Arruda fala à Revista Pepper sobre candidatura, Justiça Eleitoral e planos para o DF
Ex-governador do Distrito Federal e candidato ao Palácio do Buriti, José Roberto Arruda conversa com a Revista Pepper sobre o futuro de sua candidatura, projetos para o DF e os desafios que pretende enfrentar em uma eventual nova gestão.
Com o registro de candidatura indeferido pelo TRE-DF e recurso apresentado ao TSE, Arruda afirma que pretende levar a disputa até o fim. Na entrevista, também fala sobre BRB, transporte público, metrô, saúde e sobre o que faria diferente caso volte a comandar o Distrito Federal.
1. O TRE-DF indeferiu seu registro, e o senhor recorreu. Se a Justiça mantiver a decisão, quem será o seu plano B — e o senhor está preparado para apoiar outro nome ou pretende levar a disputa até o último recurso?
Não existe plano B. Tenho convicção do meu direito e, por isso, recorri ao TSE. Vou até o final. Registrei minha candidatura de acordo com a lei vigente e acredito na Justiça brasileira. Minha campanha segue nas ruas e minha foto estará na urna. Estou preparado e já mostrei que sei fazer.
2. O senhor fala em reconstruir políticas públicas e retomar projetos de gestões anteriores. O que mudou no DF desde o seu último governo que faria o senhor governar de maneira diferente agora?
A experiência que a vida me deu me permite dizer o seguinte: 16 anos atrás, os problemas eram também muito grandes. Por exemplo, você tinha a EPTG que eram duas pistas de cada lado. Fizemos em apenas 15 meses a nova EPTG. O metrô estava parado na Praça do Relógio, em Taguatinga. Eu levei para Ceilândia, fiz oito novas estações. A cidade naquele momento recebeu a roupa nova que precisava para aquele tamanho. A cidade cresceu e precisa de roupa nova outra vez. E eu vou fazer.
Vou construir cinco novos hospitais — São Sebastião, Recanto das Emas, Sol Nascente, o Hospital do Câncer e o de Cirurgias Eletivas —, quatro linhas de metrô, a Interbairros e a primeira parte do Anel Rodoviário, além de valorizar professores e profissionais da saúde e retomar programas como o Pão e Leite e o Cesta Verde.
3. O senhor propõe fechar agências do BRB fora de Brasília, reduzir patrocínios e concentrar o banco no fomento regional. Qual seria a primeira decisão que tomaria no BRB e quanto o GDF poderia economizar com essas mudanças?
Seria leviano fazer planos sem o balanço, que o atual governo está escondendo. Tenho a impressão de que estão empurrando com a barriga para o banco quebrar depois da eleição.
A depender do balanço, penso que realmente devemos fechar as agências fora de Brasília, cortar patrocínios esdrúxulos, mas, principalmente, ter diálogo com o governo federal para trazer o Fundo do Centro-Oeste (FCO), assim como o Fundo do Nordeste é aplicado no Banco do Nordeste.
É preciso trazer o BRB de volta à sua função original, de fomentar o DF e o Entorno.
4. O senhor promete expansão do metrô para o Entorno, VLT e mudanças no sistema de ônibus. Qual dessas obras começaria primeiro, quanto custaria e de onde viria o dinheiro?
Hoje, paga-se mais de R$ 2 bilhões por ano de subsídio para empresas de ônibus. No meu governo era zero. Com R$ 2 bi, eu construo 20 km de metrô por ano, 80 km em quatro anos.
Vamos rever esses contratos e, com esse dinheiro, vamos investir em transporte sobre trilhos. Expandir a linha de Ceilândia até o Sol Nascente, seguindo até Águas Lindas; fazer o metrô de Santa Maria e Gama, saindo para Valparaíso, Novo Gama, Cidade Ocidental até o Jardim Ingá; fazer o VLT do Aeroporto até a W3; e construir a quarta ponte para, de um lado, seguir para Jardim Botânico, Mangueiral e São Sebastião e, do outro, Itapoã, Paranoá, Sobradinho e Planaltina.
5. O senhor já governou Brasília e hoje disputa novamente o cargo. Qual é o maior erro da sua primeira gestão que o senhor reconhece hoje — e qual decisão não repetiria se voltasse ao Buriti?
O parabrisa de um carro é maior que o retrovisor. Não olho para trás neste momento, miro no futuro melhor que Brasília pode ter.
Eu já tive a oportunidade de estar à frente do GDF e fiz muito pela população, por esse motivo ainda sou lembrado e querido 16 anos depois. As pesquisas, principalmente o DataRua, mostram isso.
Por onde tenho andado, sou recebido com carinho e pedidos para que eu volte e ajude a tirar Brasília do buraco que ela se encontra hoje.