Bahia Farm Show abre com anúncios bilionários e corrida pelo agro
Principal feira agropecuária do Matopiba será palco de anúncios para agricultura e energia, além de reunir ministros e pré-candidatos à Presidência.
Começa nesta segunda-feira (8) a 20ª edição da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), principal feira agropecuária do Matopiba, confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e deve concentrar anúncios bilionários de investimentos, discussões sobre crédito rural e a presença de algumas das principais lideranças políticas que miram a sucessão presidencial de 2026.
Em meio aos debates sobre renegociação de dívidas rurais, construção do Plano Safra 2026/27, seguro rural e crédito para investimentos, o evento será palco de anúncios bilionários nas áreas de agricultura e energia, além de reunir ministros, parlamentares e pré-candidatos à Presidência da República.
A abertura da feira contará com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros André de Paula (Agricultura e Pecuária) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).
Para o agro, a expectativa é de que seja formalizado o lançamento de uma linha de R$ 14 bilhões para financiamento de máquinas e implementos agrícolas, com juros entre 8,5% e 9,5% ao ano.
O programa foi ampliado em relação aos R$ 10 bilhões anunciados anteriormente durante a Agrishow e chega em um momento de desaceleração das vendas de máquinas agrícolas. O setor atribui a queda dos negócios aos juros elevados, à redução das margens dos produtores e às restrições de crédito enfrentadas pelo campo.
A área de energia também ganhará protagonismo. Entre os anúncios esperados estão investimentos do setor elétrico na Bahia, incluindo o plano de R$ 24 bilhões da Neoenergia Coelba até 2030. Há ainda expectativa novos aportes federais ligados à área de energia também devem ser detalhados durante o evento.
Região importante para o agro
Os anúncios ocorrem em uma região que vive um momento de expansão da produção agrícola. Apenas no Oeste da Bahia, a safra 2025/26 alcançou 14,6 milhões de toneladas em uma área de 3,02 milhões de hectares.
A soja responde por cerca de dois terços da área cultivada, enquanto culturas como algodão, milho, sorgo e trigo ampliam participação. A região também soma mais de 409 mil hectares irrigados, um dos maiores polos de irrigação do país.
Além dos debates sobre crédito e investimentos, a Bahia Farm Show deve funcionar como uma vitrine de tecnologias para produção agrícola, irrigação, armazenagem, energia, logística, agricultura digital e máquinas.
A feira também marca a retomada dos leilões de pecuária dentro da programação oficial, reforçando a estratégia dos organizadores de ampliar a presença do setor pecuário em uma região tradicionalmente dominada pelos grãos e pelo algodão.
Neste ano, a feira chega ao maior tamanho de sua história. O parque foi ampliado em 35%, alcançando 38 hectares. A expectativa é superar 550 expositores, reunir cerca de 1.400 marcas e receber mais de 162 mil visitantes ao longo dos seis dias de programação.
O agro na corrida presidencial
A edição de 2026 também deve transformar Luís Eduardo Magalhães em um dos principais palcos políticos do agronegócio brasileiro às vésperas da corrida eleitoral.
Além da participação confirmada do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros do governo federal, há expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visite a feira na quinta-feira (11). A presença ainda não foi confirmada oficialmente.
O interesse político na Bahia Farm Show reflete a importância crescente do Matopiba para o agronegócio brasileiro. Apesar de acontecer na Bahia, estado vencido por Lula nas eleições presidenciais de 2022, o Oeste baiano reúne municípios com forte presença do agronegócio que deram ampla vantagem ao então presidente Jair Bolsonaro no último pleito.
Uma eventual visita de Lula teria peso simbólico adicional por ocorrer justamente em uma das regiões mais dinâmicas da produção agropecuária nacional, em um momento em que o governo busca fortalecer o diálogo com o setor em pautas como renegociação de dívidas, crédito rural, seguro rural, infraestrutura e Plano Safra.
A programação também deve contar com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem agenda prevista para terça-feira (9), e pode receber o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil), cuja participação ainda não foi confirmada.
Os dois são pré-candidatos à Presidência da República e chegam à Bahia Farm Show em um momento em que o agronegócio se tornou um dos principais campos de disputa política para as eleições de 2026.
Caiado tem no setor uma de suas principais bases políticas. Produtor rural e ex-líder da UDR (União Democrática Ruralista), construiu sua trajetória pública ligada às pautas do campo e tem apresentado sua experiência à frente de Goiás como uma vitrine para a candidatura presidencial.
Nos últimos meses, o governador intensificou agendas em feiras e eventos do setor, defendendo ampliação do crédito, investimentos em infraestrutura e segurança jurídica para os produtores — e o agro tem sinalizado o ex-governador como um nome forte para apoio.
Já Flávio Bolsonaro tem ampliado sua atuação nacional em meio às discussões sobre a sucessão do ex-presidente Jair Bolsonaro dentro do campo conservador. O senador tem buscado estreitar laços com lideranças do agronegócio e do setor empresarial, defendendo pautas do setor.
Demandas do agro
A concentração de lideranças e possíveis presidenciáveis ocorre em um momento em que produtores pressionam por soluções para temas considerados prioritários, como a renegociação das dívidas rurais, a ampliação do seguro rural, o acesso ao crédito e os investimentos em infraestrutura logística.
Entre as principais demandas da região estão a conclusão da FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) e a duplicação da BR-242, obras consideradas estratégicas para reduzir custos de transporte e aumentar a competitividade da produção agrícola do Matopiba.
A FIOL é vista pelo setor produtivo como uma das principais apostas para transformar a logística do Oeste baiano. O projeto prevê a ligação entre a região produtora de grãos, algodão e minérios do interior da Bahia e o Porto Sul, em Ilhéus (BA), criando uma nova rota de escoamento para a produção destinada ao mercado externo.
A expectativa dos produtores é que a ferrovia reduza a dependência do transporte rodoviário, diminua custos logísticos e aumente a competitividade das exportações brasileiras.
A obra também é considerada estratégica por sua conexão futura com a FICO (Ferrovia de Integração Centro-Oeste), permitindo integrar parte da produção do Matopiba e do Centro-Oeste aos portos do Nordeste.
Durante encontro com jornalistas antes da feira, dirigentes da Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia) afirmaram que a conclusão da ferrovia continua entre as principais reivindicações do setor. Segundo a entidade, embora o projeto tenha avançado nos últimos anos, ainda há expectativa por novos anúncios e maior ritmo de execução das obras.
Já a duplicação da BR-242 é apontada como essencial para garantir mais segurança e capacidade de tráfego em uma das principais rotas utilizadas para o transporte de grãos, fertilizantes, máquinas e combustíveis entre o Oeste baiano e os portos da região.
*Com informações de CNN