O choro, o drama e a grande incógnita da maternidade

Tem dias em que a maternidade parece uma investigação criminal. Acontece um choro, você chega ao local do ocorrido, observa a vítima, tenta identificar as causas, faz perguntas, o

— O que foi, filha? — Nada! — Mas você está chorando! — Eu sei!

E começa ali uma das atividades mais difíceis da maternidade: tentar resolver um problema que ninguém sabe qual é.

Às vezes, é uma tristeza enorme porque alguma coisa não saiu como esperado. Outras vezes, é porque alguém olhou diferente, respondeu atravessado, não curtiu uma foto ou simplesmente porque o mundo resolveu existir de uma maneira que não agrada naquele momento.

A gente tenta ajudar. Oferece colo, conversa, chocolate, conselho, silêncio, abraço e até aquela velha frase: “Vai passar, meu amor”.

Mas e quando não passa?

Tem choro que não aceita negociação. Tem drama que não admite intervenção materna. E tem aquele momento em que a mãe pergunta se pode fazer alguma coisa e recebe um sonoro: “Não!”.

Ótimo. Então estamos oficialmente diante de um problema sem solução e sem autorização para participar.

E o mais curioso é que, muitas vezes, nem os filhos sabem explicar o que está acontecendo. É um acúmulo de sentimentos, cansaço, insegurança, frustração, mudanças e descobertas. Uma verdadeira bagunça emocional que nem eles conseguem organizar.

A mãe, por sua vez, fica ali, tentando adivinhar se deve abraçar, conversar, aconselhar ou simplesmente desaparecer por quinze minutos para não piorar a situação.

E sabe o que é mais difícil? É entender que nem todo sofrimento dos nossos filhos pode ser resolvido por nós. Às vezes, não existe resposta pronta, solução imediata ou botão de desligar o choro.

Existe apenas presença.

A gente aprende que não precisa consertar todos os sentimentos. Que algumas dores precisam ser sentidas, alguns conflitos precisam ser vividos e algumas lágrimas precisam encontrar seu próprio caminho para secar.

Mas, por favor, alguém poderia nos informar quando essa fase termina?

Porque a infância tinha birra, a pré-adolescência tem crises existenciais, a adolescência tem seus próprios capítulos de uma novela mexicana e, pelo que dizem, a vida adulta também não vem com garantia de estabilidade emocional.

No fim das contas, descobrimos que ser mãe é também aprender a conviver com perguntas sem respostas, choros sem explicação e dramas com temporadas renovadas.

E seguimos. Com o coração apertado, a paciência em manutenção e a esperança de que amanhã seja um dia mais tranquilo.

Embora, sinceramente, eu já tenha aprendido a não confiar muito nessa previsão do tempo emocional.

Porque, na maternidade, a grande incógnita não é por que eles estão chorando. É quando nós vamos conseguir entender o motivo!

*Artigo escrito por Julyana Almeida

Jornalista, mãe de 3 crianças lindas e disposta a compartilhar as loucuras e gostosuras da maternidade.

Instagram: https://www.instagram.com/rabiscosdeumamae

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