O que as mães não contam por medo de julgamento

(Confissões de uma mãe quase anônima)

Tem coisas que a gente só tem coragem de admitir em fóruns da internet, daqueles que ninguém sabe quem é você, mas todo mundo é mãe também. Um verdadeiro clubinho do “socorro, fiz isso” — e ninguém julga, só entende.

Por exemplo: já fingi que estava dormindo para não levantar e pegar água. Eles estavam com sede? Estavam. Sobreviveram? Também. Natureza forte, imunidade em dia.

Já servi janta que, na verdade, era “lanche reforçado”, porque cozinhar exigia uma energia que eu só teria depois de umas três vidas. E, sim, já comemorei quando o filho deixou cair o brinquedo longe de mim… do outro lado da sala. Às vezes a maternidade é uma prova olímpica de quem aguenta ficar imóvel por mais tempo.

Já fiquei escondida no banheiro só para ter dois minutos de silêncio. Não era necessidade fisiológica. Era emocional mesmo.

Já usei tela como babá? Usei. Já coloquei desenho só pra conseguir tomar banho em paz? Coloquei. E ainda pensei: “obrigada, tecnologia, por salvar minha sanidade hoje”.

E aquele dia em que a gente pede delivery não por falta de comida, mas por falta de força de vontade? Já aconteceu aqui também. Inclusive fiquei orgulhosa de mim mesma por ter pedido algo “com arroz e feijão”, como se isso me redimisse moralmente.

Confesso também que já escondi brinquedos para “sumirem misteriosamente”. E quando as meias somem na máquina? Às vezes sou eu. Às vezes é só o cansaço mesmo escolhendo as próprias batalhas.

Mas a maior confissão, aquela que quase ninguém fala em voz alta: tem dias em que eu amo meus filhos com toda a minha alma… e tem dias em que eu só queria cinco minutos sem ninguém me chamando de mãe. Nenhum pouco. Zero vezes.

E sabe o que é curioso? Quando a gente lê essas confissões nos fóruns, em vez de julgar, a gente pensa:
“Meu Deus, não sou só eu.”
E aí vem um alívio, uma risada, um abraço virtual de mães exaustas, mas tentando.

Porque, no fim, a maternidade real é isso: um misto de amor absurdo, cansaço profundo, pequenas trapaças para sobreviver ao dia e uma coragem gigantesca de acordar e fazer tudo de novo.

E, se a maternidade fosse um fórum anônimo, a gente só responderia assim:
— Amiga… te entendo. 🤍

*Artigo escrito por Julyana Almeida

Jornalista, mãe de 3 crianças lindas e disposta a compartilhar as loucuras e gostosuras da maternidade.

Instagram: https://www.instagram.com/rabiscosdeumamae

Related post

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *