Como estruturar um Comitê de ESG que funciona de verdade

Por Mariana Borges

Você decidiu criar um Comitê de ESG na sua empresa. Ótimo. Porque é pelo Comitê que a magia acontece. É onde você transforma o ESG de responsabilidade de uma pessoa em responsabilidade compartilhada.

Mas você pode estar com a dúvida, mas será mesmo? Afinal muitos comitês dentro das empresas não funcionam. Eles existem no papel. Têm reuniões. Têm atas. Mas não geram resultado.

E sabe por quê? Porque ninguém estruturou o comitê pensando em como ele realmente vai funcionar.

Deixa eu te mostrar como estruturar um comitê que funciona de verdade.

O que não funciona

Antes de falar no que funciona, deixa eu mostrar o que não funciona.

Um comitê que não funciona é aquele que tem muita gente. Porque quando tem muita gente, ninguém é responsável por nada. Você tem uma reunião mensal onde todo mundo fala e ninguém decide nada.

Um comitê que não funciona é aquele que não tem patrocínio da liderança. Porque sem patrocínio, o comitê é apenas um grupo de pessoas que se reúne para conversar sobre ESG, mas ninguém leva a sério.

Um comitê que não funciona é aquele que não tem clareza sobre responsabilidades. Porque quando não há clareza, cada pessoa entende que é responsável por uma coisa diferente. E aí, na medida em que os meses passam, fica claro que ninguém é responsável por nada.

Um comitê que não funciona é aquele que não tem agenda clara. Porque quando não há agenda, as reuniões viram conversas vagas sobre ESG. Ninguém sai da reunião sabendo o que precisa fazer depois.

Um comitê que não funciona é aquele que não tem frequência. Porque quando as reuniões são espaçadas, o momentum morre. As pessoas esquecem o que foi combinado. As coisas não saem do lugar.

Foto: Nishant Aneja

O que funciona de verdade

Agora deixa eu te mostrar o que funciona (você vai querer reenviar este artigo).

Um comitê que funciona começa com a escolha certa de pessoas. Não muita gente. Pessoas certas. Você precisa de representantes das áreas principais. Operações, compras, RH, marketing. Talvez finanças. Mas não mais do que isso. Porque quando tem muita gente, ninguém consegue tomar decisão.

Um comitê que funciona tem patrocínio claro da liderança. Alguém da diretoria que acredita em ESG e que está disposto a colocar recurso e prioridade. Porque sem isso, o comitê é apenas um hobby de algumas pessoas.

Um comitê que funciona tem papéis claros. Você tem um coordenador. Alguém que é responsável por garantir que o comitê funcione. Que as reuniões aconteçam. Que as atas sejam feitas. Que o progresso seja acompanhado. E você tem representantes de cada área, que são responsáveis por executar as ações dentro de suas áreas.

Um comitê que funciona tem agenda clara. Cada reunião tem assuntos específicos. Cada assunto tem tempo e tem responsável. E ao final tem decisão clara.

Um comitê que funciona tem frequência. Reunião mensal. Sempre no mesmo dia. Sempre na mesma hora. Porque quando há frequência, as pessoas sabem que precisam estar preparadas. E quando as pessoas estão preparadas, as coisas saem do lugar.

Um comitê que funciona tem foco. Não tenta resolver todos os problemas de ESG em uma reunião. Escolhe alguns tópicos prioritários. Trabalha naqueles. Depois segue para o próximo.

Um comitê que funciona tem comunicação clara. Depois da reunião, tem ata. Na ata, tem o que foi decidido. Tem quem é responsável por cada ação. Tem prazo. Porque quando as pessoas sabem o que foi decidido, elas se engajam.

Como estruturar seu Comitê

Se você quer começar a estruturar um Comitê ESG que funciona, aqui estão os passos.

Primeiro, escolha o coordenador. Alguém que acredita em ESG. Alguém que tem tempo para dedicar. Alguém que consegue conversar com diferentes áreas. Alguém que consegue manter o foco.

Segundo, escolha os representantes. Uma pessoa de cada área principal. Alguém que tem poder de decisão dentro de sua área. Alguém que consegue trazer a perspectiva de sua área para o comitê.

Terceiro, defina a frequência. Reunião mensal. Sempre no mesmo dia. Sempre na mesma hora. Porque frequência gera hábito. E hábito gera resultado.

Quarto, defina a agenda. Não uma agenda fixa. Uma agenda que evolui conforme o comitê evolui. Mas sempre com assuntos claros. Sempre com tempo. Sempre com responsável.

Quinto, defina os papéis. Quem é responsável por quê. Quem toma decisão. Quem executa. Quem acompanha.

Sexto, defina como vocês vão medir progresso. Quais indicadores vocês vão acompanhar. Com que frequência. Como vocês vão comunicar resultado.

Sétimo, comunique para a empresa. Deixe que toda a empresa saiba que existe um comitê. Que o comitê é responsável por ESG. Que cada área tem seu papel. Que há progresso sendo feito.

Quando tudo isso foi definido, crie um Regimento Interno aprovado pela alta liderança e assinado por todos os membros. Isso engaja e compromete.

O benefício invisível

Quando você estrutura um comitê que funciona de verdade, as pessoas começam a se sentir parte de algo. Porque não é algo que foi imposto de cima para baixo. É algo que elas ajudaram a estruturar. Que faz sentido para seu trabalho. Que elas conseguem executar.

E quando as pessoas se sentem assim, elas se engajam. Elas não estão apenas cumprindo mais uma tarefa. Estão contribuindo para algo que importa.

Isso gera momentum. Gera entusiasmo. Gera resultado.

O próximo passo

Se você quer começar a estruturar um Comitê ESG que funciona de verdade, siga as etapas que citei acima: Escolha o coordenador. Escolha os representantes. Marque a primeira reunião. Defina a agenda.

Depois, conforme você vai fazendo isso, você vai descobrir o que funciona e o que não funciona. E você vai ajustar. Porque um comitê é um processo vivo. Ele evolui conforme a empresa evolui.

Mas o importante é começar. Porque quando você tem um comitê que funciona, tudo muda. ESG deixa de ser responsabilidade de uma pessoa. Vira responsabilidade de todos. E quando todos estão envolvidos, tudo fica possível.

Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável

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