Especial 8 de Março: A Força das Chefs que transformam o mapa do sabor na capital.
Su Maèstri para Revista Pepper
De nomes consagrados à nova guarda da Restaurant Week: conheça as chefs que superam desafios de gênero com autoridade técnica, menus autorais e valorização do Cerrado.
O cenário gastronômico de Brasília atravessa uma transformação silenciosa e vigorosa, onde a autoridade técnica e o faro empreendedor têm assinatura feminina. Nesta edição especial da Revista Pepper, mergulhamos nos bastidores das cozinhas que definem o paladar da capital para homenagear as mulheres que transpuseram as barreiras de gênero e hoje ocupam o topo da hierarquia gastronômica. De grandes operações no Pontão do Lago Sul a menus autorais que flertam com os rankings mundiais, traçamos o perfil das chefs que provam, diariamente, que o lugar da mulher é onde a técnica encontra a arte — liderando com precisão, inovação e um respeito profundo aos ingredientes locais.
O Perfil das Protagonistas da Capital
As Precursoras e a Gestão de Sucesso

Ticiana Werner (Ticiana Werner Restaurante): Com mais de 15 anos de atuação no Bloco C da 201 Sul, Ticiana é uma das raras figuras que une a formação em Gastronomia com a expertise em Administração. Sua cozinha é celebrada pelo icônico buffet de antepastos e pela capacidade de manter a constância técnica em clássicos como o risoto de camarão com brie. É uma das grandes responsáveis por democratizar a sofisticação no horário do almoço da capital.

Alda Bressan (Cantina da Massa): À frente de um dos endereços mais tradicionais da 302 Sul desde a década de 80, Alda é a guardiã do fatto a mano. Sua gestão é pautada na hospitalidade “raiz”, onde a técnica italiana de massas frescas e molhos de longa cocção se funde com um atendimento que faz o cliente se sentir em casa. Ela é a prova viva de que a tradição, quando aliada ao rigor técnico, não sai de moda.
Dona Alba Amaral (Café e um Chêro): O que começou como uma pequena operação familiar, sob a curadoria de Dona Alba e seu filho João Gabriel, tornou-se um fenômeno de identidade brasiliense. Sua cozinha é um resgate da “comida de vó” com inteligência de mercado. Ela elevou o pão com ovo e o cuscuz ao status de ícones gastronômicos, provando que a simplicidade, quando executada com técnica e afeto, é uma das formas mais potentes de empreendedorismo.
Cozinha Autoral e Pesquisa de Ingredientes
Júlia Almeida: Sua trajetória é um currículo de elite. Após absorver a precisão do Maní (Helena Rizzo) e a filosofia de ecossistemas de Virgílio Martínez no Central (Peru), Júlia trouxe para Brasília uma cozinha intelectualizada. No Almería, ela se destacou pela capacidade de criar pratos que contam histórias, unindo o frescor do Mediterrâneo à pesquisa rigorosa de insumos sazonais.
Roberta Azevedo (Comedoria Sazonal): Formada em Gastronomia e com alma de pesquisadora, Roberta é a voz da sustentabilidade real. Seu trabalho na Comedoria Sazonal é um estudo sobre o tempo da natureza. Ela é mestre em técnicas de fermentação e aproveitamento total (zero desperdício), transformando o que seria descarte em componentes de alta complexidade de sabor.

Babi Frazão (Afeto): Após sua marcante passagem pelo MasterChef Profissionais, Babi consolidou o restaurante Afeto como um laboratório de brasilidade. Sua técnica é minuciosa, focada na extração máxima de sabor de ingredientes nacionais. Ela representa a nova geração que não tem medo de ousar, trazendo texturas e apresentações que dialogam com a alta gastronomia contemporânea.
Mestras do Fogo e da Identidade
Renata Carvalho: Conhecida como a “Dama do Fogo”, Renata é uma autodidata nata que se tornou mestre na cozinha de brasa. Sua trajetória passa pelo icônico Loca Como Tu Madre e projetos que exaltam a rusticidade elegante. Ela domina o controle do calor e da fumaça para imprimir camadas de sabor que vão muito além do churrasco convencional, sendo uma referência nacional em eventos de open fire.
Pati Egito (Jamburita): Arquiteta de formação e cozinheira por paixão, Pati é a embaixadora dos sabores paraenses em Brasília. No Jamburita, ela utiliza o tucupi, o jambu e o pirarucu com uma autoridade que respeita a tradição, mas com uma apresentação urbana e vibrante. Ela é peça fundamental na construção da diversidade gastronômica da cidade.
Alta Confeitaria e Sofisticação

Lily Araújo (Marie Cuisine, Cozze e Lilie): Lily é uma força da natureza na gestão operacional do grupo comandado por ela e o marido, Carlos Rodrigues. No entanto, é na Lilie que seu lado artesanal brilha. Ela domina a técnica francesa de confeitaria, mas com uma assinatura leve e contemporânea. Sua capacidade de gerir grandes brigadas enquanto mantém a delicadeza de um macaron perfeito é seu grande diferencial.

Luiza Jabour: Com formação na renomada escola Le Cordon Bleu, Luiza é o nome por trás de algumas das vitrines mais bonitas da cidade. Sua atuação foca na precisão da pâtisserie clássica aplicada ao paladar local. Ela é rigorosa com a estética e com a qualidade do insumo (como o chocolate e a manteiga), elevando o nível da panificação e doceria fina em Brasília.
A Nova Guarda e a Liderança de Operações

Fabiana Pinheiro (Sallva): Gerenciar uma das maiores operações do Pontão do Lago Sul exige uma mente estratégica e nervos de aço. Fabiana lidera uma equipe numerosa, garantindo que a qualidade técnica de um risoto ou de um fruto do mar grelhado seja a mesma, seja para dez ou para mil clientes. Ela é o exemplo da chef-gestora de alta performance.
Soraya Amorim (Benita Paninoteca): Soraya trouxe para Brasília o conceito de curadoria técnica em sanduíches e comidas rápidas de alta qualidade. Sua visão de mercado focada no delivery e no consumo dinâmico, sem abrir mão de insumos de primeira linha (como pães artesanais e charcutaria selecionada), mostra que a boa gastronomia é versátil.
Renata Oliveira Pereira (Zante Taverna Grega): Um dos nomes mais comentados da última Restaurant Week, Renata provou que a cozinha grega vai muito além do básico. Sua liderança no Zante trouxe frescor e uma estética solar para a gastronomia local, apostando em técnicas de grelhados e temperos mediterrâneos que conquistaram o público e a crítica pela leveza e execução precisa.
Panorama: Mulheres nos Rankings Mundiais
Embora o Brasil ainda busque maior representatividade no topo do 50 Best, nomes como Manu Buffara (Melhor Chef Mulher da América Latina) e Helena Rizzo (Michelin) abriram caminho. Em Brasília, nossas chefs estão construindo a base para que, em breve, a capital figure com mais força nesses guias, focando no que o Michelin mais valoriza: a personalidade do chef no prato e a regularidade técnica.

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