Elisson Ferreira propõe governo de metas, transparência e planejamento de longo prazo para o Distrito Federal
Candidato do AGIR ao GDF apresenta 36 eixos de governo, defende auditorias na Saúde, no BRB e no transporte público e afirma que os primeiros 100 dias serão dedicados ao controle da máquina administrativa
A disputa pelo Governo do Distrito Federal em 2026 reúne diferentes projetos para o futuro de Brasília. Entre os nomes apresentados ao eleitorado está o do jornalista e empresário Elisson Ferreira, do AGIR, número 36. Em sua primeira disputa por um cargo eletivo, o candidato defende uma administração baseada em metas, transparência, planejamento e acompanhamento dos resultados.
Natural de Brasília e criado em Taguatinga, Elisson tem trajetória profissional nas áreas de comunicação e eventos, além de formação e experiência relacionadas ao marketing político. Informações divulgadas durante a convenção partidária e em reportagens de imprensa registram também sua passagem pela Câmara Legislativa do Distrito Federal e pela Câmara dos Deputados.
O plano de governo da chapa Elisson Ferreira e Subtenente Sérgio Prado está organizado em 36 eixos estratégicos e propõe medidas para áreas como Saúde, transporte, Segurança Pública, habitação, desenvolvimento econômico, educação e modernização da gestão. O documento também apresenta uma perspectiva de planejamento que ultrapassa o período de quatro anos, com a proposta Brasília 2060.
Em entrevista especial à coluna Dedo de Moça, Elisson detalha as prioridades para os primeiros 100 dias, fala sobre os custos de suas propostas, explica o papel previsto para o vice-governador na Segurança Pública e apresenta sua visão sobre a transparência na administração pública.
“36 eixos, mas qual é a prioridade?”
Elisson Ferreira: Os 36 eixos mostram que governo tem que cuidar da cidade inteira, mas prioridade exige escolha. Nos primeiros 100 dias eu vou concentrar energia em três frentes.
A primeira é a Saúde: abrir as filas, dar protocolo ao paciente, iniciar a integração dos sistemas e colocar de pé o prontuário digital. Nosso planejamento para toda a transformação digital da Saúde trabalha com um investimento estimado entre R$ 120 milhões e R$ 200 milhões ao longo de quatro anos, não em 100 dias.

A segunda é o transporte. Nos primeiros 100 dias vamos abrir a composição dos custos, auditar tarifa técnica, subsídios e contratos e apresentar o cronograma da redução da passagem. Para uma primeira redução de um real na tarifa máxima, nossa estimativa preliminar é de aproximadamente R$ 180 milhões a R$ 250 milhões por ano, e eu só vou executar isso com fonte permanente de financiamento. Vou fazer também passagem gratuita às sextas, sábados e domingos desde o primeiro dia de governo.
A terceira é fazer uma grande revisão de gestão no IgesDF e no BRB. Antes de colocar mais dinheiro público, precisamos saber qual é o passivo, quais contratos estão funcionando, onde houve perda e quanto pode ser recuperado. Essa fase inicial é de auditoria, governança e transparência e será financiada dentro das estruturas orçamentárias existentes e dos contratos que forem tecnicamente necessários.
Então meus primeiros 100 dias não serão cem dias de inaugurações fictícias. Serão cem dias para colocar a máquina no controle e começar as entregas que mudam a vida das pessoas.
A conta fecha?
Elisson Ferreira: Tem que fechar. Eu não quero apresentar um plano que só funciona no papel.
Não vamos financiar todas as propostas com uma única fonte. Há três grupos diferentes. Custeio permanente, como Saúde, creches e transporte, precisa caber no orçamento corrente e no Fundo Constitucional. Grandes investimentos, como metrô e infraestrutura, podem combinar orçamento distrital, Governo Federal, Novo PAC, BNDES, FGTS e outras operações de crédito dentro da capacidade de endividamento. E existe um terceiro grupo, que é o dinheiro que precisamos deixar de desperdiçar, com revisão de contratos, compras, sistemas duplicados e despesas administrativas.
Em 2026, o orçamento total aprovado para o DF foi de aproximadamente R$ 74,4 bilhões, dos quais cerca de R$ 28,4 bilhões correspondem ao Fundo Constitucional. Só na estrutura do FCDF, Segurança, Saúde e Educação representam parcelas bilionárias do financiamento público do Distrito Federal.
Mas eu não vou cometer um erro comum, que é contar uma economia futura antes de ela existir. Se economizamos R$ 100 milhões, primeiro comprovamos a economia; depois decidimos onde aplicar.
E também não estou propondo aumento de imposto para pagar essas prioridades. O caminho é reorganizar gasto, buscar financiamento externo para investimento, aproveitar recursos federais e executar por etapas.
Governo de vidro ou governo de metas?
