Quem ganha com seu sucesso?

“Faça o bem sem olhar a quem!”

Essa frase foi utilizada com frequência nas casas, nas escolas, nas rodas de conversa… Na verdade, em todo lugar por onde vagou a minha — e a de tantas pessoas — infância e adolescência. E, naturalmente, a mensagem, alegadamente cristã, se fez fundamental na formação emocional de muitos dos nascidos em meados do século XX.

Não se trata, hoje sabemos, de psicologia científica. Retrata apenas a percepção ou vontade de alguém que conseguiu “viralizar” uma mensagem sem o devido cuidado com qualquer verdade que a pudesse corroborar. E ressalva-se que o comentário não se presta a inferir que não se deva ‘fazer o bem’. No entanto, é importante, sim, observar ‘a quem’. Porque tem ficado cada dia mais comum algumas pessoas abandonarem seus sonhos pela singularidade de um óbolo, afastarem-se de qualquer atividade laboral e, principalmente, de qualquer responsabilidade quanto ao próprio sustento. Estão convictas de que algum bem-intencionado sempre estará disposto a fazer por elas aquilo que elas mesmas desistiram até de se empenharem em fazer. Estão acomodadas na condição razoavelmente confortável de serem agraciadas por ‘bonzinhos’, com bens, víveres e até defesa de direitos sem qualquer contrapartida. Mesmo que não haja impeditivos justificáveis para buscarem a própria subsistência e seu desenvolvimento pessoal e social. É uma constatação desanimadora na atualidade.

Uma sociedade se mostra mais evoluída na proporção em que seus indivíduos mais frágeis recebem a proteção da coletividade. No entanto, quando pessoas aptas a contribuírem para o todo optam por dividir o auxílio justificadamente destinado aos que se encontram em risco social, o próprio auxílio se torna escasso e, muitas vezes, não atinge o seu propósito de forma plena. Observando sempre que parte desse propósito é resgatar pessoas da condição de carência, sem criar dependência eterna.

A política atual desmerece o empenho daqueles que lutam por ascensão social, desenvolvimento, melhores condições de vida e respeito, por meio da qualificação e do trabalho. A carga de impostos a que ficam sujeitos é brutal. E há pouca reciprocidade por parte do Poder Público. Em alguns aspectos, nenhuma.

Hoje, especialmente nas mídias tradicionais, se glamouriza pessoas que confrontam a lei; se endeusa personas que nada produzem; se chama de heróis a indivíduos inúteis.

A expressão “o trabalho dignifica o homem” já foi atribuída a Max Weber, a John Locke e a outros grandes pensadores como conceito de que não se trata apenas de sobrevivência, mas também de relacionamento humano e cooperação mútua na busca de um objetivo comum. E isso dá dignidade ao homem e à sua existência. Mas se todo o esforço é minado pela tarifação absurda voltada a financiar mordomias e estimular a apatia e a modorra, quais os resultados efetivos se pode obter pelo esforço próprio?

Com dignas exceções, está-se criando uma geração de acomodados, que sucumbem à esmola do que é fácil, sem perceber a armadilha em que se enredam. Mas e as pessoas sérias, que persistem em se desenvolver? Quem ganha com o seu sucesso?

Mário Sérgio Rodrigues Ananias é Escritor, Palestrante, Gestor Público e ativista da causa PcD. Autor do livro Sobre Viver com Pólio.

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