Leandro Grass na berlinda: saúde, dinheiro, PT e o desafio de governar Brasília

Linha fina: Em entrevista exclusiva à Revista Pepper, candidato ao Governo do DF é confrontado sobre filas na saúde, financiamento das promessas, transporte, alianças políticas e apresenta propostas para pessoas com deficiência e mães atípicas.

Em uma eleição em que discurso bonito não basta para convencer o eleitor, Leandro Grass chega à entrevista exclusiva da Revista Pepper diante de uma sequência de perguntas que colocam sua candidatura à prova.

Como reduzir as filas da saúde — e em quanto tempo? De onde virá o dinheiro para colocar as promessas em prática? Como pretende dialogar com um eleitorado que historicamente apresenta resistência ao PT? Qual será sua estratégia para enfrentar os desafios do transporte e, principalmente, como pretende governar caso não tenha maioria na Câmara Legislativa?

São questões que vão além do programa de governo e chegam ao ponto central de qualquer disputa pelo Palácio do Buriti: como transformar propostas em resultados concretos para quem vive no Distrito Federal.

Ao longo da entrevista, Grass também apresenta uma de suas principais agendas sociais: a criação de uma Política Distrital de Cuidados, voltada às pessoas com deficiência e às mães atípicas, com propostas que envolvem saúde, educação, mobilidade, renda, acessibilidade e autonomia.

Confira a entrevista.


POLÍTICA DISTRITAL DE CUIDADOS

No Distrito Federal, milhares de pessoas com deficiência ainda encontram barreiras para fazer o que é seu direito: estudar, trabalhar, se locomover e viver com autonomia. E, ao lado delas, há mães atípicas que sustentam sozinhas boa parte do cuidado, muitas vezes sem nenhum apoio do poder público — e que também têm direito à sua própria vida, ao trabalho, ao descanso e à saúde. Como o senhor pretende enfrentar essa realidade?

LEANDRO GRASS: Cuidar dessas duas realidades, com respeito e sem tratar ninguém como problema, é o compromisso central de Leandro Grass, e ele tem nome: Política Distrital de Cuidados.

A ideia por trás dela é uma virada de lógica: o cuidado não pode recair só sobre a família — é uma responsabilidade compartilhada com o Estado.

Na prática, isso significa uma rede pública de apoio, com Centros-Dia e espaços de convivência que ampliem a autonomia e a vida social da pessoa com deficiência, e que ao mesmo tempo garantam à mãe atípica tempo e condições para trabalhar, estudar e cuidar de si.

Significa também reconhecer o cuidado como trabalho, com apoio à renda de quem o exerce, e atenção à saúde mental das cuidadoras, hoje tão sobrecarregadas.

Foto: Junior Rosa/Divulgação

SAÚDE — DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Na área da saúde, quais são as principais medidas para garantir diagnóstico e atendimento no tempo adequado às pessoas com deficiência?

LEANDRO GRASS: Na saúde, o compromisso é com o diagnóstico no tempo certo e o acesso à intervenção desde cedo.

Reduzir a espera pelo diagnóstico — de autismo e de outras condições — e levar terapias e reabilitação para perto de casa, na rede pública, para que nenhuma família precise custear do próprio bolso ou recorrer à Justiça para garantir o que é direito.

E assegurar o fornecimento regular de medicamentos, inclusive os de uso contínuo e de alto custo.

EDUCAÇÃO — INCLUSÃO DE VERDADE

Como o senhor pretende garantir uma educação verdadeiramente inclusiva para crianças e adolescentes com deficiência?

LEANDRO GRASS: Na educação, o caminho é a inclusão de verdade.

Garantir o profissional de apoio escolar para quem precisa, formar continuamente os educadores para uma escola que acolhe todos os estudantes, ampliar as salas de recursos e combater qualquer recusa de matrícula.

A escola em tempo integral também será acessível e inclusiva, com arte, cultura e esporte que sejam de todas as crianças.

ACESSIBILIDADE E TRANSPORTE

A acessibilidade ainda é um desafio diário para muitas pessoas com deficiência. Quais mudanças o senhor pretende promover na cidade?

LEANDRO GRASS: Na cidade, acessibilidade é condição para o exercício de direitos, não um detalhe.

Calçadas, escolas, pontos de ônibus e prédios públicos plenamente acessíveis, tarifa zero no transporte — que apoia diretamente a pessoa com deficiência e seu acompanhante — e a ampliação do transporte adaptado, para que ir e vir seja um direito garantido, não um obstáculo diário.

TRABALHO, RENDA E AUTONOMIA

Além da saúde, educação e mobilidade, como garantir autonomia financeira e oportunidades de trabalho para pessoas com deficiência e suas famílias?

LEANDRO GRASS: No trabalho e na renda, o compromisso é com autonomia e oportunidade: fazer cumprir a reserva de vagas para pessoas com deficiência no serviço público e fiscalizá-la no setor privado, apoiar quem deseja empreender com acesso a crédito pelo banco público, e proteger o orçamento dessas famílias com o Desenrola DF.

PARTICIPAÇÃO NAS DECISÕES

Como garantir que as políticas públicas sejam construídas com a participação de quem vive essa realidade?

LEANDRO GRASS: E nada disso será decidido sem a participação de quem vive essa realidade.

As pessoas com deficiência e as mães atípicas estarão na mesa, na formulação e na avaliação das políticas — nada sobre elas sem elas.

Porque uma cidade que assegura direitos, autonomia e dignidade a todas as pessoas, e que apoia quem cuida, é o compromisso de um governo que coloca as pessoas em primeiro lugar.

O desafio de transformar proposta em política pública

A Política Distrital de Cuidados apresentada por Leandro Grass reúne propostas que atravessam diferentes áreas da administração pública, da saúde à educação, passando por transporte, acessibilidade, trabalho e renda.

O ponto central da proposta é reconhecer que a autonomia das pessoas com deficiência também depende do suporte oferecido às famílias — especialmente às mães que assumem grande parte da rotina de cuidados.

Ao defender que essas políticas sejam construídas com a participação direta de quem vive essa realidade, Grass coloca a inclusão e o cuidado entre as agendas que pretende levar para o debate eleitoral.

Agora, o desafio colocado ao candidato — e a qualquer projeto que dispute o comando do Distrito Federal — é transformar as propostas em ações concretas, com metas, orçamento, prazos e capacidade de execução.

Porque, no fim das contas, é na vida real do brasiliense que qualquer promessa de campanha precisa provar seu valor.

Por: Redação

Related post

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *