Master of Wine: Su Maestri revela os segredos por trás do título e a ascensão da italiana Cristina Mercuri no Olimpo do Vinho Mundial
Por Su Maestri para Revista Pepper

Diz-se nos bastidores da alta enologia que é mais fácil orbitar a Terra do que ostentar as iniciais MW após o sobrenome. A estatística não mente: existem mais seres humanos que já estiveram no espaço do que membros do seleto Institute of Masters of Wine (IMW). Fundado em Londres em 1953, o instituto é o guardião da excelência global, exigindo de seus candidatos um domínio quase sobre-humano que vai da microbiologia do solo às complexas engrenagens do marketing internacional. Hoje, existem apenas 421 Masters of Wine no mundo.
Até pouco tempo, a Itália — o coração pulsante do vinho mundial — vivia um paradoxo: produzia as garrafas mais desejadas, mas não possuía nenhum representante nesse clube exclusivo. Esse jejum foi quebrado em 2021, mas a verdadeira história de superação e quebra de barreiras acaba de ser escrita em fevereiro de 2026.
O Brinde que Uniu Continentes: O encontro entre Su Maestri e o primeiro MW italiano, Gabriele Gorelli

Como Curadora da Vini D’Italia – Salão do Vinho Italiano no Brasil, tive o privilégio de vivenciar de perto o impacto que um Master of Wine exerce sobre o setor. Em sua vinda ao Brasil, em 2021, acompanhei Gabriele Gorelli em uma série de masterclasses que elevaram o debate enológico em solo nacional.
Mas foi no cenário vibrante de Bento Gonçalves, durante a Wine South America, que a técnica deu lugar à conexão humana. Entre uma palestra e outra, estabelecemos uma simpática amizade que me permitiu perceber a essência do que o Instituto busca: não apenas robôs de degustação, mas líderes comunicativos, empáticos e apaixonados. Estar com Gorelli ali, no coração do Rio Grande do Sul, foi testemunhar o encontro da tradição italiana com a hospitalidade brasileira, selando a certeza de que o vinho é, antes de tudo, a mais elegante das pontes entre culturas.
O Triunfo de Cristina Mercuri: A Primeira “Mestra” da Itália
Voltando ao cenário atual, podemos afirmar que este mudou para sempre quando Cristina Mercuri, nascida na Toscana e radicada em Milão, foi anunciada como a mais nova Master of Wine. Ela não é apenas o quarto nome italiano a integrar o grupo — juntando-se aos pioneiros Gabriele Gorelli (2021), Andrea Lonardi (2023) e Pietro Russo (2024) — ela é a primeira mulher italiana a alcançar o topo dessa montanha.
Fundadora do Mercuri Wine Club, Cristina personifica a tenacidade contemporânea. Sua conquista não é apenas um diploma; é um atestado de liderança em uma indústria que, por séculos, teve o sotaque predominantemente masculino. Para os leitores da Pepper, o feito de Cristina ressoa como um lembrete: o paladar mais refinado do mundo hoje fala no feminino.
Além do Rótulo: A Anatomia de um Master of Wine
O título de MW é o “Cinto Preto” da indústria, exigindo uma compreensão holística que pouquíssimos seres humanos conseguem conciliar. Eles são os arquitetos do mercado global, e seu poder reside na maestria de três áreas críticas:
- Ciência e Viticultura: A Linguagem da Terra Um MW não apenas identifica uma nota de “fruta vermelha”; ele entende a química por trás dela.
- O Saber: Dominam desde a microbiologia do solo até o impacto das mudanças climáticas.
- O Poder: Prestam consultoria técnica para garantir a identidade de um terroir na garrafa.
- Business & Communication: O Vinho como Ativo Estratégico O Master of Wine traduz o líquido em números e narrativas de valor.
- O Saber: Dominam logística, leis de importação e redes de distribuição global.
- O Poder: Aconselham grandes redes de luxo e gerem fundos de investimento em vinhos raros.
- Visão de Mercado: Os Oráculos das Tendências Eles desenham hoje o que estará nas taças daqui a cinco anos.
- O Saber: Identificam regiões emergentes antes que os preços disparem.
- O Poder: Atuam como curadores supremos, movendo o mercado global com suas indicações.
Curiosidade Técnica: O exame inclui uma prova cega de 36 vinhos, onde o candidato deve identificar a uva, a região, o método de produção e a viabilidade comercial. É a prova máxima de que a intuição é baseada em ciência.
Por que ser um MW é tão raro?
O processo é uma maratona intelectual que dura anos:
- A Prova Cega: Três dias de degustações sem identificação, exigindo precisão cirúrgica.
- O Lado Acadêmico: Provas teóricas em inglês acadêmico sobre temas que vão da microbiologia ao pós-Brexit.
A entrada de Cristina Mercuri no Institute of Masters of Wine sinaliza uma mudança de paradigma. Se a Itália iniciou sua jornada em 2021 com Gorelli, é em 2026 que o ciclo se completa com a força de Mercuri. Ela provou que a rigorosa seleção de Londres não é páreo para o talento de uma mulher determinada a deixar sua marca.
O Brinde Final
Na próxima vez que você abrir um Brunello di Montalcino ou um Barolo, lembre-se: por trás das grandes etiquetas, existem mentes brilhantes orquestrando a excelência. E hoje, essa orquestra tem uma nova e poderosa maestrina.
Fato Pepper: O título de MW é vitalício e reconhecido em qualquer embaixada ou mesa de negócios do mundo. Cristina Mercuri não apenas passou; ela dominou o siste

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