Pompeia, Itália. Uma cidade preservada por uma catástrofe!
Uma cidade romana que ficou congelada no tempo
A cidade de Pompeia fica situada próxima à atual Nápoles, aos pés do vulcão Vesúvio. No ano de 79 d.C. o vulcão entrou em uma erupção devastadora e cobriu a cidade com cinzas e pedras-pomes. Ruas, casas, lojas, templos, jardins, mercados, oficinas, termas, pinturas e restos humanos foram soterrados.
Essa destruição aconteceu em várias etapas: primeiro vieram enormes quantidades de cinzas, depois fluxos de lava extremamente quentes atingiram toda a região da cidade, soterrando-a completamente. A cidade permaneceu soterrada até o ano de 1599.
O Parque Arqueológico que hoje abriga a cidade de Pompeia é excepcional, pois permite observar uma cidade tipicamente romana em sua totalidade. Com todos os equipamentos urbanos perfeitamente conservados. Os arqueólogos costumam dizer que Pompeia não foi destruída; ela foi simplesmente preservada pela destruição.
Os famosos moldes de gesso dos habitantes

Um dos elementos mais famosos das ruínas de Pompeia são os famosos moldes de gesso. Quando os corpos se decompuseram dentro das camadas de cinza endurecida, deixaram cavidades. Os arqueólogos preencheram essas cavidades com gesso, reproduzindo a exata posição em que as pessoas foram alcançadas pela lava e morreram.
Hoje em dia, em vários pontos da cidade, existem esses corpos em várias posições: de dormir, de desespero. Homens, mulheres e crianças, além de animais domésticos puderam ser percebidos exatamente na posição quando foram alcançados e morreram.
Como era a cidade antes da tragédia
Era uma cidade romana próspera, com comércio intenso e uma população certamente na casa de dezenas de milhares de habitantes. Ao contrário da imagem que temos das cidades romanas formadas por monumentos grandiosos, como o Fórum em Roma, Pompeia era uma cidade tradicional, com casas simples e luxuosas, comércio intenso como bares, restaurantes e padarias, além de oficinas, mercados, termas, templos, teatros, prostíbulos e jardins.
A divisão da cidade incluía espaços políticos e administrativos, com ruas pavimentadas e sistema de abastecimento de água.
Curiosidade: Numa das ruas da cidade, em frente a uma casa, provavelmente um prostíbulo, existe uma pedra do calçamento, com a figura de um pênis masculino entalhado, apontado para a residência.
Como se descobriu a cidade de Pompeia
Em 1599, o arquiteto italiano Domenico Fontana estava supervisionando a construção de um canal para levar água do rio Arno até a região de Torre Annunziata. Ao abrir o canal os trabalhadores descobriram estruturas enterradas como paredes, pinturas, inscrições e restos de edifícios romanos. Ninguém percebeu que era Pompeia e as descobertas foram encerradas.
150 anos depois, em 1748, durante o reinado de Carlos III de Bourbon, começaram as escavações na região de Civita, onde havia indícios de construções antigas. Inicialmente o engenheiro militar Roque Joaquim de Alcubierre pensou que havia encontrado Stabiae. Somente em 1763, quando foi encontrada uma inscrição contendo o nome Res Publica Pompeianorum, ficou definitivamente estabelecido que aquela era a antiga Pompeia.
Quando Pompeia passou a ser estudada de verdade
O engenheiro suíço Karl Jakob Weber, que trabalhou sob Alcubierre a partir de 1749, passou a desenhar plantas dos edifícios, registrar os documentos e documentar as descobertas. Mais tarde no séc. XIX, Giuseppe Fiorelli, diretor das escavações, revolucionou mais os trabalhos: passou a tratar Pompeia como uma cidade inteira a ser preservada e estudada.
Foi também Fiorelli quem desenvolveu a famosa técnica dos moldes de gesso dos corpos das vítimas da erupção.
Casa do Fauno

Uma das mais luxuosas e grandes residências. O nome vem de uma pequena estátua de um fauno encontrado no local. A casa possuía mosaicos, entre eles o célebre mosaico de Alexandre, o Grande enfrentando o rei persa Dario. É uma das melhores demonstrações de riqueza da elite da cidade.
O Fórum

Coração político, religioso e comercial. Enorme praça cercada por templos e edifícios públicos, mostrando a verdadeira dimensão da cidade. Da praça, pode-se ver claramente o vulcão Vesúvio.
Casa dos Vettii
Residência que pertencia aos irmãos Vettii, antigos libertos que conseguiram enriquecer. A casa tem pinturas extraordinárias e permite se notar a ascensão social que podia ocorrer dentro do mundo romano.
Vila dos Mistérios

Um pouco afastada do centro, seu grande tesouro é a sala decorada com enormes pinturas murais. As cenas representam um ritual de iniciação ligado ao culto de Dionísio/Baco. Os afrescos são exemplos impressionantes da pintura romana antiga.
Termas
A cidade possuía vários complexos de banhos públicos. Estes não eram apenas lugares para banhos, mas também para socialização, negócios e lazer. Neles pode-se observar os sistemas de aquecimento, piscinas, salas quentes e frias através da sofisticada engenharia romana.
Lojas e restaurantes
Em Pompeia havia estabelecimentos chamados thermopolia, onde alimentos e vinhos eram vendidos diretamente ao público. Os balcões com grandes recipientes embutidos, lembram bastante um pequeno restaurante ou lanchonete.
Teatros
Pompeia tinha uma intensa vida cultural. O Teatro Grande apresentava espetáculos para milhares de pessoas, enquanto o Teatro Pequeno ou Odeon, era utilizado para apresentações mais restritas.
Anfiteatro
Pompeia tem um dos anfiteatros romanos antigos mais bem preservados. Ali aconteciam combates de gladiadores.
Curiosidade: Um episódio famoso ocorreu em 59 d.C, quando uma briga violenta entre torcedores de Pompeia e da vizinha Nucéria aconteceu durante jogos de gladiadores. O Senado Romano chegou a proibir os espetáculos por dez anos.
Como chegar
Visitamos Pompeia pela primeira vez na década de 1980, de carro, vindo de Roma. No ano passado, retornamos à cidade, em uma excursão de ônibus, também partindo de Roma. Impressionante é a quantidade de casas, ruas e equipamentos públicos, cerca de 1.500 edifícios, que vão sendo descobertos ao longo dos anos.
Hoje, Pompeia é uma grande cidade e o sítio arqueológico já atinge dimensões bem grandes. Por isso, reserve pelo menos meio dia para passear pela cidade, pois há muito para ver e observar.






Bernardo De Felippe Jr. – Publicitário durante toda a sua vida, ao se aposentar passou a viajar e escrever livros infantis e romances para adultos. Em suma, é um viajante contador de histórias.
E-mail: bernardofelippejr@gmail.com
Instagram: https://www.instagram.com/bernardo248