50 ANOS DE ATRASO

Nestor de Oliveira – Jornalista e escritor

Tomado de abençoada loucura, com os olhos voltados para o desenvolvimento, resolvido a mudar um paradigma, inconformado com o marasmo da política litorânea, sonhando com a conquista do oeste, visão da transformação rural e de seu crescimento, audacioso de ideias, ousadia e disposição atrevida para mudanças, Juscelino Kubitscheck, eleito presidente do Brasil, com o binômio Energia e Transportes, se lançou a uma jornada épica que transformou o país. Seu lema era 50 anos em 5, ou seja, sacudir o país, de norte a sul, de leste a oeste, acordando o gigante adormecido em berço esplêndido, numa mudança para o progresso e crescimento, fazendo em cinco anos transformações equivalentes a 50 anos de desenvolvimento. Sua gestão, de 1956 a 1961, marcou um novo tempo para o país.  Foram os anos dourados do Brasil, otimismo palpável e medido em todos os cantos por onde se andava, na cultura, educação, saúde, transportes e onde estivessem os interesses nacionais. Um país pronto para deslanchar e transformar-se numa grande e próspera nação, ao sul da América. Até então era dominado pela política do atraso, submetido às ditaduras, refém das elites do retrocesso, acomodado com o privilégio de poucos e miséria de muitos. Abriu estradas, construiu Brasília, integrou o país, planejou um caminho para o crescimento nacional e deixou um legado para os futuros estadistas. Mas eles não vieram.

Os anos seguintes, eleição e renúncia de Jânio Quadros, o episódio de seu vice João Goulart, golpe militar de 64 e décadas de incerteza e escuridão democrática. O país foi entregue à dureza dos generais e aos oportunistas de plantão. Nos anos oitenta, chamada de década perdida, cria-se um dos absurdos contra o desenvolvimento, a chamada reserva de mercado para a informática, como se cada país do mundo tivesse que criar suas soluções de automação. É como se cada país tivesse que inventar sua penicilina ou vacina contra a catapora. Caracteriza-se, com mais evidência, a submissão do país a interesses de poucos empresários em detrimento do desenvolvimento. Tempos do computador Cobra e privilégios da Gradiente. O país perde uma excelente oportunidade de atualização e transformação. Chega a Constituição Cidadã de 1988, elaborada sob pressões por todos os lados, com a defesa de todos os direitos e nenhum dever, em poucos anos é tão emendada que perdeu, com elas, sua estrutura elementar. Nos anos noventa vem a reforma econômica, nova moeda, base necessária para o fim da inflação e preparo para o futuro melhor. Vira-se o século e o país sonha com a esperança que venceria o medo. A esperança foi frustrada, o medo que nunca existira, acabou.

Enquanto isto o mundo está em ebulição, países em crescimento continuado e seguro, novas ideias e ideologias se espalham e transformam a vida das pessoas. A educação é base a sustentar estas transformações, o foco é o crescimento e desenvolvimento das pessoas e através delas, as mudanças dos países. O Brasil, nestes últimos cinquenta anos, perdeu todas as oportunidades que passaram por sua porta, não montamos o cavalo arriado que corre para o futuro. Embarcamos no trem do passado, com Fidel Castro, Hugo Chaves, Maduro, Cristina Kirchner, Ortega e outros menos pensantes. E assim, nos últimos cinquenta anos, nosso crescimento equivale a menos de cinco, comparados a outros países que tiveram visão, planejamento, educação e políticas acertadas. Há esperança, teremos coragem? 

Nestor de Oliveira – Jornalista e escritor

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