Elisson Ferreira: Os dois. Transparência sem meta vira um portal cheio de números que ninguém entende. E meta sem transparência vira propaganda.
Eu quero que cada grande compromisso tenha responsável, prazo, custo, fonte de recurso e indicador de resultado. Se uma obra estiver atrasada, o cidadão precisa saber quanto atrasou, por quê, quem é o responsável e qual é a nova previsão.
Eu já defendi publicamente esse conceito de um “Governo de Vidro”, com exposição de gastos e contratos.
E sim, aceito estabelecer publicamente prazos e responsáveis. A cada três meses quero apresentar o que cumprimos, o que não cumprimos e explicar o motivo.
O cidadão não pode demitir o governador no meio do mandato porque uma meta atrasou, mas pode fiscalizar, cobrar, comparar e, principalmente, impedir que o governo esconda o fracasso atrás de propaganda.
Segurança: qual será o papel do vice?
Elisson Ferreira: Quem fixa a política de Segurança Pública é o governador. Quem administra e coordena institucionalmente o sistema é a Secretaria de Segurança Pública, respeitando a autonomia e as competências da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e demais forças.
Isso não será alterado.
O Sérgio Prado terá uma coordenação estratégica da Segurança, por delegação do governador. Ele não vai substituir o secretário nem os comandantes. Vai acompanhar indicadores, reunir as áreas, cobrar integração, acompanhar investimentos e me apresentar diretamente os resultados e nas ruas. Vai acompanhar operações.
Essa divisão já foi anunciada quando escolhemos o Sérgio para a chapa. E ela é compatível com a própria estrutura da SSP, cuja função é implementar a política fixada pelo governador e coordenar operacionalmente os órgãos do sistema sem retirar a autonomia das corporações.
Nos primeiros seis meses, quero que o cidadão perceba três coisas: mais presença nos locais identificados como críticos, integração real das informações e tecnologia ajudando a polícia a trabalhar melhor. Vamos começar pelo mapeamento dos pontos de maior incidência, integração das câmeras existentes e metas territoriais de redução de crimes.
Por que Elisson?
Elisson Ferreira: É minha primeira disputa por um cargo eletivo. Sou jornalista, empresário, pós-graduado em análise e marketing político e tive passagens profissionais pela Câmara Legislativa e pela Câmara dos Deputados. Essa trajetória está documentada publicamente. Sou um estreante com conhecimento e projetos que fazem a gente ter um dos melhores planos de governo. É o plano do AGIR 36.
Minha experiência me deu contato com dois mundos. Conheço o ambiente público e, ao mesmo tempo, sei o que é estar no setor privado, pagar conta, contratar pessoas, organizar equipe, trabalhar com orçamento, prazo e responsabilidade pela entrega.
Qual é o risco de um estreante? É justamente não conhecer todos os detalhes de uma máquina do tamanho do GDF. Eu reconheço esse risco. Por isso meu modelo não é o de um governador que acha que sabe tudo. Pois ninguém sabe tudo. É montar equipe técnica, definir responsabilidades, usar servidores de carreira, medir resultado e ter transparência para corrigir erro rápido.
Eu não quero que a população confie em mim porque eu digo que sou diferente. Quero que possa acompanhar o governo e verificar se aquilo que prometemos está sendo entregue. Meu número é 36. Por isso, vote 36!
O que está no plano de governo do AGIR
Além dos compromissos detalhados na entrevista, o documento apresentado pela chapa reúne propostas para diferentes áreas da administração distrital. Entre os eixos destacados estão:
- Saúde: prontuário eletrônico, transparência das filas e transformação digital.
- Mobilidade: redução progressiva da tarifa, integração entre ônibus e metrô e modernização do sistema metroviário.
- Educação: criação de 8 mil novas vagas em creches.
- Segurança Pública: integração das forças, uso de tecnologia e acompanhamento de indicadores.
- Habitação: regularização fundiária, infraestrutura urbana e ampliação das políticas habitacionais.
- Economia e sustentabilidade: geração de empregos, energia solar e eletromobilidade.
- Gestão pública: transparência de contratos, obras, gastos e metas, com participação popular.
O plano de governo também prevê uma visão de longo prazo para o Distrito Federal e inclui propostas de fortalecimento da participação cidadã, prestação de contas e planejamento estratégico. <Cite refs={[“turn404730search1″,”turn404730search6”]}/>
A proposta em debate
A candidatura de Elisson Ferreira apresenta uma combinação de propostas de reorganização administrativa, investimentos em serviços públicos e compromissos de transparência. Os valores e prazos citados na entrevista são estimativas e promessas de campanha que dependem de planejamento orçamentário, decisões administrativas, contratos e demais procedimentos legais para sua execução.
A proposta de um governo orientado por metas coloca em evidência uma questão central para qualquer administração pública: como transformar compromissos eleitorais em ações mensuráveis, com recursos definidos e acompanhamento pela população.
*Por: Redação