A Revolução Silenciosa
O futuro das PcD já começou, mas, talvez, você esteja olhando para o lado errado.
Feche os olhos por uns poucos segundos e tente imaginar como seria trabalhar, se comunicar ou simplesmente cruzar a sala da sua casa sem alguns ou nenhum dos seus sentidos tradicionais. Parece um desafio intransponível? Para milhões de Pessoas com Deficiência (PcD), essa era, até bem pouco tempo, a regra do jogo. No entanto, analisando apenas os últimos dez anos, uma revolução silenciosa virou o tabuleiro. Longe dos holofotes das redes sociais – que fazem muitas vezes a opção por debates superficiais -, os avanços nas tecnologias assistivas transformaram o que já foi considerado ficção científica em realidade cotidiana. Passamos da era das rampas de acesso para a era dos exoesqueletos motorizados, softwares de leitura labial ultra precisos, por Inteligência Artificial e próteses biônicas controladas por impulsos neurais. O mundo mudou. Mas será que a nossa mentalidade acompanhou esse salto?
Como integrante desse grupo de pessoas interessadas nas transformações propiciadas pela comunicação de massa, percebo que essa explosão tecnológica trouxe um paradoxo incômodo. A tecnologia, com sensatez, estendeu a mão, mas a estrutura social, descolada da realidade desse recorte social, ainda insiste em fechar as portas. De nada adianta um smartphone de última geração com acessibilidade total por comandos de voz se os sistemas de contratação das grandes empresas, por exemplo, continuam analógicos e excludentes. Os estudos desenvolvidos na última década provaram que a engenharia e a ciência são capazes de proporcionar ou devolver autonomia física e digital. Dispositivos de rastreamento ocular hoje permitem que pessoas com paralisia severa escrevam livros e gerenciem grandes negócios. O problema real mudou de endereço: a barreira não está mais na limitação do corpo, mas sim no teto de vidro do preconceito corporativo e social.
Essa década de ouro da tecnologia assistiva nos trouxe até aqui, cruzando uma fronteira que antes parecia impossível. Ela nos deu as ferramentas para pavimentar um chão verdadeiramente inclusivo, em que o envelhecimento e a longevidade da população PcD possam ser sinônimos de dignidade e não de isolamento tecnológico. O futuro foi desenhado por engenheiros brilhantes, mas o acabamento observado e que se oferece depende de cada um de nós. A tecnologia fez a sua parte ao criar essa imensa possibilidade de autonomia; agora, cabe à sociedade garantir, pelos meios à sua disposição, a oportunidade.
E você que está lendo este artigo, qual a sua opinião sobre a nova era que gera perspectivas de inclusão e de autonomia a um grupo expressivo de pessoas? Participe do debate, com sua análise e seu posicionamento.
Qual tecnologia assistiva você conhece, ainda que superficialmente, ou qual acredita que será o próximo grande salto de inclusão em curto ou médio prazos? Deixe sua opinião nos comentários!
Você já teve algum contato, pessoal ou através de terceiros, com o uso dessas ferramentas e tecnologias inovadoras no seu ambiente familiar, de trabalho ou de estudo? Comente seu conhecimento ou experiência conosco! Temos um grande interesse em saber.

Mário Sérgio Rodrigues Ananias é Escritor, Palestrante, Gestor Público e ativista da causa PcD. Autor do livro Sobre Viver com Pólio.
Whatsapp: (61) 99286-6236
Instagram: Mario S R Ananias (@mariosrananias) • Fotos e vídeos do Instagram
Linkedin: (34) Mário Sérgio Rodrigues Ananias | LinkedIn
Site: Mário S. R. Ananias – Sobre Viver com Pólio (mariosrananias.com.br)