EXPERIÊNCIA: QUANDO O CONHECIMENTO ENCONTRA A REALIDADE
Na semana passada, em Brasília, a COBRAMSEG 2026 reuniu diferentes gerações da engenharia, representantes da academia, da indústria e de órgãos públicos para discutir os desafios da geotecnia brasileira. Um encontro de inovação, conhecimento e, sobretudo, experiência.
É justamente no encontro entre conhecimento e realidade que se constrói a maturidade profissional. Em um país continental como o Brasil, com solos, climas, materiais e condições tão diferentes, a teoria exige interpretação, adaptação e decisão. E ninguém precisa viver todas as situações para aprender com elas. Quando engenheiros, pesquisadores e professores compartilham problemas, soluções, acertos e erros, aquilo que foi vivido por um passa a contribuir para todos. A experiência individual amadurece o profissional; a experiência compartilhada faz avançar a engenharia.
Foi nesse ambiente de troca que, nos bastidores do encontro, surgiu uma questão de especial interesse para o segmento de fundações: a forma de remuneração dos serviços de execução. Ainda prevalece o pagamento baseado exclusivamente na produtividade — o conhecido preço por metro linear. Esse modelo é equivocado porque transfere ao prestador riscos que não estão sob seu controle. Na geotecnia, a produtividade depende das condições do terreno, da geologia, dos acessos, do clima, das interferências da obra e até do fornecimento de insumos, como aço e concreto. Quando esses fatores reduzem ou interrompem a produção, o equipamento, a equipe e toda a estrutura necessária à execução permanecem mobilizados. O custo permanece, mesmo quando a produção diminui.
A própria engenharia oferece um exemplo clássico dessa relação nos serviços de terraplenagem. Nas obras de terra, a contratação ocorre pela locação dos equipamentos, enquanto parâmetros de produção, como o volume escavado, funcionam como elementos de medição, controle e acompanhamento do serviço. A máquina tem seu custo pelo tempo em que permanece mobilizada e disponível; sua produtividade, por sua vez, depende das condições encontradas na obra.
Essa mesma lógica pode ser aplicada aos equipamentos de fundações e serviços geotécnicos. A produtividade continua sendo fundamental para medir eficiência e desempenho, mas não critério de remuneração quando fatores externos ao prestador interferem diretamente na produção.
É nesse ponto que a experiência profissional se torna decisiva para compreender essas relações. Não basta dominar a técnica e executar bem. É preciso estabelecer contratos que reconheçam as condições reais de cada serviço e distribuam adequadamente responsabilidades e riscos entre as partes.
PELA LOCAÇÃO DO EQUIPAMENTO, E NÃO PELA PRODUTIVIDADE.

Eng. Civil José Ribeiro de Miranda
Presidente da ABRAEI – Associação Brasileira dos Engenheiros Independentes
Facebook: facebook.com/josribe.miranda
Instagram: https://www.instagram.com/abraei.eng
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/jose-ribeiro-de-miranda