Asteroide de 700 metros próximo à Terra desafia astrônomos e defesa planetária

Descoberta do 2025 SC79 revela lacunas no monitoramento de NEOs

Um asteroide Atira raro, batizado de 2025 SC79, surpreendeu a comunidade astronômica ao ser descoberto em uma órbita totalmente interna a Vênus, cruzando inclusive a trajetória de Mercúrio. Com cerca de 700 metros de diâmetro e período orbital de 128 dias, esse objeto revela lacunas significativas no monitoramento de NEOs (Objetos Próximos da Terra). Sua detecção só foi possível graças ao uso da Dark Energy Camera do telescópio Blanco, destacando o desafio de identificar asteroides próximos do Sol.

  • Pertence à classe dos asteroides Atira, cujo afélio está dentro da órbita da Terra;
  • Orbitando inteiramente dentro de Vênus, possui inclinação de 46°, movimentando-se acima e abaixo do plano da eclíptica;
  • Sobrevive a temperaturas extremas de 440–500 K, próximas ao Sol;
  • Representa risco potencial de impacto continental, capaz de devastar regiões extensas;
  • Sua observação é limitada a breves janelas no crepúsculo, devido ao brilho solar intenso.

O desafio de enxergar o invisível

Asteroides subvenusianos são especialmente difíceis de rastrear porque aparecem apenas quando o Sol está logo abaixo do horizonte, durante o entardecer ou amanhecer. A combinação de brilho crepuscular, alongamento solar restrito e extinção atmosférica limita drasticamente as oportunidades de observação. Mesmo com telescópios potentes, apenas uma fração desses asteroides é detectada, deixando muitos objetos importantes fora do catálogo.

Objeto oculto perto do Sol revela falhas no monitoramento de NEOs (Imagem: Gerada por IA/ Gemini)Fala Ciência

Para superar essas barreiras, missões espaciais infravermelhas, como a futura NEO Surveyor, poderão detectar radiação térmica emitida pelos asteroides, aumentando a taxa de descobertas e melhorando a defesa planetária.

Sobrevivência perto do Sol: temperaturas extremas e composição

A proximidade de 2025 SC79 ao Sol expõe sua superfície a fluxos solares 5,7 vezes maiores que os da Terra, exigindo resistência mecânica e composição refratária para evitar fraturas por calor intenso. Estudos espectroscópicos futuros poderão identificar sua composição, diferenciando asteroides rochosos (tipo S ou V) de metálicos (tipo E), além de investigar o grau de intemperismo espacial.

Evolução dinâmica e defesa planetária

Com um diâmetro suficiente para causar impacto continental, este asteroide ilustra a importância de expandir os esforços de monitoramento. Embora o censo de objetos maiores que 1 km esteja quase completo, o catálogo de asteroides entre 140 m e 1 km ainda é incompleto, especialmente para os Atira, que se escondem no brilho solar. A descoberta reforça a necessidade de vigilância constante e de tecnologias especializadas para reduzir riscos futuros.

Os Atira, incluindo 2025 SC79, provavelmente se originam do cinturão principal de asteroides, sendo empurrados para órbitas internas por ressonâncias gravitacionais com Júpiter e Saturno. A inclinação de 46° do 2025 SC79 sugere a atuação do mecanismo Kozai-Lidov, permitindo variações extremas de órbita em escalas de milhões de anos.

Futuras observações, incluindo fotometria, espectroscopia e radar, devem esclarecer sua rotação, composição e trajetória futura.Essa descoberta também oferece uma janela única para compreender processos dinâmicos internos do Sistema Solar, revelando a complexidade das populações de asteroides que ainda permanecem escondidas no brilho do Sol.

*Com informações de R7

Related post

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *