De outro mundo para o mundo todo: a repercussão internacional do caso do ET de Varginha

Após especial no Fantástico, o incidente em Varginha virou atração na mídia internacional, que chegou a chamar a cidade mineira de a ‘Roswell brasileira’

Em 1996, o “Fantástico”, principal programa da televisão brasileira, fez um especial de quase duas horas sobre o caso do ET de Varginha, que já era notícia recorrente na mídia impressa.

A história do suposto alienígena esquálido, de três chifres e olhos vermelhos, não despertou o interesse apenas da mídia brasileira. Diversos jornalistas e veículos internacionais cobriram o que se tornaria um dos eventos mais marcantes da ufologia mundial. Varginha chegou a ser chamada de a “Roswell brasileira”, em referência à cidade no Nova Méxcio (EUA) onde teria caído um disco voador — o que é negado pelo governo americano. Confira abaixo alguns deles:

Revista ‘Continuum’, dos primórdios da internet

Se hoje a ufologia ainda é um campo de pesquisa estigmatizado, há 30 anos, a situação era tratada com ainda mais desprezo. Mas, na internet, já começavam a aparecer as primeiras comunidades de interessados em extraterrestres.

Em 1986, nasceu o ParaNet, um Bulletin Board System (BBS), uma espécie de rede social arcaica, na qual era possível baixar e fazer upload de arquivos, além de participar de discussões ao vivo.

Dez anos depois, a ParaNet já contava com sua revista própria, a Continuum. Na edição de verão de 1996, — ou seja, lançada entre junho e setembro daquele ano — uma pequena matéria relatava, mesmo que com erros, o caso do ET de Varginha.

Matéria saiu na edição de verão da Continuum — Foto: Reprodução/Paranet
Matéria saiu na edição de verão da Continuum — Foto: Reprodução/Paranet

“Brazil UFOs?” diz que uma mulher teria visto crianças jogando pedras em uma criatura no dia 30 de janeiro, ou seja, dez dias depois da data correta, no dia 20, sem citar o famoso relato das três mulheres no terreno baldio.

Ela ainda cita um encontro de ufólogos no dia 5 de junho de 1996. Entrevistam Claudeia Covo (outro erro, o nome real era Claudeir), engenheiro e então presidente do Instituto Nacional de Investigações de Fenômenos Aeroespaciais (INFA, que não existe mais), que diz: “Certamente, a coisa mais extraordinária que já escutamos, nos temos vários relatos de aparições de OVNIs. Foi uma operação complexa envolvendo militares e civis que resultou na captura de criaturas biológicas não identificadas”.

‘Cidade Brasileira lucra com ET de chifres’

Reportagem do 'Christian Science Monitor' sobre o ET de Varginha — Foto: Reprodução
Reportagem do ‘Christian Science Monitor’ sobre o ET de Varginha — Foto: Reprodução

Respeitada publicação americana, a “Christian Science Monitor”, ganhadora de sete prêmios Pulitzer, também noticiou o caso de Varginha. Em julho de 1996, “enquanto americanos lotam cinemas para ver a invasão alienígena do filme Independence Day”, o veículo reportava que a “rural e obscura” cidade de Varginha começava a lucrar com a história do extraterrestre.

A matéria afirma que Liliane, Valquíria e Katia, as três jovens que viram a criatura encostada no muro, estavam cobrando jornalistas por entrevistas. Enquanto isso, o prefeito Aloysio Ribeiro pretendia tornar a cidade sede de uma conferência internacional de ufologia e “apoiaria uma iniciativa para transformar a cidade em um centro permanente de estudos extraterrestres”.

O texto ainda cita o programa “Big Stick and Planet”, ou, em bom português, Casseta e Planeta falando de seu mais novo personagem, o ET que “fala devagar como um nativo de Minas Gerais, gosta de comida regional e mulheres bonitas e é seguido por soldados atrapalhados”.

‘História de extraterrestre fedorento agita ufólogos no Brasil’

Reportagem do 'Wall Street Journal' sobre o ET de Varginha — Foto: Reprodução
Reportagem do ‘Wall Street Journal’ sobre o ET de Varginha — Foto: Reprodução

A matéria do “Wall Street Journal”, um dos maiores jornais do mundo, é mais extensa, conversando com moradores de Varginha como Nilda que “escaneava o céu noturno de um banco num parque do centro da cidade, acreditando que, se as forças armadas não tivessem interferido, os locais poderiam ter limpado os visitantes, ensinando a eles o português”.

Além disso, o artigo cita uma vidente — sem a nomear — que teria prevista um “cataclisma” em setembro “como retribuição pela Blitzkrieg contra os visitantes interplanetários”

Publicado no dia 28 de junho de 1996, o texto cita a ditadura militar, dizendo que o exército estaria “pagando pelos seus pecados”:

“Se o exército conseguia desaparecer com seres humanos sem deixar rastros, locais perguntam, por que não conseguiriam levar essa ‘guerra suja’ para o espaço sideral?”, acrescentou.

Matt Moffet, jornalista responsável pela matéria, ainda cita a falta de dinheiro dos militares brasileiros: “Não posa perigo para ninguém, muito menos para inimigos que podem ter armas de raio-laser. Em alguns exercícios de treinamento, as tropas brasileiras estão apontando seus rifles enquanto gritam ‘bang!” para economizar dinheiro”

*Com informações de Extra

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