário (52%), seguidos pelos eletrônicos (48%), acessórios e sapatos (43%), eletrodomésticos (38%) e livros (35%).

— Nós sabemos hoje que as pessoas usam com frequência, em média, só 15% dos produtos que estão no armário. A maioria das roupas, dos sapatos ou de acessórios, só usamos em determinados eventos ou compramos para um dia específico — afirma Ulysses Reis, economista e professor de MBA e da Strong Business School (SBS) da FGV.

Reis aponta também os benefícios para o meio ambiente advindos da prática de revenda, dando como exemplo o gasto de água empenhado para fabricar uma única peça:

— Para produzir uma calça jeans leva 150 litros de água potável. Uma stone washed, aquela calça que vem toda rasgada, leva até 750 litros. Poucas empresas devolvem ao meio ambiente essa água tratada. Então, tem muita coisa que pode ser reciclada e reutilizada para proteger o meio ambiente.

O especialista explica que, com a consolidação dessa prática a partir da pandemia, em 2020, há espaço ainda para venda de diversos produtos de segunda mão, como móveis, artigos de louça, quadros e até cristais.

Tem também quem venda brinquedos, perfumes e livros didáticos, ou aproveite para vender presentes recebidos nas festas de fim de ano que não puderam ser trocados, cita a head de projetos especiais e relacionamento do Enjoei, Lud Brait, que menciona um “aumento de uploads” no início do ano. Na plataforma, essa onda tem até nome: siricutico de janeiro.

— Naturalmente, as pessoas ficam mais tempo em casa, fazem uma limpa, e acabam tirando coisas do armário e aproveitando para vender. Olhando com carinho para dentro dos seus armários, todo mundo percebe que tem um inventário pessoal — afirma Brait.

Dicas de venda

Para quem ficou curioso e quer se aventurar, basta fazer o cadastro no site ou no aplicativo das plataformas. Elas orientam fazer uma boa descrição dos produtos, com o maior número de informações possíveis, e uma boa foto.

Na plataforma da OLX, a ferramenta de Autocomplete usa inteligência artificial para, a partir das imagens carregadas, ajudar na descrição do produto, acrescentando mais informações aos itens “categoria”, “atributos do produto” e “descrição do anúncio”.

É interessante também fazer uma pesquisa antes de estabelecer um preço para entender o valor do produto no mercado.

— Se a pessoa publica até cinco produtos, a lojinha dela ganha um destaque, mais relevância. Responda com rapidez quem pergunta — explica Brait, da Enjoei, acrescentando: — Muita gente coloca para receber notificações [do aplicativo], o que faz com que a venda seja fluida.

De olho na segurança

Depois de pensar em como vender o produto, é preciso ficar atento às transações e entregas. Como dicas de segurança, as plataformas orientam evitar migrar para aplicativos de mensagem, mantendo conversas sobre a venda dentro dos seus aplicativos; não fazer cobranças por fora; e não entrar em contato pedindo informações ou dados pessoais.

Evite ainda divulgar seus dados pessoais e número de celular. Se optar por pagamento em conta bancária, confira se o valor foi depositado corretamente no aplicativo do seu banco, mesmo que você tenha recebido comprovante por e-mail ou mensagem. Além disso, só entregue o produto depois que o pagamento for confirmado na plataforma.

— A empresa também não envia e-mails com documentos anexados e não solicita o endereço do remetente ou destinatário, assim como não pede códigos ou qualquer senha de confirmação fora da plataforma — acrescenta Passos, da OLX.

Se combinar a entrega em mãos, dê preferência para lugares públicos e movimentados, como shoppings, estações de metrô e supermercados. E, se possível, vá acompanhado. Por fim, após seguir as dicas, embale seu produto com capricho. Vale até imprimir uma etiqueta e escrever um bilhete à mão para fidelizar o cliente.

Como e onde vender

OLX: Faça o cadastro no aplicativo ou no site www.olx.com.br e clique em “Anunciar”.

Enjoei: Cadastre-se no site www.enjoei.com.br e crie sua lojinha virtual. A plataforma cobra comissões mais uma tarifa fixa sobre o valor do produto, a depender da modalidade em que o anunciante vende. Para consultar os índices, basta acessar https://www.enjoei.com.br/l/tarifas.

Mercado Livre: A plataforma permite vender qualquer coisa sem ter que pagar pelo anúncio. No caso de produtos de segunda mão, é possível anunciar e vender de maneira gratuita.

Cresci e Perdi: O cliente pode levar suas peças para serem avaliadas e o valor gerado pode ser convertido em crédito (vale-compra) ou o pagamento pode ser feito em dinheiro (Pix) pelo lote. A loja vende roupas do tamanho RN até 16 anos, além de calçados e acessórios para bebês, novos e seminovos, como enxovais.

Já Vendeu?: É necessário fazer o cadastro, agendar a retirada e aguardar a venda. Após aprovação, o usuário pode levar seu produto usado até o armazém ou combinar a retirada com o próprio site. O custo só é descontado após a conclusão da venda. O serviço cobra uma comissão que varia de acordo com o produto.

Roupas de Festa: Comprou uma roupa muito chique para uma única ocasião e não sabe mais onde usar? Há sites como Usei Uma Vez (www.useiumavez.com) e Empório Lulu (www.emporiolulu.com.br) voltados exatamente para esse nicho. No primeiro, há uma comissão de 40% sobre o preço de venda do produto, mais o custo do frete. O segundo cobra por anúncios nas redes sociais.

Peça Rara Brechó: É preciso fazer cadastro no site https://pecararabrecho.com.br/. Para começar a vender, o vendedor precisa deixar suas peças com a equipe para serem avaliadas e receberem propostas de valores. As peças aprovadas serão apresentadas no site e nas redes sociais. A plataforma recomenda que o vendedor marque um horário para conversar com os avaliadores.

Troc: É preciso cadastro no site www.troc.com.br. Para começar, separe pelo menos 15 peças que deseja vender. Confira se todas as marcas são aceitas no site. É preciso enviar todas as peças dentro de caixas lacradas. A equipe do site avaliará individualmente cada produto. Em 20 dias úteis, o interessado receberá um e-mail com o link para aprovar ou editar os preços das peças.

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