Outra dimensão

Existe uma promessa que toda mãe já fez para si mesma — e que a vida faz questão de desmentir em poucos minutos:

“Vou só deitar um pouquinho.”

Não é um cochilo.
Não é sono profundo.
É só… deitar. Encostar a cabeça. Respirar. Recarregar o sistema operacional humano por 5 minutos.

Cinco. Minutos.

O plano é simples: fechar os olhos rapidinho enquanto as crianças “estão quietinhas”.
E é exatamente aí que mora o perigo.

Porque existe um fenômeno misterioso que acontece sempre que uma mãe se deita:
o tempo entra em outra dimensão.

Para a mãe → passaram 3 minutos.
Para as crianças → passou tempo suficiente para reorganizar a civilização.

Você abre os olhos e encontra:

✔️ Alguém pulando na sua costela como se fosse um trampolim
✔️ Um pedido urgente de água como se o deserto tivesse chegado à sala
✔️ Uma discussão gravíssima porque um irmão respirou perto demais do outro
✔️ A cozinha com evidências de um experimento culinário não autorizado

E aí vem a clássica pergunta interna:
o que exatamente aconteceu nesses 5 minutos?

Resposta: tudo.

Nesse curto intervalo, as crianças conseguem:

🍪 Comer absolutamente tudo que estava disponível nos armários
🎨 Produzir massinha caseira com ingredientes que você nem sabia que combinavam
🍰 Tentar fazer bolo de caneca… sem caneca
🧸 Ressuscitar TODOS os brinquedos que estavam guardados há séculos
🌪️ Transformar o ambiente em algo que lembra um antes e depois de furacão

E o mais impressionante: quando você pergunta o que houve, a resposta vem tranquila, sincera e confiante:

— Nada.

Nada.
NADINHA.

A verdade é que o tempo funciona diferente para mães e filhos.

Para a mãe:
5 minutos = um suspiro necessário para continuar existindo.

Para a criança:
5 minutos = uma janela de oportunidades criativas ilimitadas.

E assim seguimos… vivendo a ilusão diária de que descansar é possível sem consequências estruturais no ambiente doméstico.

Mas mesmo acordando meio torta, sem saber se dormiu ou desmaiou, com um cenário de pós-evento ao redor… a gente ainda tenta.

Porque a esperança de 10 minutinhos de paz é o combustível emocional da maternidade.

E um dia… quem sabe…
a gente consegue deitar, descansar e levantar encontrando a casa exatamente como deixou.

(Ok, essa parte é ficção científica.) 😄

*Artigo escrito por Julyana Almeida

Jornalista, mãe de 3 crianças lindas e disposta a compartilhar as loucuras e gostosuras da maternidade.

Instagram: https://www.instagram.com/rabiscosdeumamae

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