Pra quê esse frio todo?

Tem um momento do ano em que os pais entram oficialmente no modo sobrevivência: o frio chega, o vento começa a assoviar na janela e as crianças desenvolvem uma energia comparável à de um parque de diversões funcionando com gerador industrial.

Aí começa o grande dilema da família brasileira:

Sair e correr o risco de voltar pra casa com uma gripe, tosse, nariz escorrendo e uma farmácia inteira na bancada da cozinha… ou ficar em casa ouvindo, de cinco em cinco minutos:
“Mas eu tô entediado!”
“Não tem nada pra fazer!”
“Posso ir lá fora só um pouquinho?”

Lá fora o vento parece cenário de filme apocalíptico. Nem o sol teve coragem de aparecer. Mas a criança olha pela janela como se estivesse presa injustamente há quinze anos.

Dentro de casa, depois do terceiro desenho, do quarto lanche e da décima tentativa de montar uma cabana com cobertor, o nível de reclamação sobe junto com o volume da televisão.

E os pais ficam nesse paralelo impossível:
“Se sair, adoece.”
“Se ficar, enlouquece.”

No fim, o inverno ainda nem chegou e já está testando, não só a imunidade das crianças. Testando principalmente a paciência dos adultos, que já estão aceitando qualquer coisa — até um raio tímido de sol às quatro da tarde — como evento histórico nacional.

*Artigo escrito por Julyana Almeida

Jornalista, mãe de 3 crianças lindas e disposta a compartilhar as loucuras e gostosuras da maternidade.

Instagram: https://www.instagram.com/rabiscosdeumamae

Related post

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *