RISCO: A RESPONSABILIDADE DE DECIDIR
Toda obra nasce cercada de suas nuances. Por mais completos que sejam os projetos, as compatibilizações e as locações, a realidade da execução os revisa em busca da solução definitiva.
É para lidar com essa realidade que existe a gestão de riscos. Não para eliminar o imprevisível, mas para compreendê-lo e criar condições para decidir.
Um contrato pode estabelecer quem responderá por determinado risco, mas nenhuma cláusula muda a realidade de uma obra. O risco permanece. E, quando é atribuído a quem não tem condições de administrá-lo, transfere-se a responsabilidade no papel, não a capacidade de enfrentá-lo.
Na engenharia geotécnica, essa condição é ainda mais evidente. O que está sob nossos pés não se revela por inteiro. Sondagens, ensaios e investigações permitem conhecer melhor o subsolo e reduzir incertezas, mas sempre haverá uma parcela que somente a execução poderá revelar. É nesse momento que conhecimento e experiência precisam encontrar a decisão.
A experiência nos ensina que decidir não significa ignorar riscos. Significa reconhecê-los sem permitir que o medo de errar impeça a engenharia de avançar.
Afinal, chega o momento da execução. E, diante da realidade da obra, um engenheiro terá que decidir. E o risco permanece.
GERENCIAR RISCOS NÃO É EVITAR DECISÕES. É CRIAR CONDIÇÕES PARA DECIDIR.

José Ribeiro de Miranda
Engenheiro Civil, diretor da Geometa Fundações, escritor e presidente da Associação Brasileira dos Engenheiros Independentes– ABRAEI.
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