Arruda de Volta ao Jogo: o Retorno Polêmico que Promete Sacudir a Disputa pelo Governo do DF

Em meio aos desafios que marcam o presente e às memórias de uma gestão que ainda divide opiniões, o cenário político do Distrito Federal volta a ganhar um personagem conhecido do eleitor brasiliense. Após anos afastado da linha de frente, o ex-governador e agora pré-candidato José Roberto Arruda retorna ao debate público propondo resgatar projetos, revisar caminhos e apresentar novas soluções para problemas históricos da capital. Nesta entrevista, Arruda fala sobre sua decisão de voltar à política, faz um balanço de sua trajetória, comenta temas sensíveis da atualidade e detalha suas propostas para áreas como saúde, mobilidade, desenvolvimento urbano e gestão pública, em uma tentativa de reconquistar a confiança da população e reposicionar seu nome na disputa pelo Palácio do Buriti.

Entrevista – Pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda

  1. Candidato, depois de anos afastado da disputa pelo Palácio do Buriti, o que o motivou a voltar à política e disputar novamente o Governo do Distrito Federal?

O sonho de ver o projeto de Brasília concretizado e a vontade de deixar meu legado na cidade de Brasília. Nós herdamos a página mais bonita da história do Brasil, escrita pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek que trouxe a capital para Brasília para ser um modelo de convivência social. Anos se passaram e Brasília ainda não atingiu o seu objetivo. Nós ainda vemos uma infraestrutura que deixa a desejar no transporte pública, na saúde, na educação, na segurança pública. Não é para isso que Brasília foi criada. Meu objetivo como pré-candidato é ter a chance de, novamente, gerir o Distrito Federal e colocar esta cidade nos trilhos do desenvolvimento.

  1. O senhor governou o DF entre 2007 e 2010 e seu período costuma ser lembrado por obras de infraestrutura e programas sociais. Quais realizações daquele governo o senhor considera mais importantes e que poderiam servir de referência para um eventual novo mandato?

Eu acho que, antes de tudo, devemos voltar a ouvir o povo. Esse negócio de governar sem andar nas ruas, sem olhar na cara das pessoas, sem ouví-las, não funciona. Então, a primeira coisa é reestabelecer esse contato, abrir as portas e, em seguida, ir atrás de resolver os problemas reais das vidas das pessoas. Acredito que muito há que ser feito na área da Saúde, na mobilidade urbana e na educação.

Durante a minha gestão, construí o hospital de Santa Maria. Passaram-se 15 anos e nenhum outro hospital foi construído. Também fui responsável por pegar a linha de metrô que estava parada no centro de Taguatinga e levar até Ceilândia. Quinze anos depois e nenhuma metro a mais de metrô foi construído. Brasília está esquecida, largada. E isso tem que mudar.

Objetivamente, acredito que focar os esforços na área da saúde, ampliação do metrô, retomar as escolas de período integral – outro projeto da minhag estão – vai ser um primeiro passo.

  1. O Distrito Federal enfrenta hoje desafios importantes em áreas como mobilidade, saúde e desenvolvimento urbano. Na sua avaliação, quais são hoje os três principais problemas do DF e quais seriam suas prioridades logo no início de um governo?

Saúde pública é o primeiro e maior problema. Nós vemos uma situação lamentável. As pessoas vão aos hospitais, aos locais de atendimento, e não são atendidas. Isso não pode acontecer. Temos filas enormes, faltam médicos. Isso é resultado de um descaso da gestão com a Saúde da nossa capital. E o nosso povo sente. Se você for às ruas e perguntar como está a saúde, quase ninguém vai dizer que está satisfeito. Isso precisa mudar.

Mobilidade é outra questão. Nós temos projetos travados há anos para a expansão do metrô. É hora de conectar o metrô via VLT à Santa Maria e Gama, além de construir a estação da Asa Norte. Além disso, rever as tarifas e talvez propor subsídios às linhas que vem do Entorno. Hoje, nossos trabalhadores passam até 2h no ônibus para irem de casa ao trabalho. Isso é impraticável.

E, por fim, as contas públicas. Estamos diante de um dos maiores escândalos financeiros da história e, infelizmente, o DF está no olho do furacão. Vamos precisar trabalhar para resolver esse “Master” problema que a gestão atual criou.

  1. O Centro Administrativo de Taguatinga foi anunciado há anos como uma solução para descentralizar o governo e impulsionar a economia da região, mas até hoje o projeto não saiu do papel. Caso eleito, como o senhor pretende resolver definitivamente essa situação?

No primeiríssimo dia de governo, pretendo iniciar a mudança para o Centrad. Claro, será um processo. O Centrad é um prédio formidável e que está sem função. Isso é como rasgar dinheiro. Hoje, vemos órgãos públicos do governo distrital que geram gastos milionários em aluguéis de prédios chiques, enquanto podíamos ter um governo centralizado, organizado e próximo no Centrad. Eu acredito ainda que retomar o Centrad trará a dinâmica necessária que uma gestão precisa ter, com diálogo entre as pastas.

