Paula Belmonte fala sobre BRB, Saúde, educação, transporte e combate à corrupção

Em entrevista à Revista Pepper, a deputada Paula Belmonte apresenta suas propostas para o Distrito Federal e detalha as medidas que pretende adotar em áreas estratégicas de um eventual governo. Entre os temas abordados estão a situação financeira do BRB, a auditoria nos contratos da Saúde, a expansão do ensino em tempo integral, a melhoria do transporte público e a criação de um Gabinete de Combate à Corrupção.

Confira as perguntas e respostas da entrevista especial da coluna Dedo de Moça.

1. BRB: auditoria e proteção do dinheiro público

PERGUNTA: A senhora diz que fará “de tudo para salvar o BRB”, mas afirma que ainda não conhece o tamanho real do problema. Qual seria a primeira medida concreta do seu governo e qual prejuízo máximo o contribuinte do DF deveria estar preparado para absorver?

PAULA BELMONTE: A primeira medida é abrir a caixa-preta do BRB. Vamos fazer uma auditoria independente para saber exatamente qual é a situação financeira do banco, quais são os ativos, os passivos, os riscos e as responsabilidades pelas decisões que levaram a essa crise. Não é responsável estabelecer hoje um valor máximo de prejuízo para o contribuinte sem conhecer esses números. O meu compromisso é salvar o BRB, mas não dar um cheque em branco com o dinheiro da população. Qualquer solução precisa preservar o banco, proteger o patrimônio público e não comprometer os recursos que Brasília precisa para saúde, educação, segurança e desenvolvimento.

2. Saúde: auditoria e responsabilização

PERGUNTA: A senhora promete auditar contratos da Saúde, contratar profissionais e fortalecer o SUS. Se a auditoria encontrar contratos irregulares ou desperdícios, quais medidas a senhora tomará nos primeiros 100 dias — e quem será responsabilizado?

PAULA BELMONTE: Nos primeiros 100 dias, vamos fazer uma auditoria ampla na Saúde, começando pelo IGES-DF, analisando contratos, compras, despesas, processos de contratação, indicadores assistenciais e o que efetivamente foi entregue à população. Se encontrarmos sobrepreço, desperdício ou qualquer indício de irregularidade, vamos adotar as medidas administrativas cabíveis e encaminhar os casos aos órgãos de controle e investigação competentes. Contrato que não entrega aquilo pelo qual o governo está pagando precisa ser revisto, e irregularidade precisa ser apurada. Ao mesmo tempo, não podemos paralisar o atendimento. A prioridade é corrigir os problemas e fazer o recurso chegar à ponta, com médicos, enfermeiros, agentes comunitários, medicamentos e atendimento para a população.

3. Educação: expansão do ensino em tempo integral

PERGUNTA: A senhora estabeleceu a meta de chegar a 60% das escolas em tempo integral. Quantas unidades serão transformadas por ano, quanto isso custará e de onde sairão os professores e os recursos?

PAULA BELMONTE: A meta de 60% exige planejamento e não pode ser cumprida simplesmente colocando o aluno mais algumas horas dentro da mesma escola. A expansão será gradual, começando pelas regiões mais vulneráveis, e cada unidade precisa ter condições de funcionar em tempo integral, com professores, alimentação, refeitório, esporte, cultura, tecnologia e estrutura adequada. Vamos substituir gradualmente professores temporários por concursados e fortalecer o quadro permanente. O cronograma de expansão por escola e o custo anual serão definidos a partir do diagnóstico da rede e incorporados ao planejamento orçamentário. Precisamos saber quais escolas têm estrutura para receber a jornada integral e quanto será necessário investir em cada uma delas.

4. Transporte público: metrô e integração dos ônibus

PERGUNTA: A senhora defende expansão do metrô, integração dos ônibus e revisão dos contratos do transporte. Qual obra começaria primeiro, qual seria a fonte de financiamento e em quanto tempo o usuário perceberia uma mudança concreta?

PAULA BELMONTE: A primeira mudança que o usuário precisa perceber não depende de esperar anos por uma nova linha de metrô. Vamos começar pela revisão dos contratos das empresas de ônibus e da tarifa técnica e pela recuperação da eficiência do metrô que já existe. No metrô, precisamos recuperar e renovar a frota para reduzir os intervalos enquanto planejamos e executamos as expansões. As novas linhas exigem projeto, licenciamento, orçamento e definição das fontes de financiamento, e eu não vou prometer uma obra sem dizer como ela será paga. O objetivo é que a melhoria comece no sistema existente e avance, com planejamento, para a expansão da rede.

5. Combate à corrupção: fiscalização e transparência

PERGUNTA: A senhora promete criar um Gabinete de Combate à Corrupção já no primeiro dia de governo. Quem teria poder para fiscalizar esse gabinete, quais dados seriam publicados para a população acompanhar e o que aconteceria se o próprio governo descumprisse as regras de transparência?

PAULA BELMONTE: O Gabinete de Combate à Corrupção não será um órgão para proteger governo, será uma estrutura para proteger o dinheiro público. Ele vai trabalhar integrado aos órgãos de controle, auditoria, integridade e transparência, usando tecnologia e cruzamento de dados para identificar riscos, sobrepreços, duplicidades e indícios de irregularidades. A população terá acesso às informações sobre contratos, licitações, compras, fornecedores, gastos, metas e resultados do governo. E o controle não pode valer apenas para os outros. Se houver irregularidade dentro do meu governo, ela terá que ser apurada e encaminhada aos órgãos competentes. Transparência só funciona quando a regra vale também para quem governa.

Dedo de Moça Especial • Revista Pepper Digital

Por Uly Penatti e Redação

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