Compras Públicas e ESG: A Oportunidade Oculta para PMEs Ágeis

Por Mariana Borges

Se você é fornecedor do governo — ou está pensando em se tornar um — precisa prestar atenção no que está acontecendo agora. O Governo Federal vem ampliando suas licitações com critérios ESG obrigatórios. E isso não é uma tendência futura, não é algo que talvez aconteça. Está acontecendo agora, em licitações de ministérios, BNDES, autarquias e diversos órgãos públicos.

Traduzindo: se você quer vender para o governo, precisa comprovar práticas sustentáveis. Não basta mais ter o menor preço ou cumprir requisitos técnicos básicos. É preciso mostrar que sua empresa tem gestão ambiental, práticas sociais adequadas e governança estruturada.

E aí você pode pensar: “Mais uma exigência. Mais uma barreira. Como vou dar conta disso?”

Mas deixa eu te mostrar outro ângulo: isso é uma oportunidade oculta para PMEs ágeis que souberem se mover rápido.

Por que isso está acontecendo agora

O Brasil sediou a COP 30 em Belém, e isso não foi apenas simbólico. Foi um compromisso público de que o país vai levar sustentabilidade a sério. E uma das formas mais concretas de fazer isso é através do poder de compra do Estado.

O governo é um dos maiores compradores do país. Quando ele estabelece critérios ESG nas licitações, está sinalizando para todo o mercado: empresas que não se adaptarem vão ficar de fora de contratos bilionários.

Isso já está acontecendo em editais que exigem:
● Certificações ambientais específicas
● Comprovação de boas práticas trabalhistas
● Transparência sobre cadeia de fornecimento
● Planos de gestão de resíduos
● Políticas de diversidade e inclusão
● Compromissos com redução de emissões

E a tendência é que essas exigências se expandam cada vez mais. O que hoje é pedido em alguns órgãos, em breve será padrão em todos.

A vantagem competitiva das PMEs

Agora vem a parte interessante. Você pode estar pensando: “Como vou competir com grandes empresas que têm departamentos inteiros de ESG?”

Mas aqui está o segredo: grandes fornecedoras tradicionais, que dominaram o mercado de compras públicas por décadas, têm uma dificuldade enorme em se estruturar rapidamente. Elas têm processos engessados, múltiplas camadas hierárquicas, resistência cultural a mudanças.

PMEs, por outro lado, têm agilidade. Quando você decide implementar uma prática nova, pode fazer isso em semanas — não em anos. Quando precisa reestruturar um processo, não depende de aprovações em cinco níveis diferentes.

Então, PMEs que começarem a estruturar ESG hoje estarão na frente quando as licitações públicas se expandirem ainda mais. E isso está acontecendo rápido.

Nossa relação com licitações públicas

Vale pausar um momento para falar de algo que faz parte da nossa cultura empresarial brasileira: a forma como encaramos as exigências governamentais.

Historicamente, muitas empresas viam licitações públicas como um jogo burocrático. O foco estava em entender os trâmites legais, preencher formulários corretamente, apresentar o menor preço. A relação era quase transacional — cumprir o mínimo para ganhar o contrato.

ESG muda completamente esse jogo. Porque não é sobre burocracia. É sobre prática real. Você não consegue “dar um jeito” em ter gestão ambiental estruturada. Você não consegue improvisar uma política de diversidade na última hora antes do edital.

E isso, embora pareça mais difícil, na verdade nivela o campo. Porque tira a vantagem de quem apenas “sabe jogar o jogo burocrático” e coloca na frente quem realmente faz o trabalho.

O que você precisa fazer para se preparar

Se você fornece ou quer fornecer para o governo, aqui estão os passos práticos:

1. Mapeie suas práticas atuais
Antes de qualquer coisa, você precisa saber onde está. Faça perguntas honestas:
● Como gerenciamos nossos resíduos?
● Temos políticas claras de saúde e segurança no trabalho?
● Nossa cadeia de fornecimento é conhecida e auditada?
● Temos transparência salarial e equidade?
● Medimos nosso impacto ambiental?
Anote o que já faz bem. Identifique os gaps. Seja honesto — essa é sua linha de
base.

