O Renascimento do Terroir Candango: A Ascensão do Queijo Artesanal em Brasília
Por Su Maestri para Revista Pepper
A gastronomia brasileira atravessa um momento de “retorno às raízes”, mas com um olhar técnico refinado. No Distrito Federal, o que antes era uma produção tímida de fundo de quintal transformou-se em uma cadeia produtiva de alta qualidade, impulsionada pela Rota do Queijo do DF e pelo reconhecimento em concursos internacionais.
O Protagonismo de Brasília no Cenário Nacional
Brasília consolidou sua identidade queijeira. Produtores locais têm explorado não apenas o leite de vaca, mas também de cabra e ovelha, criando produtos que expressam o clima e as pastagens do Cerrado.
- Destaques Locais:
- Cabríssima (Lago Oeste): Comandada por Giovana Navarro, é um ícone nacional. O “Queijo Brasília” (de cabra) conquistou medalha de Ouro no Mundial do Queijo do Brasil e destaque na ExpoQueijo.
- Queijaria Walkyria (São Sebastião): Referência em queijos de maturação longa, acumulando medalhas no Prêmio Queijo Brasil.
- Malunga: O produtor Joe Valle destaca o crescimento de um público que “paga o preço por saber a origem”, fortalecendo o mercado de orgânicos e artesanais.
- Outros nomes de peso: Queijaria Rancharia, Sítio Vila das Cabras (premiada com Bronze no Mundial) e Ercoara.
O Impacto do Acordo Mercosul-União Europeia
O acordo, que caminha para sua implementação total em 2026, traz mudanças profundas na prateleira do brasileiro. Ele atua em duas frentes principais:
A Guerra dos Nomes (Indicações Geográficas)
O ponto mais crítico é a proteção de nomes. Termos como Gorgonzola, Parmesão, Gruyère e Roquefort passam a ser protegidos pela União Europeia.
- A Mudança: Produtores brasileiros que não comprovaram uso prévio desses nomes (cláusula de grandfathering) terão que renomear seus produtos. Isso força o produtor nacional a criar marcas próprias e valorizar denominações brasileiras, como o Queijo Canastra ou o Queijo do Serro, que agora têm proteção recíproca na Europa.
- Oportunidade: Especialistas apontam que isso tira o queijo brasileiro da sombra da “imitação europeia” e o coloca como um produto de identidade única.
Redução de Tarifas
A queda gradual das tarifas de importação trará queijos europeus a preços mais competitivos. Para o produtor de Brasília, o desafio é a diferenciação por frescor e história, já que o queijo artesanal local oferece uma experiência sensorial que o industrializado importado não alcança.
O Brasil no Pódio: Premiações Recentes
O queijo brasileiro não é mais uma promessa; é uma realidade premiada globalmente. No World Cheese Awards 2025, realizado na Suíça, o Brasil conquistou 50 medalhas.
| Premiação | Destaques Brasileiros |
| Mundial do Queijo (Brasil) | O Queijo Morro Azul (SC) e o Queijo Brasília (DF) figuraram entre os melhores. |
| World Cheese Awards 2025 | 5 Medalhas de Ouro para marcas como Faixa Azul (Parmesão 12 meses) e Serra das Antas. |
| ExpoQueijo Araxá 2025 | Recorde de amostras internacionais, onde o DF teve participação de destaque. |
O Papel dos Restaurantes
Os chefs de Brasília tornaram-se os maiores embaixadores desses produtores. Ao substituir o “Parmesão” genérico por um queijo curado do Lago Oeste, o restaurante educa o paladar do brasiliense e garante o escoamento da produção local. A tendência é o Cheese Bar e as tábuas de queijos 100% autorais, que valorizam o “Saber Fazer” candango.
Texto Su Maestri
Fontes Consultadas: ABIQ (Associação Brasileira das Indústrias de Queijo), Emater-DF, Resultados Oficiais World Cheese Awards 2025 e MilkPoint (Análise do Acordo Mercosul-UE).

Jornalista e Sommelière especializada em vinhos, jurada de enogastronomia
Redes Sociais : Instagram: @vinhocapital Facebook: vinhocapital X-@vinhocapital – Email: vino.maestri@gmail.com
