O que nos resta?

Ao final da Segunda Grande Guerra, em 1945, o mundo, especialmente a Europa e o Japão, precisavam ser recuperados. Tanto em suas estruturas físicas, quanto pelos imensos traumas que marcaram profundamente os sobreviventes naquelas regiões devastadas pela barbárie deflagrada por Adolf
Hitler e seus nazistas alemães.

Há, no entanto, uma premissa de que o desenvolvimento, as mudanças, ocorrem com mais eficácia na adversidade, como uma forma de tirar lições do sofrimento. Aquele momento de dor, de escuridão, de certa forma, corroborou o entendimento. O fato de o presidente americano ter sido afetado pela
poliomielite, aos 39 anos de idade, fez com que o financiamento de pesquisas se expandisse. A perseguição aos judeus, primeiro na Alemanha, depois nos países subjugados, provocou a emigração de muitas mentes brilhantes, como os judeus Albert Einstein e o médico Ludwig Guttmann. O primeiro, um cientista que mudou diversos conceitos da física moderna. O segundo resgatou inúmeras vidas de pessoas com deficiências adquiridas por traumas durante a conflagração e ainda lançou a pedra fundamental para a criação dos Jogos Paralímpicos.

De outros tantos conflitos ao redor do mundo talvez não se tenham extraído avanços em tão alto grau de importância, como ocorreu com o desenvolvimento da penicilina, descoberta acidentalmente por Alexander Fleming, em 1928, purificada e isolada até 1940, em tempo de salvar de infecções milhares de soldados e civis naquela contenda mundial.

O que se avalia é que, se não há desafios, como então superá-los? Que soluções se pode almejar para problemas ainda não surgidos? Qual a razão para alocar recursos, fazer investimentos naquilo que ainda não existe no universo de situações enfrentadas? Podemos sonhar com uma vida perfeita, como se flutuássemos num “céu de brigadeiro”, mas resta uma dúvida: qual seria o sentido de viver? Que conquistas formariam algum universo para o nosso propósito de existir? Por outro lado, o que impeliria alguém para além da insípida calmaria de dias iguais, como no eletrocardiograma de uma estátua de
pedra?

Há que se buscar aprendizados e crescimento mesmo nos dias mais turbulentos, nos momentos mais difíceis, pois superá-los, ainda que com arranhões e dores, será como receber um abraço aconchegante de alguém que amamos. A turbulência que envolve atualmente autoridades nacionais e estrangeiras, nações e povos, poderá, esperamos, trazer à luz o aprendizado que tornará a vida mais doce e colorida, como a vida de uma criança feliz.

Queira a sorte, também, que aqueles que se empenham com amor e compaixão, pelo trabalho, pela paz, pelo aprofundamento do saber e do conhecer, tenham tempo para fruir o resultado de sua dedicação.
De tudo, o que nos resta é sonhar, como bem expressado pelo saudoso Gonzaguinha em “Começaria Tudo Outra Vez” (1976): “A fé no que virá / e a alegria de poder olhar pra traz / e perceber. / E ver que voltaria com você, / de novo viver…”

Cada gota de suor ou de sangue tem que valer a pena ter sido derramada, pois que tenha sido por um bom intento, com muito amor.

Mário Sérgio Rodrigues Ananias é Escritor, Palestrante, Gestor Público e ativista da causa PcD. Autor do livro Sobre Viver com Pólio.

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