A lei virou opcional. O mercado não.
Em maio de 2026, a CVM tomou uma decisão que muita gente comemorou: retirou a obrigatoriedade futura de adoção das normas IFRS S1 e S2 para companhias abertas brasileiras. O regime passou a ser voluntário.
Se você trabalha com ESG, provavelmente ouviu alguém dizer: “viu? Não era obrigatório. Podemos deixar para depois.”
E é exatamente aqui que está o perigo.
O que mudou e o que não mudou
O que mudou: o governo não vai obrigar sua empresa a publicar relatório de sustentabilidade seguindo uma norma internacional. Pelo menos não agora.
O que não mudou: absolutamente todo o resto.
O banco continua usando critérios ESG para decidir a taxa de juros que sua empresa paga. O investidor continua perguntando como você gerencia riscos ambientais e sociais. O cliente grande continua enviando formulários de due diligence. O mercado continua exigindo comprovação de boas práticas.
A CVM afrouxou uma régua. Mas o mercado tem várias. E nenhuma delas afrouxou.
Por que as pessoas acham que podem parar
Existe uma lógica sedutora que aparece quando uma obrigação legal é removida: se não sou obrigado, não preciso fazer.
Essa lógica faz sentido quando a exigência vem apenas do governo. Mas em ESG, o governo é só uma das vozes. E não é a mais importante.
A voz que mais cobra ESG hoje não é do regulador. É do cliente. É do banco. É do investidor. E essas vozes não ligam para o que a CVM decidiu. Elas ligam para o risco delas.
Quando um banco analisa se empresta dinheiro para sua empresa, ele não consulta a resolução da CVM. Consulta o próprio modelo de risco. E nesse modelo, o ESG entra direto.
Quando um cliente grande avalia se continua comprando de você, ele não verifica se a lei te obriga a ter ESG. Verifica se você consegue responder ao questionário dele. E se não consegue, troca de fornecedor.

A pressão que não está no papel
A pressão que faz empresas implementarem ESG hoje não vem da legislação. Vem de três lugares que não dependem de lei nenhuma.
O cliente que precisa reportar. Sua empresa pode não ser obrigada a fazer inventário de emissões. Mas seu cliente grande é. E para ele reportar, precisa dos seus dados. Se você não tem, ele procura quem tem.
O banco que precisa precificar risco. Sua empresa pode não ser obrigada a ter governança estruturada. Mas o banco precisa saber quanto de risco você representa. E sem ESG, você é risco.
O investidor que precisa decidir onde coloca o dinheiro. Sua empresa pode não ser obrigada a publicar relatório de sustentabilidade. Mas o investidor precisa saber se sua operação é segura a longo prazo. E sem ESG, não é.
A CVM pode ter retirado a obrigação. Mas quem decide o destino do seu negócio, clientes, bancos, investidores, não retirou a exigência.
O que isso significa para você
Se você está implementando ESG na sua empresa e ouviu alguém dizer que não precisa mais porque virou opcional, aqui está a sua resposta.
A lei é o teto. O mercado é o piso. E o piso está mais alto que o teto.
Você pode escolher não fazer porque a lei não exige. Mas quando o cliente pedir comprovação, quando o banco cobrar dados, quando o investidor fizer perguntas, a resposta “não era obrigatório” não vai segurar o contrato.
A pergunta que importa não é “a lei me obriga?”. É “o mercado me exige?”.
E o mercado está exigindo cada vez mais. Não porque o governo mandou. Porque quem tem dinheiro, quem tem contrato, quem tem decisão não quer correr risco com quem não se preparou.
A verdade sobre opcionais
Coisas opcionais são opcionais até deixarem de ser. E em ESG, o que é opcional hoje vira exigência amanhã. Não porque a lei mudou. Porque o mercado mudou.
A CVM pode ter dado um passo atrás. Mas o mercado deu três passos à frente. E quem decidir esperar a lei voltar a obrigar vai descobrir que o mercado não esperou.
Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável

Serviço:
Ler sobre ESG é importante. Implementar é o que gera transformação.
Se você quer desenvolver a capacidade de tirar projetos do papel e liderar a agenda ESG com mais segurança, participe das nossas aulas online.
São encontros ao vivo onde compartilho ferramentas, métodos e respondo a desafios reais de profissionais que estão implementando ESG nas empresas.
A participação é gratuita, mediante inscrição.
📍 Inscreva-se na Sala de Decisão
📍 Siga-me no Instagram
📍 Vamos nos conectar pelo LinkedIn