Cairo, Egito. O passado presente e intocado!

Durante muito tempo relutei em conhecer o Egito. Achava que o que sabia, através dos estudos do ginásio e de algumas leitura que já sabia tudo do Egito. Ledo engano! O Egito é muito mais! É história e memória preservada. É o passado vivo, contado em detalhes pelas inscrições deixadas nos monumentos e templos. É uma oportunidade de viver e conhecer uma das mais florescentes civilizações que o mundo experimentou.

O Egito é um presente do Nilo

A frase foi de Heródoto, um historiador grego que viveu no séc. V a.C., frequentemente chamado de pai da História. A afirmação é verdadeira porque destaca a importância fundamental do rio Nilo para a civilização egípcia antiga e até para os tempos modernos.

Sua justificativa foi baseada nos seguintes fatos: o Rio Nilo fertiliza o solo em suas cheias anuais; permite a agricultura em meio ao deserto; serve como via de transporte e comércio e garante água para a população. É verdade, observando-se o mapa do país, nota-se que ele está inteiramente mergulhado no Deserto do Saara e conta com um único rio, exatamente o Nilo.

Plantações crescem e florescem no deserto

No mapa do Egito, nota-se que o Rio Nilo, que vem do sul, pela fronteira com o Sudão, atravessa todo o território e, quilômetros antes de sua foz no Mar Mediterrâneo, bifurca-se num delta imenso, que irriga boa parte dos terrenos egípcios. Nessa confluência é que se situa o Cairo, a capital.

Nessa nossa viagem ao país, além do Cairo, fomos ao interior e não raro, ao atravessar trechos desérticos, formados de areia e pedra, notamos plantações verdes. Indagados de como seria possível se plantar no deserto, recebemos a resposta de que com água, tudo é possível. Então é isso! Desde a antiguidade, os egípcios utilizam a água do Nilo, para sua utilização e para suas plantações irrigadas, mesmo no deserto.

Um futuro exportador de soja

O Egito atualmente é um país pobre. A maioria da população sobrevive com parcos recursos, por isso, o governo, que é autoritário, está investindo pesado nas fazendas irrigadas ao longo do rio. Cereais, soja e outros produtos são plantados no deserto para abastecimento da população, que a cada dia cresce mais. Assim é que, conforme declarado pelo guia, até 2030, o Egito alimentará seu povo com as colheitas e exportará soja plantada no deserto!

Inundação, plantação e colheita

Anteriormente, durante as dinastias egípcias de que temos notícias, o ciclo anual era dividido em inundação, plantação e colheita. Tudo tinha seu tempo determinado pelas três estações do ano. Hoje, com o sistema de irrigação, novas áreas podem ser plantadas e os produtos obedecem ao tempo das safras, como na agricultura tradicional dos outros países.

Cairo, uma cidade improvável

Qual não foi minha surpresa ao saber que Cairo tem atualmente uma população de cerca de 22 milhões de habitantes! Nunca havia pensado que era uma cidade tão grande! Espalhada por uma imensa área, cortada por grandes avenidas, realmente a cidade só pode existir por causa da presença do rio que fornece água para as necessidades básicas.

Administrada por um governo forte, que está procurando modernizar o país, tirando-o da pobreza secular, a cidade e o país apresentam fortes diferenças próximas: bairros ricos convivem ao lado de bairros pobres, sempre com aquela cor de areia, que não deixa esquecer de que estamos em pleno deserto.

Uma pobreza absoluta, quase como a nossa

Numa de nossas deslocações, notamos um imenso cemitério ao lado da avenida, que nos acompanhou por vários minutos. Indagamos ao guia o que era e ele respondeu que era realmente um cemitério e os que estavam lá dentro eram membros da população pobre que moravam nas tumbas e nos mausoléus construídos pelos ricos para abrigar o corpo de seus membros falecidos. O guia ainda ressaltou que nem ele podia adentrar aqueles recintos sob pena de represália. Lembrei-me imediatamente de nossas favelas e da nossa também divisão territorial econômica.

Pirâmides. A única maravilha do mundo antigo ainda de pé.

Anteriormente as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos foram construídas no deserto. Hoje, a cidade cresceu e já quase abraçou esses monumentos do mundo antigo, que causam tanta admiração e suscitam tantos argumentos sobre como foram construídas e para quê.

São realmente impressionantes! Blocos de pedra de toneladas, empilhados uns sobre os outros, formando três grandes construções. Num local onde só havia areia; as pedras foram trazidas de pedreiras, muitas vezes distantes quilômetros do local onde foram depositadas.

Teorias tentam explicar como foram feitas e para quê

Vários estudiosos, arqueólogos e cientistas tentam explicar como as pirâmides foram feitas, mas nenhum deles ainda apresentou uma solução definitiva. Seres extraterrestres, planos inclinados com rolagem sobre troncos, içamento através de cordas, enfim diversas teorias existem, mas nenhuma sem contestação.

Estudiosos admitem que as pirâmides já estavam lá 10 mil anos a.C. e que os egípcios viveram de dois mil e quinhentos antes de Cristo até o nascimento do Senhor como uma civilização próspera e poderosa. Aí, somente as aproveitaram para enterrar seus governantes mortos, pois admitiam a vida após a morte, portanto o falecido teria que estar num local bem guardado, para continuar sua existência.

Outras teorias apresentam as pirâmides como alinhadas com a constelação de Órion e que seriam antenas para a comunicação com seres extraterrestre. Enfim, quem puder explicar, que se apresente.

A esfinge

A Grande Esfinge de Gizé é um dos monumentos mais enigmáticos da Antiguidade. Fica no planalto de Gizé, próximo às pirâmides, nos arredores do Cairo. A maioria dos egiptólogos acredita que a esfinge foi construída por volta de 2.500 a.C. durante o reinado do faraó Quéfren, da IV dinastia do Antigo Império. Essa hipótese se baseia na proximidade com a pirâmide de Quéfren, a semelhança do rosto com estátuas atribuídas a ele e evidências arqueológicas do complexo funerário. A Esfinge simboliza a força, pelo corpo de leão, a sabedoria e o poder real, pela cabeça humana e a associação do faraó ao deus solar. Provavelmente representava o próprio faraó, como uma manifestação divina protetora da necrópole de Gizé.

Por que ela está sem nariz?

A esfinge de Gizé, próxima das pirâmides.

A perda do nariz da esfinge é um dos maiores mistérios populares. Afirmam que não foi obra de Napoleão, como diz o mito. Registros do século XV já mostram a esfinge sem nariz. Há indícios de que o dano pode ter sido causado intencionalmente na Idade Média, possivelmente por motivos religiosos.

Curiosidade: Nosso imperador D. Pedro II, durante seu reinado, visitou o Egito e tem uma foto, com toda sua família, em frente à Esfinge de Gizé! Realmente não fomos os primeiras a visitar este sítio arqueológico!

O Grande Museu do Cairo

O Egito construiu um grande museu para abrigar todos os artefatos, múmias e objetos encontrados nos túmulos dos faraós no Vale dos Reis, em Saqara, em Abu Simbel , em Karnak e em outros sítios arqueológicos. O museu é belíssimo! Tudo muito bem preservado, inclusive com a múmia e os pertences do faraó Tutancâmon encontrados em sua tumba.

O grande achado do século passado

A tumba de Tutancâmon, descoberta em 1922 no Vale dos Reis estava praticamente intacta, algo raríssimo. Foram catalogados mais de cinco mil objetos, que estão expostos no Grande Museu. São os principais achados:

1 – A máscara funerária de ouro, feita em ouro maciço, com cerca de onze quilos, incrustada com lápis-lazúli, quartzo, obsidiana e outras pedras, tornando-se assim o símbolo mais famoso do Egito Antigo;

2 – Os sarcófagos, três caixões encaixados um dentro do outro, sendo o mais interno de ouro maciço, onde dentro dele estava o corpo mumificado do faraó;

3 – Objetos para a vida após a morte, como tronos, camas, cadeiras e cofres, carruagens desmontadas, armas, roupas e sandálias, jóias e amuletos. A múmia estava envolta em linha com centenas de amuletos.

Exames modernos revelaram que Tutancâmon morreu jovem, com cerca de dezoito ou dezenove anos. Todos esses achados encontram-se expostos no museu e auxiliam a descrever a vida na época.

O novo museu e ao Egito o que é do Egito

Para aproveitar a vocação turística do país em função de seus tesouros arqueológicos, o governo egípcio está terminando um novo museu, maior e mais moderno, para onde serão transferidos todos estes tesouros de Tutancâmon. Inclusive o governo está fazendo gestões para que os países que tenham objetos egípcios em seus museus, que os devolvam, porque eles fazem parte de sua história e ao país pertencem. Anteriormente, quem encontrava um tesouro, ficava de posse dele. Atualmente o Egito só permite trabalhos arqueológicos em parceria sendo que os achados ficam de posse do país.

Nova viagem é preciso

Neste relato, falamos somente do Cairo. O Egito é muito mais! Tem Luxor, antiga Tebas, no sul com o Templo de Karnak, Templo de Luxor, Vale dos Reis e das Rainhas; Abu Simbel, ao sul, com os templos construídos por Ramsés II, que foram desmontados e reconstruídos na década de 1960 para evitar que fosse inundados pelo Lago Nasser; Saqqara, com a Pirâmide de Djoser, a primeira da história, em degraus; Alexandria, com as ruínas do farol, uma das maravilhas do mundo antigo e as catacumbas de Kom el Shoqafa e Edfu e Kom Ombo, com os templos de Hórus (Edfu) e de Kom Ombo. Pretendemos relatar tudo isso num próximo trabalho.

Como chegar

Não há voos diretos do Brasil para o Egito. As principais companhias aéreas levam ao Cairo com escalas em suas capitais, como Air France, Ibéria, TAP, Alitalia e Lufthansa. Devido à dificuldade da língua, recomendo se valer de viagem em grupo, com guia falando português. Existem agências de viagem em São Paulo e Rio que fazem esse serviço.

Bernardo De Felippe Jr. – Publicitário durante toda a sua vida, ao se aposentar passou a viajar e escrever livros infantis e romances para adultos. Em suma, é um viajante contador de histórias.

E-mail: bernardofelippejr@gmail.com

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