O que memes, trends e IA revelam sobre como os jovens estão se comunicando

Cultura digital transforma referências, acontecimentos e ferramentas tecnológicas em novas formas de criar, aprender e se expressar nas redes

Em setembro, uma trend baseada em inteligência artificial tomou conta das redes sociais ao transformar fotos atuais em versões inspiradas nos anos 1980. A ferramenta recriava roupas, penteados, maquiagem e outros elementos visuais característicos da década a partir de uma única imagem enviada pelo usuário, gerando resultados que rapidamente passaram a circular entre anônimos e celebridades.

O fenômeno mostra como recursos que antes exigiam conhecimentos específicos de edição e criação visual passaram a fazer parte do cotidiano das redes. Hoje, com poucos comandos, qualquer usuário pode produzir imagens, vídeos e outros formatos, aproximando ferramentas digitais de processos que envolvem criatividade e expressão.

Mas as trends não nascem apenas das ferramentas. A própria cultura digital transforma acontecimentos, referências culturais e assuntos de grande repercussão em matéria-prima para novas criações. Copa do Mundo, eleições, premiações como o Oscar e momentos marcantes da cultura pop ganham versões em memes, vídeos e montagens, que podem ser reinterpretados e compartilhados em diferentes formatos. 

Para participar dessa dinâmica, não basta acompanhar o que está em alta. É preciso reconhecer referências, entender códigos e adaptar linguagens. Um meme, por exemplo, pode transformar um acontecimento em humor, comentário ou forma de expressão a partir de uma imagem, frase ou referência que faça sentido para determinada comunidade. Nesse processo, os jovens também experimentam diferentes maneiras de produzir e se comunicar no ambiente digital.

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br/NIC.br, mostra a dimensão desse contato: 65% dos usuários de internet de 9 a 17 anos já utilizaram ferramentas de inteligência artificial generativa. Além de estudar e buscar informações, 21% recorrem a esses recursos para criar conteúdos, como textos e imagens.

O acesso facilitado, porém, não significa que os jovens compreendam necessariamente como essas tecnologias funcionam ou as escolhas envolvidas em cada produção. Criar uma imagem com IA, editar um vídeo ou adaptar um meme exige repertório para decidir o que produzir, como comunicar uma ideia e quais referências utilizar.

“O que existe por trás das trends vai além da ferramenta ou do assunto do momento: há curiosidade e a vontade de transformar uma ideia em algo que possa ser compartilhado. Esse contato também pode ser uma oportunidade para desenvolver novas competências”, afirma Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, escola de IA, Ciência da Computação e Tecnologia.

Para o especialista, pais e educadores podem contribuir para que essa relação com as ferramentas digitais vá além do consumo. Conhecer os recursos presentes na rotina dos jovens e conversar sobre o que eles produzem também ajuda a identificar interesses e habilidades que podem ser desenvolvidos ao longo da formação e, no futuro, fazer parte de sua trajetória profissional.

“Essas experiências podem mostrar que aquilo que começa como uma brincadeira ou curiosidade também pode estimular criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas, competências cada vez mais importantes em um mercado de trabalho em transformação”, conclui Giroto.

Sobre

A rede de franquias SuperGeeks nasceu com o objetivo de formar não somente consumidores, mas também criadores de tecnologia. Desde 2014, a marca assume uma posição importante ao preparar as novas gerações para os desafios e oportunidades do futuro tecnológico, dedicando-se a ensinar programação, robótica e inteligência artificial, de forma lúdica e criativa, atendendo todas as faixas etárias.

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