Certificações ESG: Qual Escolher sem se Perder no Caminho

Por Mariana Borges

Se você já pesquisou sobre ESG, provavelmente se deparou com uma sopa de letrinhas: B Corp, ISO 14001, GRI, SASB, Carbon Trust, LEED, CSRD, Selo SEBRAE-ESG… A lista é longa e continua crescendo. Cada certificação promete transformar seu negócio, torná-lo mais sustentável, atrair clientes conscientes e investidores exigentes.

E aí você, que lidera uma pequena ou média empresa, olha para tudo isso e pensa: “Por onde eu começo? Preciso de todas essas certificações? Como escolho a certa?”

Deixa eu te contar: você não precisa de todas. Na verdade, tentar conquistar todos os selos ao mesmo tempo é um dos erros mais comuns — e mais caros — que PMEs cometem quando começam sua jornada ESG.

O labirinto das certificações

Certificações ESG se multiplicaram nos últimos anos. Algumas focam em meio ambiente, outras em questões sociais, outras em governança. Algumas são internacionais, outras regionais. Algumas custam caro, outras são mais acessíveis.

Algumas exigem auditoria externa rigorosa, outras são autodeclaratórias. E no meio desse mar de opções, empresas pequenas e médias acabam paralisadas. Porque ao contrário das grandes corporações que têm equipes inteiras dedicadas a ESG e orçamento robusto para certificações, PMEs precisam fazer escolhas estratégicas. Você não tem recursos infinitos. Você precisa priorizar.

E está tudo bem. Porque a verdade é que ter três selos na parede não significa necessariamente que você é mais sustentável do que quem tem um — ou até quem não tem nenhum, mas trabalha sério em suas práticas.

Entendendo algumas das principais certificações

Antes de escolher, vale entender o que cada uma das principais certificações realmente significa:

Selo SEBRAE-ESG é uma certificação desenvolvida especialmente para micro e pequenas empresas brasileiras, fruto da parceria entre SEBRAE e ABNT. É uma das opções mais acessíveis e adequadas para negócios menores que estão começando sua jornada ESG. O SEBRAE oferece uma plataforma online com diagnóstico de maturidade.. É especialmente relevante se você quer começar de forma estruturada, com apoio e metodologia brasileira pensada para a realidade das PMEs.

B Corp é uma certificação global que avalia o impacto social e ambiental integrado da sua empresa. Ela olha para toda a operação: como você trata colaboradores, fornecedores, comunidade, meio ambiente, e qual é sua governança. É uma das certificações mais abrangentes e respeitadas mundialmente. Funciona bem para empresas que querem mostrar compromisso genuíno com impacto positivo e que
têm aspirações de atuação global.

ISO 14001 é um sistema de gestão ambiental estruturado. Ela não mede resultados específicos, mas garante que você tem processos consistentes para gerenciar seu impacto ambiental. É especialmente relevante para empresas de produção, manufatura, ou operações com impacto ambiental significativo.

GRI (Global Reporting Initiative) não é exatamente uma certificação, mas um padrão de relatório. Se você precisa comunicar seus resultados ESG de forma estruturada e comparável, especialmente para investidores, o GRI é referência mundial.

LEED é específica para construções sustentáveis. Se você está no setor imobiliário ou construção, essa certificação pode ser relevante. Para outros setores, nem tanto.

Carbon Trust e Empresa Carbono Neutro focam especificamente em emissões de carbono. São relevantes se sua pegada de carbono é uma questão central para seu negócio ou seus clientes.

CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) é a nova regulação europeia. Se você faz negócios com a Europa ou pretende fazer, vai precisar estar em conformidade com ela.

Como escolher a certificação certa

Aqui está a pergunta que você precisa fazer antes de escolher qualquer certificação: quem está pedindo isso?

São seus clientes que querem ver um selo específico antes de fechar negócio? São investidores que exigem determinado padrão de relatório? São seus colaboradores que valorizam empresas B Corp? É uma regulação do mercado onde você atua?

Uma microempresa brasileira que está começando sua jornada ESG pode priorizar o Selo SEBRAE-ESG pela acessibilidade e suporte oferecido. Uma PME de varejo que valoriza impacto social e quer atrair consumidores conscientes pode priorizar B Corp. Uma empresa de produção que precisa mostrar gestão ambiental estruturada pode priorizar a ISO 14001. Uma que quer acessar o mercado europeu precisa
estar em conformidade com CSRD.

Não se trata de qual certificação é “melhor”. Se trata de qual faz sentido para seu setor, sua estratégia, seu tamanho e seus stakeholders.

