Por que o ESG não é responsabilidade de uma pessoa (e como distribuir isso na sua empresa)
Por Mariana Borges
Existe um mito que mata muitas agendas de ESG antes delas começarem: a ideia de que o ESG é responsabilidade de uma pessoa. Geralmente alguém da comunicação, ou da sustentabilidade, ou até mesmo do RH. Uma pessoa que fica encarregada de “cuidar de ESG” enquanto o resto da empresa continua fazendo as coisas do jeito que sempre fez.
E aí, inevitavelmente, aquela pessoa fica sobrecarregada. Porque o ESG não é algo que uma pessoa consegue fazer sozinha. ESG é algo que a empresa inteira precisa fazer junto.
Quando você entende isso, tudo muda.
O problema da centralização
Deixa eu te mostrar como isso funciona na prática. Você tem uma pessoa responsável pelo ESG. Ela é dedicada, competente, quer fazer diferença. Mas aí chega o momento em que ela precisa que operações mude um processo. Que compras estruture critério de fornecedor. Que RH implemente política de
diversidade. Que marketing comunique compromissos.
E aí ela descobre que não consegue fazer nada disso sozinha. Porque essas decisões não são dela. São de outras áreas. E essas áreas têm suas próprias prioridades, seus próprios objetivos, seus próprios desafios.
Resultado: ESG fica preso. A pessoa fica frustrada. A empresa fica com iniciativas desconexas. E ninguém realmente se sente responsável pelo resultado.
Isso é o que acontece quando você centraliza ESG em uma pessoa.

O que funciona de verdade
O que funciona é o oposto: descentralização. Quando você distribui responsabilidade de ESG entre diferentes áreas, algo mágico acontece.
Operações fica responsável por eficiência energética e gestão de resíduos. Porque são eles que entendem de processo, de consumo, de desperdício. Compras fica responsável por critério de fornecedor e cadeia de suprimento. Porque são eles que conhecem fornecedores, que entendem de negociação, que conseguem estruturar isso. RH fica responsável por diversidade, equidade e bem-estar. Porque são eles
que entendem de pessoas, que conseguem estruturar política, que conseguem medir impacto. Marketing fica responsável por comunicação autêntica. Porque são eles que entendem de narrativa, que conseguem contar história de forma que ressoe.
Quando você distribui assim, cada área fica responsável pela parte de ESG que faz sentido para ela. E aí, de repente, ESG não é mais “coisa de um departamento”. É coisa de toda a empresa.
O papel do centro
Agora, deixa eu ser claro: descentralização não significa anarquia. Você ainda precisa de alguém que coordene. Que garante alinhamento. Que acompanhe o progresso. Que comunica para a diretoria.
Mas esse alguém não é responsável por fazer ESG. É responsável por garantir que ESG está acontecendo. Que as áreas estão alinhadas. Que não há conflito. Que há sinergia.
É uma diferença sutil, mas fundamental. Porque quando você muda o papel de “executor” para “coordenador”, você muda tudo. Você não está mais tentando fazer tudo sozinho. Você está orquestrando a empresa para fazer ESG.
Como estruturar isso
Se você está em uma empresa e quer começar a descentralizar ESG, aqui estão os passos:
- Mapeie as responsabilidades. Para cada pilar de ESG (environmental, social, governance), identifique qual área da empresa é mais natural que seja responsável. Não force. Deixe que cada área assuma o que faz sentido para ela.
- Defina metas por área. Não uma meta geral de ESG. Metas específicas para cada área. Operações tem meta de redução de energia. Compras tem meta de fornecedores certificados. RH tem meta de diversidade. Marketing tem meta de comunicação autêntica.
- Crie estrutura de governança. Reunião mensal onde cada área reporta progresso. Onde vocês discutem desafios. Onde vocês se ajudam mutuamente. Onde vocês veem como as coisas se conectam.
- Comunique claramente. Deixe que toda a empresa saiba que ESG é responsabilidade de todos. Que cada área tem seu papel. Que ninguém está sozinho nisso.
- Acompanhe. O coordenador de ESG, pode ser o coordenador de um Comitê de ESG, acompanha se cada área está cumprindo sua parte. Se há alinhamento. Se há progresso.
O benefício invisível
Quando você descentraliza ESG, algo interessante acontece além do óbvio. As pessoas começam a se sentir donas do processo. Porque não é algo que foi imposto de cima para baixo. É algo que elas ajudaram a estruturar. Que faz sentido para seu trabalho. Que elas conseguem executar.
E quando as pessoas se sentem donas, elas se engajam. Elas não estão apenas cumprindo tarefa. Estão contribuindo para algo que importa.
Isso gera momentum. Gera entusiasmo. Gera resultado.
A realidade da maioria das empresas
Mas, eu sei. A maioria das empresas ainda tem ESG centralizado em uma pessoa. Porque é mais fácil. Porque você não precisa conversar com outras áreas. Porque você consegue controlar.
Mas fácil não significa efetivo. E controle não significa resultado.
Então se você está em uma empresa que ainda tem ESG centralizado, essa é a hora para mudar. Porque quando você começa a descentralizar, você descobre que ESG não é tão complicado quanto parecia. É só uma questão de cada área fazer sua parte.
O próximo passo
Se você quer começar a descentralizar ESG na sua empresa, comece pequeno. Escolha uma área. Conversa com o líder daquela área. Entenda qual é o desafio dela. Identifique como ESG pode ajudar. Estruture uma meta. Acompanhe.
Depois, expanda. Próxima área. Mesmo processo.
Conforme você vai fazendo isso, você vai descobrir que ESG não é responsabilidade de uma pessoa. É responsabilidade de todos. E quando todos estão envolvidos, tudo muda.

Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável
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