O LADRÃO DE MEMÓRIAS: Nada a Recordar.
Por Luiz Fiuza. Fevereiro de 2026.
Parada diante da porta de uma casa, a garotinha não sabia o que fazer. Como foi parar ali? Por que não conseguia lembrar de nada antes daquele instante? De repente, a porta da casa se abriu e uma mulher bonita se dirigiu à menina como se a conhecesse, dizendo: – Minha filha! Eu estava preocupada com você! Onde você estava? Fui te buscar como sempre na escola e me disseram que você já tinha ido embora com um tio! Que tio é este? Você…!
Com um olhar confuso, a menininha replicou: – Quem é a senhora?
– Como quem sou eu? Sou sua mãe! Que brincadeira é esta? Passe já para dentro! Ainda bem que seu pai está trabalhando e não está sabendo desse seu sumiço, mocinha! Vá logo tomar banho! Depois conversamos e quero saber quem é esse “tio” que foi te buscar na escola! E pior! Por que a escola te liberou nas mãos de um desconhecido?! Só de pensar nisso, eu…! Que é que está me olhando!? Ande! Já pro banho! – a garota se afastou silenciosa e mecanicamente. Subiu instintivamente para o andar de cima e foi em uma espécie de reação inata cumprir as ordens da pessoa que dizia ser sua mãe. A mente rodopiando em um turbilhão de dúvidas conflituosas. De banho tomado, a garotinha foi chamada para almoçar e durante a refeição foi inquirida pela mãe. Para surpresa desta, não respondeu satisfatoriamente a nenhuma das perguntas formuladas e a “genitora” concluiu que a menina esquecera o próprio nome, não reconhecia a casa e nem sua interlocutora! Muito menos tinha recordação do tal “tio” que a pegara nas dependências da escola!
A preocupação maior era com o estado mental da garota! Parecia alheia a tudo! Pegou o I-phone e ligou para uma psicóloga sua amiga, marcando uma sessão para dali a trinta minutos! Olhou assustada para o rosto da filha! Nunca vira antes um olhar tão apagado, sem vivacidade! Meu Deus! O que fizeram com sua menina? Como jamais poderia saber era mais uma artimanha do “Ladrão de Memórias!”

Luiz Fiuza