MANUTENÇÃO: POR QUE ESPERAMOS DANIFICAR PARA CONSERTAR?
Construir chama atenção. Conservar, quase nunca.
Temos dificuldade de reconhecer que cuidar do que já foi construído é tão necessário quanto fazer a revisão de um automóvel ou de qualquer outro veículo. Não esperamos o motor parar para trocar o óleo ou verificar os freios. Com uma construção, o princípio não deveria ser diferente.
Pontes, rodovias, viadutos, barragens, redes de água, escolas, edifícios e residências envelhecem desde o primeiro dia de uso. O tempo, os esforços, a temperatura e a própria utilização deixam marcas. A engenharia conhece esse processo e dispõe de instrumentos para acompanhar sua evolução.
Esperar o problema aumentar quase sempre significa chegar mais tarde e gastar mais. Uma pequena intervenção realizada no momento certo pode evitar uma recuperação de grande porte, uma interdição ou até a perda de uma estrutura.
A manutenção não deveria começar quando algo se danifica. Os primeiros sinais de desgaste já pedem atenção, avaliação e, quando necessária, intervenção.
Essa preocupação não é apenas uma questão de bom senso. A ABNT NBR 15575 — Norma de Desempenho das Edificações Habitacionais incorpora conceitos como vida útil, durabilidade e manutenibilidade. Uma construção precisa ser pensada não apenas para ser entregue, mas para continuar desempenhando sua função ao longo do tempo.
A ENGENHARIA NÃO TERMINA QUANDO A OBRA FICA PRONTA.

José Ribeiro de Miranda
Engenheiro Civil, diretor da Geometa Fundações, escritor e presidente da Associação Brasileira dos Engenheiros Independentes– ABRAEI.
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