As muitas “adolescências” da vida

Por Julyana Almeida

Existe um grande equívoco na humanidade: achar que a adolescência começa ali pelos 12, 13 anos. Um erro. Um erro grave. Porque, na prática, a gente passa por várias “adolescências” ao longo da infância — cada uma com sua dose própria de drama, intensidade e… um leve descontrole emocional.

A primeira delas começa cedo, por volta dos 2 anos. É a famosa fase do “eu que mando”. A criança, que até ontem parecia um anjinho de comercial de margarina, acorda decidida a testar limites — todos eles, de preferência ao mesmo tempo. É a adolescência raiz: choro porque quer a banana, choro porque a banana foi descascada, choro porque a vida é difícil. Um ser pequeno, porém com opiniões fortíssimas e nenhuma habilidade para negociar. É intenso. Muito intenso.

Avançamos para os 7 anos, e temos uma nova versão desse fenômeno. Aqui, a criança já tem argumentos — o que, convenhamos, torna tudo mais elaborado. É a fase do “mas por quê?”. Tudo vira debate. Comer? Só depois de uma discussão filosófica. Tomar banho? Apenas mediante justificativa plausível. E, de repente, surge também um leve senso de justiça: “não é justo!”, dizem, com a convicção de quem já pagou boletos e enfrentou fila de banco. É uma adolescência mais articulada, porém igualmente dramática.

Chegamos então aos 10 anos, e aí o negócio fica interessante. A criança já não é tão criança, mas também não é adolescente — e parece não saber muito bem o que fazer com isso. Quer independência, mas ainda quer colo. Quer opinião própria, mas também quer aprovação. É a fase do “não sou mais bebê”, dito geralmente enquanto ainda pede ajuda para abrir um pacote de biscoito. Surge um toque de ironia, umas respostas atravessadas e aquele início de olhar julgador que diz: “você não entende nada”. É quase um trailer da adolescência oficial.

E então… ela chega. A adolescência de verdade. Aquela que tem fama, trilha sonora dramática e episódios dignos de série. Emoções à flor da pele, questionamentos existenciais, mudanças de humor que fariam qualquer roteirista se perder. Mas, curiosamente, quem já sobreviveu às “mini-adolescências” anteriores percebe que… bom, não é exatamente uma surpresa. É mais como uma sequência. Um upgrade. Com mais intensidade, mais opinião e, claro, mais memes.

No fundo, cada fase tem seus desafios — e suas delícias. O de 2 anos que faz birra também dá o abraço mais sincero do mundo. O de 7 anos que questiona tudo também te faz rir com as melhores tiradas. O de 10 anos que já quer autonomia ainda se aninha do seu lado no sofá. E o adolescente… bem, o adolescente também ama — só que às vezes finge que não.

A verdade é que crescer é esse processo meio caótico, meio divertido, cheio de pequenas “adolescências” pelo caminho. E para quem está por perto, resta uma mistura de cansaço, orgulho e aquela certeza silenciosa:

sobrevivi até aqui… sigo forte para a próxima fase. 😄

*Artigo escrito por Julyana Almeida

Jornalista, mãe de 3 crianças lindas e disposta a compartilhar as loucuras e gostosuras da maternidade.

Instagram: https://www.instagram.com/rabiscosdeumamae

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