Recorde de Inventários de Emissões: Sua empresa vai ser questionada

Por Mariana Borges

No último dia 26 de agosto, o Programa Brasileiro GHG Protocol divulgou um recorde: 757 organizações apresentaram inventários de emissões. Crescimento de 12% em relação ao ciclo anterior.

Dessas organizações, a maior parte das emissões está no chamado Escopo 3. São as emissões da cadeia de valor. Fornecedores, transporte, viagens, resíduos, uso de produtos. E a FGV, que administra o registro público dessas emissões, identificou algo que deveria chamar sua atenção: pequenas e médias empresas, especialmente do varejo e do agronegócio, são o maior potencial de expansão do programa.

O que isso significa para você

Se você trabalha em uma PME, deve estar pensando: mas isso é para empresa grande. Minha empresa não precisa fazer inventário.

E tecnicamente, você está certo. A CVM, em maio, retirou a obrigatoriedade futura de adoção das normas IFRS S1 e S2 para companhias abertas brasileiras. O regime continua voluntário.

Mas aqui está o ponto que muitos não estão percebendo: a pergunta não vai chegar como uma obrigação legal. Vai chegar como uma pergunta operacional do seu maior cliente.

A pergunta que vai chegar

Um cliente grande que está montando o inventário dele precisa dos dados dos fornecedores. Então ele vai perguntar: quanto combustível foi consumido? Qual foi o consumo de energia? Como os produtos foram transportados? Que resíduos foram gerados? Qual é a origem das matérias-primas? Existem metas ou medidas de redução?

Ele não vai perguntar se você segue IFRS S2. Ele vai perguntar quanto de energia você gastou no último ano. E se você não tem a resposta, você não consegue participar da cadeia dele.

O erro de pensar que é para outra empresa

Muitas PMEs ainda encaram inventário de emissões como algo de outro mundo. Algo para multinacional, para empresa de capital aberto, para quem tem departamento de sustentabilidade com dezenas de pessoas.

Mas a realidade é que o mercado está criando uma corrente. A empresa grande precisa reportar. Para reportar, precisa de dados dos fornecedores. Para ter dados dos fornecedores, precisa que os fornecedores tenham organização mínima.

E se você não tem essa organização, você não é excluído por incompetência. É excluído por falta de preparo.

Como começar “sem surtar”

A boa notícia é que você não precisa fazer um inventário completo agora. Precisa dar passos proporcionais ao tamanho da sua empresa.

Comece mapeando quais as fontes de emissão são relevantes para o seu negócio. Organize suas contas de energia, combustível, fretes, viagens e resíduos. Calcule inicialmente os Escopos 1 e 2, que são as emissões diretas e as de energia. Quando isso estiver rodando, selecione apenas as categorias de Escopo 3 que fazem sentido para o seu negócio.

Estabeleça responsáveis, periodicidade e evidências. E defina ações de redução associadas a custo e eficiência. Porque é aqui que está a oportunidade: quando você organiza esses dados, você não está apenas respondendo ao cliente. Está encontrando formas de reduzir seus custos operacionais.

Imagem: Wolfgang_Weiser

O argumento que funciona

O argumento comercial não precisa ser “sua empresa precisa fazer um inventário completo”. Pode ser mais simples: sua empresa precisa estar preparada para responder, com dados confiáveis, quando um cliente, banco ou parceiro perguntar sobre suas emissões.

Porque a pergunta já está sendo feita. E quem tem a resposta, fecha negócio. Quem não tem, perde.

Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável

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