ENGENHARIA DIGITAL EXIGE INSTITUIÇÕES DO SÉCULO XXI
A inteligência artificial avança em velocidade impressionante. Calcula, correlaciona dados, prevê padrões e executa tarefas complexas em segundos. Em muitos setores, a automação já deixou de ser tendência para se tornar realidade concreta.
Mas talvez a questão mais profunda seja outra: quem definirá o sentido da própria máquina?
A tecnologia amplia capacidades, mas ainda não substitui atributos essencialmente humanos, como consciência ética, empatia, sensibilidade, imaginação simbólica e capacidade de atribuir significado às coisas. Uma máquina pode gerar respostas em velocidade gigantesca. O ser humano continua sendo quem formula as perguntas essenciais e assume as decisões finais.
Quem decide para quem se constrói?
Qual impacto ambiental será aceitável?
Quais comunidades serão afetadas?
Qual o limite entre eficiência econômica e dignidade humana?
Essas decisões extrapolam cálculos. Envolvem responsabilidade social, consciência ética e visão de futuro.
E talvez exista outra questão igualmente importante: uma engenharia que ingressa rapidamente na era digital ainda pode ser conduzida por estruturas institucionais concebidas no século passado?
A transformação tecnológica exige também transformação institucional. Modelos excessivamente burocráticos, lentos e distantes da base profissional tendem a entrar em descompasso com a velocidade das mudanças contemporâneas.
Há um paradoxo evidente:- quanto mais automatizado o mundo se torna, maior tende a ser o valor da autenticidade humana. Isso aparece na arte, na poesia, na ciência, na liderança, no ensino, na criatividade e no pensamento crítico.
A transformação tecnológica já mudou a engenharia. Resta saber se o Sistema Confea/Crea conseguirá mudar com ela.

Eng. Civil José Ribeiro de Miranda
Presidente da ABRAEI – Associação Brasileira dos Engenheiros Independentes
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