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Engajamento de Stakeholders: O Diálogo que Transforma Estratégia

Por Mariana Borges

Quantas vezes você já viu aquela caixinha de sugestões no corredor da empresa? E me diga: alguém realmente presta atenção no que está escrito ali? Muitas organizações acreditam que fazer uma pesquisa de clima anual ou instalar uma urna de feedback já resolve a questão do engajamento de stakeholders. Mas a verdade é que esse tipo de ação, embora bem-intencionada, está longe de construir
o diálogo genuíno que o ESG exige.

Engajamento real não é sobre cumprir protocolo. É sobre criar canais de conversa contínua que transformam a escuta em inteligência estratégica para o negócio. É entender que as pessoas e grupos que se relacionam com sua empresa têm muito a dizer sobre os desafios socioambientais que enfrentam – e essas informações podem se tornar fonte de inovação e diferencial competitivo.

Comunicar não é apenas informar

Vivemos em um paradoxo: nunca tivemos tantos canais de comunicação disponíveis e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil capturar a atenção genuína das pessoas. E-mails, mensagens instantâneas, newsletters, intranet, redes sociais – o excesso de informação acabou tornando superficial o que deveria ser estratégico.

Engajar stakeholders exige muito mais do que disparar comunicados. Exige comunicar com profundidade e criar significado. Quando você apenas informa, está jogando dados no mundo. Quando você comunica de verdade, está construindo conexão, alinhando expectativas e inspirando pessoas a caminharem junto com você.

E aqui está um ponto que aprendi ao longo da minha trajetória: governança é ciência e arte ao mesmo tempo. Ela depende de estruturas claras, processos bem desenhados e indicadores mensuráveis – essa é a ciência. Mas também exige sensibilidade para interpretar contextos, alinhar interesses diversos e inspirar pessoas a se moverem na mesma direção – essa é a arte.

O engajamento só acontece de fato quando há diálogo autêntico. Quando as organizações reconhecem que reputação não é uma campanha publicitária, mas uma construção contínua, feita dia após dia, decisão após decisão. E quando todos os envolvidos estão verdadeiramente alinhados, não apenas cumprindo uma formalidade.

Mapeie quem realmente importa

Antes de sair perguntando a opinião de todo mundo, é preciso ser estratégico. Nem todos os stakeholders têm o mesmo grau de influência sobre seu negócio, nem sua empresa impacta a todos da mesma forma.

Uma ferramenta simples pode te ajudar: desenhe uma matriz com dois eixos. No vertical, coloque o grau de influência que cada grupo tem sobre sua empresa (alto ou baixo). No horizontal, o quanto sua organização impacta aquele grupo (alto ou baixo).

Os stakeholders que ficam no quadrante “alta influência + alto impacto” são os prioritários. Estamos falando de colaboradores diretos, clientes principais, fornecedores críticos e comunidade do entorno. Concentre sua energia onde a transformação pode ser mais significativa. Não tente ouvir todo mundo ao mesmo tempo – você vai se perder no meio do caminho.

Escolha o formato de escuta adequado

Agora que você sabe com quem conversar, é hora de pensar em como fazer isso de forma efetiva. E aqui vai algo que aprendi ao longo dos anos: cada grupo de stakeholders precisa de um formato diferente de diálogo.

Para colaboradores, grupos focais trimestrais costumam funcionar muito melhor que questionários genéricos enviados por e-mail. Ali, no olho no olho, as pessoas se sentem mais à vontade para compartilhar o que realmente pensam.

Com clientes, conversas estruturadas revelam muito mais do que aquele NPS frio que chega por mensagem. E quando falamos de fornecedores, visitas técnicas e sessões de co-criação de soluções geram uma parceria de verdade, não apenas uma relação comercial.

Mas o mais importante é mudar a pergunta. Em vez de apenas questionar “o que você acha de nós?”, pergunte “quais desafios socioambientais você enfrenta no seu dia a dia e como podemos enfrentá-los juntos?”. Essa mudança de perspectiva abre portas para soluções que beneficiam todos os envolvidos.

Feche o ciclo com transparência

De nada adianta ouvir se você não vai dar retorno. Engajamento sem devolutiva é frustração garantida – e pode ser até pior do que não ter perguntado nada.

Quando você escuta seus stakeholders, precisa comunicar de volta: o que você ouviu, o que vai mudar a partir daquilo e, quando não for possível implementar algo, explicar os motivos. Essa transparência constrói confiança.

Publique relatórios acessíveis, organize reuniões de devolutiva, crie indicadores que possam ser acompanhados de forma compartilhada. Quando as pessoas percebem que suas vozes foram transformadas em ação concreta, o engajamento deixa de ser um exercício burocrático e se torna um motor de inovação sustentável.

O futuro da governança é relacional

Se há algo que precisamos entender sobre o futuro da governança é que ele não será mais hierárquico. As estruturas rígidas de comando e controle estão dando lugar a modelos relacionais, onde a capacidade de construir pontes entre diferentes interesses se torna mais valiosa do que a autoridade formal.

E sem comunicação qualificada, nenhuma organização consegue mobilizar seus stakeholders para a transformação que o ESG exige. Não basta ter boas intenções ou políticas bem escritas. É preciso saber conversar, saber ouvir, saber criar espaços onde as diferentes vozes possam se encontrar e construir soluções conjuntas.

O engajamento de stakeholders não é uma obrigação que você cumpre para preencher um relatório. É uma oportunidade de enxergar seu negócio por ângulos que você não conseguiria sozinho. É sobre entender que as pessoas ao redor da sua empresa – sejam elas colaboradoras, clientes, fornecedoras ou da comunidade – carregam conhecimento valioso sobre os impactos e desafios que você precisa endereçar.

Quando você constrói esse diálogo de forma genuína, contínua e transparente, está construindo relações mais sólidas e um negócio mais preparado para os desafios do futuro. E isso, sim, é ESG na prática.

Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável

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