O ano começa depois do Carnaval: E se a Diversidade também começasse de verdade?
Por Mariana Borges
Se você está lendo este artigo em plena semana de Carnaval, provavelmente não está no clima de trabalho. E está tudo bem. Afinal, como diz o ditado popular brasileiro, o ano só começa de verdade depois do Carnaval. É nesse momento que as empresas retomam o ritmo, os projetos saem do papel e as equipes voltam com energia renovada.
Mas que tal aproveitar esse recomeço para olhar de forma diferente para algo que muitas vezes fica apenas no discurso: a diversidade e a inclusão dentro das organizações?
O Carnaval, aliás, é um bom ponto de partida para essa reflexão. É quando o Brasil mostra sua maior potência: a capacidade de celebrar diferenças, de misturar culturas, ritmos, origens, corpos, histórias. Durante alguns dias, as ruas se enchem de pessoas diversas que convivem, criam juntas, se respeitam. É lindo de ver.
Agora, pense comigo: e se levássemos um pouco dessa energia para dentro das empresas?
Diversidade não é só uma meta de RH
É comum que diversidade e inclusão sejam tratadas como temas exclusivos da área de recursos humanos. E, claro, o RH tem um papel importante nessa agenda. Mas se sua empresa acredita que diversidade é só responsabilidade de quem contrata, há um problema.
Liderança inclusiva é uma competência de todas as pessoas que ocupam posições de liderança, independentemente da área. Seja você gerente de vendas, coordenador de logística, diretor financeiro ou supervisor de produção, sua forma de liderar impacta diretamente a inclusão das pessoas ao seu redor.
E aqui vai uma verdade que nem sempre é confortável: você pode ter uma equipe diversa no papel, mas se o ambiente não for inclusivo, essa diversidade não gera valor. Pior, pode gerar frustração, rotatividade e desperdício de talentos.
O que é liderança inclusiva, afinal?
Liderança inclusiva é a capacidade de criar um ambiente onde todas as pessoas se sintam vistas, ouvidas, respeitadas e valorizadas. É garantir que diferentes perspectivas sejam consideradas nas decisões. É entender que diversidade sem inclusão é apenas representatividade vazia.
Isso significa, na prática, estar atento aos vieses inconscientes que todos nós temos. Significa criar espaços seguros para que as pessoas possam ser quem são sem medo de julgamento. Significa distribuir oportunidades de forma justa. Significa ouvir de verdade, não apenas para responder, mas para compreender.
E, talvez o mais importante, significa entender que diversidade não é favor, é estratégia. Equipes diversas são mais criativas, inovam mais, tomam decisões melhores e entendem melhor a complexidade do mundo em que vivemos.
Diversidade impacta resultados
Pode parecer que estou falando de um tema subjetivo, mas a relação entre diversidade e desempenho é comprovada por dados. Empresas com lideranças diversas têm melhores resultados financeiros, maior capacidade de inovação e são mais atrativas para talentos.
Isso acontece porque a diversidade traz pluralidade de ideias. Quando você reúne pessoas com origens, experiências e perspectivas diferentes, surgem soluções que uma equipe homogênea jamais imaginaria. É olhar para o mesmo problema por vários ângulos e encontrar caminhos mais criativos e eficazes.
Além disso, colaboradores que se sentem incluídos são mais engajados, produtivos e leais à empresa. Ninguém entrega o melhor de si num ambiente onde precisa esconder quem é ou onde suas ideias não são levadas a sério.
Recomeço é sobre escolhas
Então, neste recomeço pós-Carnaval, que tal fazer escolhas diferentes? Olhar para sua equipe e se perguntar: todos aqui se sentem à vontade para expressar suas opiniões? As oportunidades estão sendo distribuídas de forma justa? Estou, de fato, ouvindo perspectivas diversas antes de tomar decisões?
Liderança inclusiva não exige que você tenha todas as respostas. Exige humildade para reconhecer que não sabe tudo, coragem para questionar padrões estabelecidos e disposição para aprender continuamente.
O ano começa agora. E, com ele, a chance de construir ambientes de trabalho mais justos, mais humanos e, sim, mais eficientes.

Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável
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