ENTRE A COPA E AS URNAS
O que mobiliza mais os profissionais?
A Copa do Mundo de 2026 já entrou para a história. Disputada pela primeira vez em três países e reunindo 48 seleções, a competição ampliou as oportunidades para novos protagonistas. A inovação, nesse caso, não está apenas no novo formato, mas na capacidade de abrir espaço para quem nunca havia participado do maior palco do futebol mundial.
Na engenharia brasileira, a resposta à pergunta do título talvez não seja tão animadora. Para muitos profissionais, o que continua mobilizando o ambiente eleitoral não é a discussão sobre o futuro da engenharia, mas a disputa por espaços de poder dentro da própria estrutura institucional.
A comparação com a Copa não pretende aproximar futebol e engenharia. São universos distintos. O que ela evidencia são dois modelos de evolução institucional. Enquanto a FIFA amplia oportunidades, incentiva a renovação e abre espaço para novos protagonistas, o Sistema Confea/Crea ainda desperta uma pergunta inevitável: por que é tão difícil abrir espaço para novas lideranças e diferentes visões para o futuro?
Fortalecer instituições significa respeitar sua história, sem perder a capacidade de se renovar.
Se a Copa do Mundo ensina que a renovação fortalece a competição, talvez seja o momento de refletir sobre como fortalecer também as nossas instituições. Afinal, como construir organizações mais abertas, mais representativas e capazes de preparar continuamente suas futuras lideranças?

José Ribeiro de Miranda
Engenheiro Civil
Presidente da ABRAEI – Associação Brasileira dos Engenheiros Independentes
