Sabadou
Mas no meu caso, sabadou com planejamento tático, apoio internacional e intervenção da tia-avó. 😂
Sou mãe de três meninas. TRÊS.
Então, pra eu sair num sábado à noite, normalmente o processo começa com uns 20 dias de antecedência, planilha mental aberta e nível de organização tipo excursão escolar.
Só que dessa vez… o universo colaborou.
A tia-avó, abençoada seja essa mulher, inventou uma noite do pijama pra todas as crianças da família.
Isso não é um evento.
Isso é um vale night oficial, com assinatura divina e carimbo de “VÁ, FILHA”.
Mas você acha que, mesmo assim, eu relaxei?
Claro que não. Eu sou mãe.
A diferença é que, em vez de organizar babá, eu organizei três mochilas estratégicas:
✔️ Três pijamas certos (porque pijama errado causa crise diplomática às 22h)
✔️ Três escovas de dente
✔️ Três bichinhos de pelúcia + o reserva secreto
✔️ Roupas de amanhã separadas
✔️ Áudios explicativos dignos de tutorial:
— “Essa daqui diz que não tá com sono, mas é mentira.”
— “Essa outra só dorme se contar história… mas não inventa muito, senão ela faz pergunta.”
— “A pequena parece um anjo, mas depois das 21h vira CEO do caos.”
Entrego as três na casa da tia-avó como quem faz transferência de custódia temporária.
— “Qualquer coisa me liga…”
(pensamento real: por favor, que nada aconteça)
Entro no carro.
Silêncio.
Ninguém brigando.
Ninguém pedindo lanche cinco minutos depois do jantar.
Ninguém gritando: “MÃÃÃE, ELA RESPIRou PERTO DE MIM!”
Eu não ligo música. Eu aprecio o som do nada. Quase choro de emoção.
Mas a organização do sábado já vinha de longe, claro.
Roupa escolhida desde terça.
Cabelo lavado na sexta pra “assentar”.
Unha feita dias antes porque no sábado o cronograma é militar.
Eu saio de casa não com sensação de liberdade.
Eu saio com sensação de missão cumprida. 🫡
Chego no lugar animada, encontro as amigas, peço um drink… dou três goles… e já começo a fazer conta:
“Se eu dormir 5 horas, eu sobrevivo?”
“Será que amanhã dá tempo de existir antes de buscar as crianças?”
Porque a verdade é uma só:
Eu ganhei um vale night.
Não ganhei um vale juventude.
Antigamente eu virava a noite.
Hoje, se eu virar meia-noite e quinze, segunda-feira meu corpo protocola uma reclamação formal.
Dá 23h e eu já tô:
— rindo
— conversando
— bolsa no colo
— olhando o relógio
— dizendo: “GENTE, TÁ PERFEITO, AMEI, VAMOS MARCAR OUTRO”
Porque a mãe de três não volta pra casa.
Ela retorna à base para manutenção preventiva da coluna.
Chego, tiro a maquiagem com calma, deito numa cama sem ninguém atravessado na diagonal, estico as pernas e penso:
“Obrigada, tia-avó. Você não é parente. Você é um patrimônio da humanidade.” 💛
Durmo. Profundamente. Em paz.
Até o celular vibrar às 7h com a mensagem:
“Bom dia! A noite foi ótima! Elas acordaram às 6h. Estão elétricas.”
Claro que estão.
A noite do pijama foi um sucesso.
Quem descansou mesmo…
foi o projeto social aqui. 😌