O diagnóstico antes da certificação

Aqui está algo que muitas empresas pulam — e que faz toda a diferença: antes de buscar qualquer certificação, você precisa saber onde está.

Para empresas que estão considerando a certificação B Corp, por exemplo, existe uma ferramenta poderosa: a BIA (Avaliação de Impacto B), do Sistema B. Ela permite fazer um diagnóstico preciso da sua maturidade ESG atual.

Eu uso a BIA justamente para isso: identificar onde sua empresa está hoje, quais são os gaps reais, e qual é o caminho concreto para alcançar a certificação. Porque não adianta mirar em uma certificação se você não sabe o quanto está distante dela ou quais áreas precisam de mais trabalho.

Da mesma forma, o Selo SEBRAE-ESG oferece uma plataforma com diagnóstico de maturidade baseado na metodologia ABNT, que permite que micro e pequenas empresas entendam seu ponto de partida antes de buscar a certificação.

Esse diagnóstico serve para duas coisas. Primeiro, te dá clareza: vale a pena investir nessa certificação agora ou é melhor trabalhar primeiro em fortalecer suas práticas? Segundo, se você decidir ir em frente, você tem um roadmap real — não está atirando no escuro.

O erro de tentar fazer tudo ao mesmo tempo

O maior erro que vejo PMEs cometendo é tentar conquistar múltiplas certificações simultaneamente. Isso drena recursos, dispersa energia, e muitas vezes resulta em não conseguir nenhuma de forma consistente.

Foque em uma certificação — no máximo duas — que sejam realmente relevantes para seu negócio. Trabalhe sério nela. Estruture seus processos. Consiga a certificação. Depois, se fizer sentido, você expande.

Certificações não são troféus para colecionar. São ferramentas estratégicas que precisam servir ao seu negócio, não o contrário.

E se você não tiver certificação nenhuma?

Aqui vai uma verdade que nem sempre é dita: você pode ter práticas excelentes de ESG sem nenhuma certificação formal.

Certificações são importantes? Sim, especialmente quando seus stakeholders as valorizam. Elas trazem credibilidade, estrutura, e um padrão reconhecível. Mas elas não são o fim em si mesmas.

Se você está começando sua jornada ESG, talvez seja mais estratégico primeiro trabalhar em implementar práticas sólidas — mapeamento de cadeia, transparência salarial, gestão de resíduos, políticas de diversidade — e só depois buscar uma certificação que valide essas práticas.

Porque no final das contas, o que importa não é o selo na parede. É o que você realmente faz no dia a dia. É como você trata suas pessoas, como gerencia seu impacto ambiental, como se relaciona com fornecedores e comunidade.

Comece com clareza

Se você está naquele momento de decidir qual certificação buscar, aqui vai um caminho prático:

Primeiro: Converse com seus stakeholders principais. O que eles valorizam? O que eles estão pedindo?

Segundo: Faça um diagnóstico honesto. Onde sua empresa está hoje em termos de práticas ESG? Ferramentas como a BIA ou a plataforma do Selo SEBRAE-ESG podem ajudar nisso.

Terceiro: Escolha uma certificação que faça sentido estratégico. Não a mais famosa, não a que todo mundo tem, mas a que realmente serve ao seu negócio. Se você é uma microempresa começando, o Selo SEBRAE-ESG pode ser o caminho mais acessível. Se tem ambições globais, talvez B Corp faça mais sentido. Se tem operação industrial, ISO 14001 pode ser prioritária.

Quarto: Trabalhe com consistência. Certificação não é sprint, é maratona. Estruture processos, envolva sua equipe, faça mudanças reais.

Quinto: Depois que conquistar, comunique. Mas comunique com contexto — não apenas “temos o selo X”, mas “conquistamos o selo X porque trabalhamos em Y e Z, e isso significa A e B para nossos clientes”.

Certificações podem ser ferramentas poderosas para PMEs que querem demonstrar compromisso sério com ESG. Mas só se forem escolhidas estrategicamente, conquistadas com trabalho genuíno, e usadas para amplificar práticas que já são reais.

Não se perca no labirinto dos selos. Escolha seu caminho com clareza. E lembre-se: o valor está no trabalho, não no papel na parede.

Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável

Serviço
Se você quer entender qual certificação faz sentido para sua empresa ou precisa de apoio para fazer um diagnóstico real da sua maturidade ESG, me acompanhe no LinkedIn e no Instagram.. E se você está considerando a certificação B Corp, posso te ajudar com a Avaliação de Impacto B para traçar seu caminho de forma estruturada.

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