  1. Duas áreas tradicionais de Brasília enfrentam um processo de esvaziamento e degradação urbana: o Setor Comercial Sul e a W3 Sul. Objetivamente, quais medidas o senhor adotaria para revitalizar essas regiões e devolver vitalidade econômica e segurança a esses espaços?

A primeira coisa, acredito, é dar a devida atenção ao problema relacionado aos moradores de rua da cidade. O Distrito Federal tem o maior percentual de pessoas em situação de rua entre as unidades da federação. Essas pessoas precisam de amparo e auxílio para terem condições de terem uma moradia e também de terem uma vida normal, com trabalho e saúde. A partir daí, sim, teremos condições de renovar essas duas áreas.

  1. Recentemente vieram à tona denúncias e questionamentos envolvendo o chamado caso do Banco Master e suas relações com o BRB. Como o senhor avalia essa situação e que medidas adotaria para garantir transparência e segurança na gestão de bancos públicos do DF?

A situação é trágica. Nós estamos diante do maior episódio de fraude financeira do Brasil. É uma tristeza pensar que um banco público – cujo valor para o desenvolvimento regional e de Brasília é enorme – envolvido na compra dos títulos podres de um banco em decadência, no caso, o Banco Master. Nós precisamos entender a quem isso interessa? O processo precisa andar e eu defendo que sejam investigados os suspeitos. Temos que dar nomes aos culpados, pois esse é um escândalo que tirou dinheiro da Saúde, da Educação, e de outras áreas para beneficiar uma célula muito pequena de interessados. Isso é um crime terrível, que prejudica a cidade e à população e que deve contar com a autonomia das autoridades responsáveis para uma investigação plena, transparente e, preferencialmente, rápida. O povo anseia por respostas.

  1. O senhor tem uma trajetória política marcada tanto por realizações administrativas quanto por controvérsias. De que forma pretende lidar com esse histórico durante a campanha e reconquistar a confiança do eleitorado do Distrito Federal?

Eu não tenho nada a esconder. Hoje, sou elegível pela Nova Lei da Ficha Limpa. O texto aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República diz que a contagem da inelegibilidade inicia-se a partir da condenação em segunda instância. A minha foi em junho de 2014. Portanto, em 2022 já estaria apto a concorrer. Ainda assim, reforço, não quero ser nomeado governador. Quero passar pelo crivo do povo – que é quem deve ter a palavra final sobre o seu gestor, e não as articulações nos bastidores jurídicos para me tirar no “tapetão”.

A controvérsia que citou, na verdade, é uma narrativa: eu recebi 20 mil antes de ser governador e registrei. Futuramente isso foi usado contra mim, por um adversário, para me prejudicar. Depois os laudos apontaram que não havia consistência.

  1. Durante sua gestão houve forte investimento em infraestrutura e expansão urbana. Em um novo governo, quais seriam suas principais propostas para mobilidade e infraestrutura, especialmente para as regiões administrativas mais afastadas do Plano Piloto?

Acho que de início, devemos pensar em viabilizar o projeto que conecta o metrô a uma linha de VLT com estações em Santa Maria e no Gama. Além disso, devemos pensar na construção da estação de Metrô da Asa Norte. Por fim, devemos também estudar e entender as tarifas e subsídios aplicados ao DF. Temos no entorno uma parcela importante da população economicamente ativa do DF. Eles estão pagando passagens cada vez mais caras para virem trabalhar aqui. Isso não é justo. Penso que as linhas de ônibus que vão do DF ao Entorno devam participar do modelo de transporte da capital, inclusive com subsídios para barateamento das passagens.

  1. O DF cresceu muito nas últimas décadas e hoje enfrenta grandes desigualdades entre o Plano Piloto e as cidades-satélites. Que políticas o senhor pretende implementar para reduzir essas diferenças e promover mais desenvolvimento regional?

A desigualdade no DF é alarmante. O Distrito Federal tem o maior rendimento médio do trabalho do país, estimado em R$ 4.889. Na contramão, também temos o maior Índice de Gini entre as unidades da federação, de 0,547, que é o indicador que mensura a desigualdade na distribuição de renda. Nós vemos carrões no Lago Sul e, a 15 minutos dali, em Santa Luzia, crianças brincando sob esgoto a céu aberto, na maior pobreza.

Temos que voltar a fomentar empregos, investir no empreendedorismo, na educação e nos jovens. Acredito que é trabalhando a base que resolvemos um problema estrutural como esse.

  1. Para encerrar: qual é a mensagem que o senhor deixa para o eleitor do Distrito Federal que ainda está em dúvida sobre sua candidatura e sobre o futuro da gestão pública na capital do país?

Caro eleitor, eu busco o julgamento mais difícil depois do julgamento de Deus. Que é o julgamento do povo. Quero ter a honra de poder disputar novamente a cadeira de Governador do Distrito Federal para colocar em prática o que faltou na minha gestão. Meu objetivo – e sonho – é ver está Brasília se tornar o que ela nasceu para ser. Um modelo de convivência urbana. Brasília pode e vai ser melhor do que está hoje. Basta darmos as mãos e confiar em um projeto sólido e responsável para esta cidade.

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