Crescer profissionalmente sem deixar os pratos caírem

Existe uma fase da maternidade em que a gente finalmente entende que aquela história de “dar conta de tudo” não era uma habilidade nata. Era, na verdade, uma mistura de planejamento, improviso, café e uma boa dose de desespero.

Porque aí chega o crescimento profissional. A mãe recebe uma oportunidade, assume novas responsabilidades, começa a ocupar mais espaço, a trabalhar mais, a estudar, a conquistar coisas que sonhou. E, junto com a promoção, vem um pequeno detalhe: a rotina da família precisa ser promovida também.

De repente, o horário que antes funcionava perfeitamente já não funciona mais. A criança precisa acordar mais cedo. O almoço muda. A escola ganha novos horários. A agenda fica parecendo uma central de controle de aeroporto. E a mãe, claro, vira a responsável por saber onde todo mundo deveria estar — mesmo quando ela mesma não sabe onde deixou a própria bolsa.

É uma dança diária.

Tem dia em que tudo funciona tão bem que a gente se sente uma verdadeira CEO da família. Crianças alimentadas, uniforme no lugar, trabalho entregue, reunião cumprida, casa minimamente organizada. Dá até vontade de colocar uma música de vitória.

Aí chega o dia seguinte.

Uma filha esquece o material. A outra tem uma atividade diferente. Surge uma reunião de última hora. O trânsito decide testar nossa fé. E alguém, invariavelmente, avisa: “Mãe, amanhã é dia de levar alguma coisa para a escola”.

Alguma coisa.

Às 21h30.

É nesse momento que percebemos que equilíbrio não significa manter todos os pratos perfeitamente no ar. Às vezes, equilíbrio é escolher qual prato pode cair sem causar um desastre maior.

E, principalmente, entender que os filhos também crescem junto com os nossos sonhos.

Eles aprendem a se adaptar aos novos horários, às novas responsabilidades, à mãe que chega um pouco mais tarde, mas chega cheia de histórias para contar. Aprendem que a mãe também tem sonhos, projetos, desafios e conquistas. E que trabalhar, crescer e ocupar novos espaços não significa amar menos.

Muito pelo contrário.

Talvez uma das maiores lições que podemos deixar para nossos filhos seja justamente essa: é possível ser mãe e continuar sendo mulher, profissional, sonhadora e dona dos próprios caminhos.

Claro que nem sempre conseguimos fazer tudo. E tudo bem.

Tem jantar improvisado, roupa que fica para amanhã, brinquedo espalhado pela sala e, vez ou outra, a mãe que esquece até o próprio compromisso porque estava ocupada lembrando o de todo mundo.

Mas seguimos.

Ajustando horários, reorganizando a agenda, pedindo ajuda, dividindo tarefas e descobrindo novas formas de fazer a família funcionar.

Porque maternidade não é sobre equilibrar todos os pratos o tempo inteiro.

É sobre aprender a equilibrá-los juntos.

E, quando um cair, a gente respira, pega outro e continua.

Afinal, crescer profissionalmente é maravilhoso. Mas crescer enquanto mãe, vendo os filhos crescerem também, é perceber que a vida não precisa caber em uma rotina perfeita.

Ela só precisa fazer sentido para nós.

E, se possível, com um café quente.

Mesmo que seja requentado pela terceira vez. ☕😅

*Artigo escrito por Julyana Almeida

Jornalista, mãe de 3 crianças lindas e disposta a compartilhar as loucuras e gostosuras da maternidade.

Instagram: https://www.instagram.com/rabiscosdeumamae

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