    2. Priorize o que editais estão pedindo

    Nem toda prática ESG vai ser exigida em todo edital. Analise as licitações do seu setor. Quais critérios estão aparecendo com mais frequência?

    Se você fornece serviços de limpeza, provavelmente vão pedir comprovação de práticas trabalhistas adequadas. Se fornece materiais de construção, podem pedir certificações ambientais. Se é tecnologia, podem pedir políticas de privacidade e diversidade.

    Foque primeiro no que é mais frequentemente exigido no seu segmento. Não tente fazer tudo ao mesmo tempo.

    3. Busque certificações relevantes

    Lembra daquele artigo sobre certificações? Aqui é onde elas se tornam estratégicas. Para compras públicas, algumas certificações fazem diferença real:
    Selo SEBRAE-ESG: Acessível para micro e pequenas empresas, pode demonstrar compromisso estruturado.
    ISO 14001: Muito valorizada em licitações que têm componente ambiental forte.
    Certificações trabalhistas: Dependendo do setor, podem ser exigidas.
    Escolha as que fazem sentido para seu setor e que realmente vão te diferenciar nos editais.

    4. Documente tudo

    O Governo exige comprovação. Não basta fazer — você precisa documentar. Tenha registros organizados de:
    ● Políticas formalizadas (mesmo que sejam simples)
    ● Treinamentos realizados
    ● Auditorias feitas
    ● Indicadores medidos
    ● Certificações conquistadas
    Essa documentação vai ser sua arma na hora de comprovar a conformidade.

    5. Acompanhe editais e se antecipe

    Não espere sair o edital perfeito para sua empresa para começar a se preparar. Acompanhe portais como ComprasNet e Licitanet. Veja quais critérios ESG estão sendo pedidos. Use isso como guia do que você precisa desenvolver.

    A receita garantida

    Aqui está algo que não pode ser ignorado: o governo paga. Pode demorar, pode ter burocracia, mas paga. Isso é receita garantida para quem chegar preparado.

    Enquanto o mercado privado está volátil, sujeito a crises, mudanças de consumo e concorrência feroz, os contratos públicos oferecem estabilidade. E agora, com critérios ESG, esses contratos vão para empresas que realmente se estruturaram.

    Então a pergunta não é “vale a pena investir em ESG para compras públicas?”. A pergunta é “posso me dar ao luxo de ficar de fora desse mercado?”

    Quem se move agora sai na frente

    Grandes empresas vão eventualmente se adaptar. Elas têm recursos para contratar consultorias, montar departamentos, conquistar certificações. Mas isso leva tempo.

    Se você é PME e começar agora, tem uma janela de oportunidade. Você pode estar estruturado e competindo em editais enquanto grandes concorrentes ainda estão se organizando internamente.

    Essa é a vantagem da agilidade. Você não precisa ser perfeito — precisa estar à frente.

    Comece hoje

    Compras públicas com critérios ESG não são futuro distante. São presente. Os editais estão saindo agora. As exigências estão aumentando agora. O mercado está se reestruturando agora.

    Você pode encarar isso como mais uma barreira burocrática e reclamar. Ou pode encarar como uma oportunidade de entrar (ou se manter) em um mercado de receita garantida, saindo na frente de concorrentes maiores e mais lentos.

    A escolha é sua. Mas quem escolher se mover, precisa fazer isso logo.

    Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável

    Serviço
    Se você fornece para o governo ou quer começar a fornecer, e precisa estruturar práticas ESG para se preparar para licitações, me acompanhe no LinkedIn e no Instagram. Compartilho ferramentas práticas e insights sobre como PMEs podem se posicionar estrategicamente nesse novo cenário de compras públicas sustentáveis.

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