Di Paolo chega a Brasília: tradição, técnica e sabores da Serra Gaúcha à mesa da capital

Da avaliação do cardápio à inauguração com casa cheia, a chegada da rede a Brasília revela uma experiência que vai além do tradicional galeto.

A chegada de um restaurante a uma nova cidade começa muito antes da abertura oficial. Existe um trabalho que o público nem sempre vê: a definição do cardápio, os testes de cada preparo, o alinhamento da equipe e o cuidado para que a experiência entregue ao cliente corresponda à proposta da marca.

Foi acompanhando duas etapas desse processo que conheci mais de perto a chegada do Di Paolo a Brasília. Primeiro, a convite de Paulo Geremia, fundador do grupo, participei de um teste de cardápio ao lado da jornalista e crítica gastronômica Liana Sabo. Em outro momento, retornei para a inauguração oficial, em uma noite de casa cheia, com convidados reunidos a convite do colunista Marcelo Chaves.

Foram experiências diferentes, mas complementares. Na primeira, pude observar a gastronomia com mais atenção; na segunda, ver a casa recebendo o público e iniciando um novo capítulo de sua trajetória na capital federal.

O galeto é a assinatura, mas a experiência vai além

Quem conhece o Di Paolo sabe que o galeto al primo canto ocupa o centro da experiência. Preparado na brasa, ele carrega a tradição da culinária da Serra Gaúcha, marcada pela influência dos imigrantes italianos e por uma maneira generosa de servir.

Durante o teste do cardápio, provamos toda a sequência. O que me chamou a atenção foi perceber uma equipe afinada, segura dos preparos e treinada para executar cada prato de acordo com sua proposta. Na gastronomia, esse aspecto faz muita diferença. Uma receita pode ser excelente, mas é a consistência da execução que sustenta a qualidade quando o restaurante começa a receber um grande volume de clientes.

A sequência reúne sabores que já fazem parte da identidade da marca, como a sopa de capeletti, o pão colonial, as saladas, a polenta frita e brustolada, além das massas e dos molhos que acompanham o galeto.

É uma cozinha que valoriza o conjunto. Cada preparo tem seu lugar na refeição, e o serviço em sequência favorece o compartilhamento, a conversa e o prazer de permanecer à mesa. Mais do que provar pratos isolados, a proposta é vivenciar uma forma de comer ligada à tradição familiar da Serra Gaúcha.

Produtos que também contam a história da região

Entre os elementos que conheci durante a degustação, dois produtos me despertaram especial interesse: o azeite extravirgem nacional, produzido no bioma Pampa, e o vinagre de vinho tinto da própria marca, elaborado com a identidade da Serra Gaúcha.

Em um restaurante cuja proposta está tão ligada às raízes regionais, valorizar produtos brasileiros de origem definida acrescenta uma dimensão ainda mais interessante à experiência. Eles não aparecem apenas como complementos à mesa, mas também como formas de apresentar ao público ingredientes que carregam território, tradição e identidade.

O azeite extravirgem nacional, produzido no bioma Pampa, representa a força que a olivicultura brasileira vem conquistando. O produto expressa características próprias de clima, solo e variedade de azeitonas, mostrando que o Brasil também tem uma produção de azeites capaz de revelar diferentes paisagens e sabores.

Já o vinagre de vinho tinto, com a marca Di Paolo e origem ligada à Serra Gaúcha, amplia essa conexão com a região. Sua presença reforça a relação do restaurante com a cultura do vinho e com a tradição vitivinícola gaúcha, tão importante para a identidade gastronômica da Serra.

São detalhes que podem passar despercebidos em uma primeira visita, mas que ajudam a compreender melhor a proposta da casa. Quando um restaurante escolhe apresentar seus próprios produtos, ele também assume o compromisso de construir uma experiência mais autoral e coerente com sua história.

Para mim, foi interessante perceber que, ao lado de uma tradição tão consolidada como o galeto al primo canto, existe também uma atenção voltada à valorização de produtos nacionais e regionais.

Uma nova casa às margens do Lago Paranoá

Instalado no complexo do Clube de Engenharia de Brasília, com vista para o Lago Paranoá e a Ponte Honestino Guimarães, o restaurante chega à capital com uma estrutura de aproximadamente 1.200 metros quadrados e capacidade para cerca de 400 pessoas.

O espaço foi pensado para diferentes ocasiões, de encontros familiares a reuniões e celebrações. A localização acrescenta um atrativo à experiência, especialmente para quem procura unir gastronomia e um ambiente agradável.

A abertura representa também a expansão de uma marca que nasceu em Garibaldi, na Serra Gaúcha, em 1994, e construiu sua reputação em torno do galeto al primo canto e de uma sequência de pratos que preserva referências da imigração italiana.

Levar essa proposta a Brasília significa apresentar ao público local uma cozinha com identidade definida, que tem na tradição sua principal referência e na padronização do serviço um dos desafios de crescer sem perder qualidade.

Uma experiência que continua à mesa

Durante o teste de cardápio, tivemos ainda a oportunidade de degustar a linha completa de vinhos da casa, uma experiência que merece um olhar próprio. Por isso, deixo esse assunto para uma próxima matéria, dedicada a conhecer melhor a seleção e a proposta dos rótulos.

Já na inauguração, com a casa cheia, foi possível perceber outro lado desse novo endereço: a movimentação, os encontros e a expectativa em torno da chegada da marca à capital.

Paulo Hernande e Liana Sabo

Acompanhar esses dois momentos me permitiu olhar para além da novidade. Em gastronomia, inaugurar um restaurante é apenas o começo. O trabalho verdadeiro está em transformar uma proposta em experiência, mantendo a qualidade dos pratos, a atenção aos detalhes e a consistência do serviço ao longo do tempo.

O Di Paolo chega a Brasília trazendo uma tradição reconhecida, mas também a responsabilidade de conquistar seu público no dia a dia. E, para mim, observar o cuidado com a execução do cardápio e a presença de produtos como o azeite extravirgem nacional do bioma Pampa e o vinagre de vinho tinto da Serra Gaúcha tornou essa chegada ainda mais interessante.

Porque uma boa experiência gastronômica não se resume ao prato principal. Ela está no conjunto: na cozinha que funciona em sintonia, nos ingredientes escolhidos, nos produtos que representam uma origem, no serviço e na capacidade de fazer com que as pessoas se sintam bem à mesa.

A Conexão Enogastronômica também está aberta a novas histórias, encontros e experiências.

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Boas histórias também começam quando alguém nos convida para sentar à mesa.

Chef Leninha Camargo
Sommelier & Consultora em negócios da gastronomia
Da escolha do ponto à inauguração
@leninha.camargo

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