A Corrida de Obstáculos

​Diz a lenda – e a ciência, com aquela sua mania de estragar piadas com fatos – que as mulheres nascem com um GPS emocional atualizado, enquanto os homens ainda estão tentando entender por que não podem comer a pecinha de LEGO. Essa diferença de fuso horário no amadurecimento é o que mantém a indústria da terapia e dos bares de esquina funcionando a pleno vapor.

​O Grande Abismo do Recreio

​Na escola, a disparidade é quase covardia. Enquanto a menina de 12 anos já está escrevendo diários existenciais sobre a transitoriedade do amor e a importância da responsabilidade social, o menino da mesma idade está tentando descobrir se consegue arrotar o hino nacional completo.

​Para ela, a vida é um drama de época da Jane Austen; para ele, é um episódio de “Jackass”. Ela olha para ele e vê um filhote de Golden Retriever que aprendeu a andar sobre duas patas; ele olha para ela e vê um ser místico e assustador que faz perguntas complexas como: “No que você está pensando?”. (Dica: 99% das vezes, a resposta é “em nada” ou “será que um tubarão venceria um urso?”).

​O Mercado de Trabalho e a “Síndrome de Peter Pan”

​A coisa complica na vida adulta jovem. Aos 25, a mulher já planeja a carreira, o plano de saúde e qual tipo de cortina combina com a dignidade. O homem, por outro lado, comemora que finalmente conseguiu comprar uma air fryer para não precisar lavar uma panela.

​Essa diferença afeta a vida de ambos de formas peculiares:

  • Para elas: Um cansaço precoce de ter que ser a “adulta da relação” antes mesmo do primeiro café.
  • Para eles: Uma confusão genuína sobre por que lavar a louça antes de mofar é considerado uma vitória civilizatória.

​Quando a conta fecha?

​A pergunta que não quer calar é: em que momento esse relógio biológico-mental finalmente se ajusta? Quando é que o casal para de parecer uma dupla formada por uma CEO e seu estagiário rebelde?

​Geralmente, o equilíbrio acontece por volta dos 35 aos 40 anos. É o “Ponto de Encontro da Maturidade”.

  1. O Homem Encontra o Freio: Ele finalmente percebe que não é imortal, que as ressacas duram três dias e que ter um bom conjunto de lençóis é melhor do que um videogame de última geração (mentira, ele ainda quer o videogame, mas agora ele compra lençóis também).
  2. A Mulher Encontra o Relaxamento: Ela descobre que não precisa carregar o mundo nas costas e que, às vezes, deixar a louça para amanhã não vai causar o apocalipse.

​Nesse estágio, a paciência dela se encontra com o despertar tardio dele. Eles param de brigar porque ele esqueceu de tirar o lixo e passam a brigar pelo motivo mais maduro de todos: quem vai decidir o que pedir no jantar.

​No fim das contas, essa defasagem é o que dá o tempero (muitas vezes agridoce) à vida. Ela ensina a ele que existe um mundo além do próprio umbigo; ele ensina a ela que, às vezes, a vida é só um jogo e não precisa ser levada tão a sério.

​A maturidade chega para todos, o problema é que para as mulheres ela vem de primeira classe, e para os homens ela vem de carona, num caminhão de mudança, pedindo para parar no posto para comprar um salgadinho.

*Artigo escrito por Julyana Almeida

Jornalista, mãe de 3 crianças lindas e disposta a compartilhar as loucuras e gostosuras da maternidade.

Instagram: https://www.instagram.com/rabiscosdeumamae

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