Habilidades
A adolescência nos permite, frequentemente, lançar mão de gigantescos espaços de memória para desenvolvermos novas aptidões ou abarcarmos o conhecimento já consolidado por nossos predecessores. Atualmente, com muito mais facilidade de acesso às informações, com muito menor custo em termos do próprio tempo ou de valores financeiros, essa vantagem se consolida. Isso é absolutamente salutar e, concomitantemente, um tanto assustador.
Será que essa enorme capacidade de armazenamento e processamento de que é capaz o nosso cérebro poderia ser utilizada em escala real em sua totalidade ou próximo disso? Seríamos capazes de aplicar todo o conhecimento adquirido, adequando-o às demandas diárias ou a especificidades eventuais?
Morgan Russel, em A Psicologia Financeira (2021), procura demonstrar que precisamos nos adequar sempre, economizar e aplicar, com sabedoria, parte do que seja a justa paga pelas nossas entregas. Já tratamos dessa premissa em outras publicações e continuamos acreditando que quem não muda, não se adapta, será certamente superado pelo novo.
Pessoas com Deficiência (PcD) frequentemente se veem relegadas a uma condição de total dependência, em diversos sentidos. E, também, reiteradas vezes, são vistas apenas como carentes das benesses de outrem ou do Estado, como se todas as deficiências fossem absolutamente incapacitantes.
O que não reflete a realidade de muitos entre nós. O uso de órteses ou próteses, por exemplo, em casos específicos, pode ser libertador, inclusive possibilitando a plena atividade laboral. A qualificação e o treinamento, com as devidas adaptações, abrem portas e oportunidades para o desenvolvimento pessoal, para a tão sonhada autonomia; para o imensurável bem-estar da independência. Como não desejar essa felicidade?
Imagine-se que, assim como ocorreu em diversas situações verdadeiras, relatadas e documentadas, as pessoas, especialmente aquelas do recorte mais humilde da população, aprendessem, por exemplo, matemática financeira. Ou dominassem técnicas de negociação, ou de aplicações, ou de investimentos.
Há, sabidamente, países de referência, em que o governo se preocupa mesmo com a educação como base para o desenvolvimento. Onde os alunos aprendem respeito ao próximo, aos contratos, às instituições e aos seus princípios. Bem como, com dignidade, aprendem a valorizar aquilo que foi
acordado e constituído como regra geral de convivência. Isso faz toda a diferença.
Nossos jovens, ainda em formação, se percebem expostos à violência estimulada pelo Estado e, não raro, entendem que este é um processo lícito para alcançar seus objetivos, pois é mais simples, apesar de mais perigoso. Conquistar pelo estudo ou pelo trabalho demanda tempo, energia e renúncia de prazeres imediatos. Então, por que simplesmente não tomar, como um animal feroz faz com os mais frágeis, considerando a triste e angustiante convicção da impunidade que a vítima tem e que conforta os bandidos? E, nessa percepção, colocam-se as PcD na posição de vítimas preferenciais, conquanto lhes seja menos simples a defesa de sua autoproteção.
De que forma esse estado de coisas poderia ser revertido em prol de maior qualidade de vida? Talvez devamos nos preparar para um embate desgastante no curso de nossa evolução. Durante a jornada é imprescindível aprender novas habilidades e também as ensinar.

Mário Sérgio Rodrigues Ananias é Escritor, Palestrante, Gestor Público e ativista da causa PcD. Autor do livro Sobre Viver com Pólio.
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