Confea e Crea/SP se transformam num puxadinho do PSD

Desde que assumiu a gestão do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), o engenheiro Vinícius Marchese tem trabalhado para transformar a autarquia no comitê de seu partido, o PSD. Suplente de deputado federal pelo partido, Vinicius presidiu o Conselho Regional de São Paulo por 7 anos, entre 2017 a 2023 e, em 2024. Desde que assumiu a presidência tem se empenhando para realizar seu grande sonho que é tomar posse na Câmara Federal, como deputado pelo estado de São Paulo. Segundo informações da Associação Brasileiras dos Engenheiros Independentes, organização voltada para a valorização e defesa dos profissionais de engenharia que atuam no país, Vinicius Marchese determinou mudança das regras da próxima eleição para CREA, que deveria ter sido marcada para o final do ano, justamente para conciliar sua licença obrigatória para concorrer ao cargo de deputado federal por São Paulo e disputar ao mesmo tempo a sua reeleição para o cargo de presidente da autarquia federal – Confea. Com isso, o pleito que ocorre tradicionalmente no mês de novembro foi antecipado para o próximo dia 3 de julho., sendo que seu mandato e dos futuros presidentes de Creas segue até 31 de dezembro de 2026, alto totalmente alheio ao interesse público mas submetido aos desejos pessoais de Vinícios Marchese.

No dia 07 de março, Vinícios organizou uma pirotécnica festa de aniversário em Mogi-Guaçu, sua cidade natal, com a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab que levou a tiracolo dois dos seus presidenciávies, os governadores do Paraná e Goiás, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado, que chegaram de forma cinematográfica, vindos de helicóptero para aplausos dos seus ilustres convidados como empregados do CREA/SP e presidentes de Creas de vários estados do Brasil. Prova que a autarquia passou a ser tratada como um mero puxadinho do partido e seus interesses. Até a desculpa de marcar evento do CREA/SP na cidade de Mogi no dia anterior foi usada como forma de viabilizar a lotação da festa de aniversário.
O presidente da Abraei, engenheiro José Ribeiro de Miranda, conhecido por defender mudanças no Sistema Confea/Crea tem denunciado sistematicamente a situação. “Essa eleição está sendo tratada como compromisso real com o mandato ou serve como etapa de um projeto político? O Dinheiro público do CREA/SP e do CONFEA não pode ser usado como instrumento de financiamento de interesses pessoais.”, questiona.
É fundamental que haja uma separação clara entre a atuação institucional e quaisquer projetos de natureza político-partidária. O Sistema Confea/Crea, por sua natureza de autarquia pública, deve servir exclusivamente ao interesse da sociedade e à valorização dos profissionais, não podendo ser associado, direta ou indiretamente, a agendas eleitorais. O que questionamos é muito claro: o dinheiro público do Crea-SP e do Confea não pode ser usado para financiar interesses pessoais ou projetos político-partidários, completa Dr. José.
Alguns profissionais revoltados com o casuísmo das regras eleitorais impostas por Marchese, acionaram o Ministério Público Federal que já se manifestou por meio da Procuradora da República, Luciana Loureiro Oliveira, recomendando ao órgão a urgência de se assegurar ao pleito eleitoral do Sistema Confea/Crea e Mútua, com a observância dos princípios da legalidade, da razoabilidade e da isonomia.
Em nota, A ABRAEI esclareceu que seguirá acompanhando, de forma independente, o andamento da eleição, por acreditar que o olhar crítico de fora para dentro do sistema é indispensável ao seu fortalecimento institucional e revela, cada vez mais, a necessidade de mudanças estruturais profundas, inclusive esgotamento do modelo instituído pela Lei nº 5.194/66, em favor da criação da OEB – Ordem dos
Engenheiros do Brasil, sempre em defesa do interesse público, da valorização profissional e da engenharia nacional. O SENGE-RJ também entrou com ação no Justiça Federal de Brasília e conquistou liminar contra a regra imposta pelo Confea de descompatibilizacao de cargos públicos para disputar as eleições do sistema.
Procurada a assessoria de comunicação do Confea não respondeu aos questionamentos efetuados pela reportagem.
