O Bancão saiu do Armário

José Teixeira

A Feira de Antiguidades de Brasília é tradicional. Foi nela que comprei um banco de madeira pelo qual me interessei à primeira vista. Naquela época, seu estilo, data de nascimento e quem foram seus antigos donos eram informações totalmente desconhecidas.

Desde então o “Bancão”, como foi batizado por mim, reina soberano entre outras peças da sala de visitas da minha casa. O lugar de honra foi determinado por minha esposa, que valorizou a compra logo de cara. Décadas se passaram sem que a verdade sobre a identidade do Bancão fosse encontrada. Palpites fantasiosos apareceram às dezenas, mas uma opinião criteriosa? Essa nunca dava as caras.

Finalmente, um especialista se interessou pela peça e pediu permissão para estudá-la. Ele fez perguntas, tirou fotos, tomou medidas e partiu prometendo ser rápido na desejada revelação da verdade. Passadas seis semanas, eis que o Bancão “saiu do armário” com o seguinte laudo:

“O banco é originário da Península Ibérica, produzido por um artesão ebanista entre os anos 1780 e 1820. O primeiro proprietário pode ter sido uma instituição católica para utilização não religiosa. Não se trata de uma peça única, pois há notícias de mais de uma dezena de bancos semelhantes na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Contudo, seu valor histórico é apreciável, assim como sua qualidade artística. É uma peça a ser preservada.”

Sempre acreditei que o meu Bancão fosse uma peça rara e de alta qualidade, um verdadeiro top-notch artístico e histórico. Agora, com o laudo em mãos, tenho a prova que faltava: ele não é apenas um móvel, é um aristocrata ibérico que escolheu a minha sala para descansar.

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