Casuísmo eleitoral marca eleições do Sistema Confea/Crea

Desde que se elegeu ao cargo de presidente do Confea, o engenheiro paulista Vinicius Marchese tem atuado para realizar seu grande sonho que é se eleger deputado federal. Nas eleições de 2022, disputou a eleição pelo PSD, obtendo aproximadamente 40 mil votos, numero insuficiente para a conquista da cadeira no maior estado da federação. Inicialmente trabalhou em conjunto com os 27 presidentes de Creas para aprovar o PL 1024/2020 que prorrogaria o seu mandato e dos presidentes das autarquias em mais um ano. Usou a força política de seu padrinho político, o presidente do seu partido, Gilberto Kassab, para aprovar o projeto a toque de caixa e evitar que as duas eleições fossem realizadas no ano de 2026. Assim teria mais um ano livre para se dedicar unicamente a eleição para Câmara Federal. O projeto não obteve sucesso já que enfrentou resistência de profissionais de todo o Brasil por ferir princípios constitucionais e ferir as regras previamente estabelecidas, já que todos foram eleitos para um mandato de três anos.

Com o fracasso da empreitada, Marchese resolveu antecipar, sem nenhuma justificativa plausível, as eleições gerais do Sistema Confea/crea e Mútua para 3 de julho, sendo que os mandatos terminam apenas em 31 de dezembro e as eleições ocorrem tradicionalmente no mês de novembro. A data não foi escolhida por mero acaso. Para se candidatar aos cargos do Sistema a licença dos candidatos é de apenas 3 meses. Mas para concorrer a cargos do poder legislativo, como o caso de deputado federal, a legislação impõe uma licença de 6 meses. Ou seja justamente no dia 2 de abril. Dessa forma, pode obter uma única licença para a disputa dos dois cargos, configurando um verdadeiro trampolim eleitoral.

Para completar o quadro, em conluio com a Comissão Eleitoral Federal, resolveu alterar as regras eleitorais previamente aprovadas, tentando impedir que alguns profissionais disputassem o pleito. O Ministério Público Federal precisou intervir nas tentativas de alteração das regras, indicando a extrapolação do regulamento original e a criação de exigências de última hora. Graças a intervenção de entidades como a Associação Brasileira dos Engenheiros Independentes e do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro, uma decisão liminar impediu a manobra, permitindo a representatividade dos profissionais legalmente habilitados a participar do processo.

As eleições serão pela internet. Por isso, a ABRAEI defende um processo transparente, auditável e confiável, com regras claras, critérios públicos, rastreabilidade e acompanhamento externo efetivo, já que ao que tudo indica o casuísmo eleitoral tem permeado todo o processo. Procurado pela reportagem o Confea não se manifestou.

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