A maternidade que ninguém te contou (mas eu te conto com carinho)

Por Julyana Almeida

O Dia das Mães está chegando.
E junto com ele vêm aquelas imagens lindas, quase cinematográficas, de mães serenas, cheirosas, com tempo… muito tempo.

Eu olho e penso: que bonito.
E, ao mesmo tempo: que ficção.

Porque existe uma maternidade que não cabe nos comerciais.
E não, não é a parte assustadora — é a parte real.
E, acredite, ela também é bonita. Só que de um jeito mais bagunçado.

Ninguém te conta, por exemplo, que você vai desenvolver um talento sobrenatural:
o de perder coisas… que estão na sua mão.

Sério.
Você segura o celular enquanto procura o celular.
Coloca o óculos na cabeça e pergunta em voz alta: “alguém viu meu óculos?”
E, em algum momento, aceita que sua mente agora trabalha em modo multitarefa caótico.

Também não te avisam que ir ao banheiro vai virar um evento de luxo.
Não é mais um ato simples.
É planejamento estratégico.

Tem hora, local, possibilidade de interrupção…
e, quase sempre, uma plateia inesperada do lado de fora da porta (ou dentro, né, porque privacidade virou conceito abstrato).

Comer também muda.
Você aprende a apreciar a culinária fria.
Não por escolha gourmet, mas porque esquentar a comida duas, três vezes… cansa.

E, no fim, você come assim mesmo.
Entre uma demanda e outra.
E tudo bem.

Ah, e o banho…
O banho vira um verdadeiro pit stop de Fórmula 1.

Você entra sabendo que tem poucos minutos.
Lava o cabelo, o corpo, pensa na vida, resolve problemas e ainda escuta:
“Mãããe!”
Tudo isso em tempo recorde.

E aqui vai o ponto mais importante:
nada disso é um problema.

É só… a vida acontecendo em outro ritmo.

Porque, no meio desse caos leve, tem coisa que ninguém consegue explicar direito.

Tem abraço que desmonta qualquer cansaço.
Tem “mamãe, te amo” dito do nada, no meio da bagunça.
Tem risada, tem cumplicidade, tem um amor que cresce sem pedir licença.

Então, não — não vamos romantizar a maternidade como se fosse perfeita.
Mas também não precisamos pintar como algo assustador.

Ela é intensa.
É engraçada.
É cansativa, às vezes.
Mas é, acima de tudo, cheia de sentido.

E talvez o mais bonito seja isso:
mesmo nos dias em que você perde o celular que está na sua mão,
toma banho correndo
e come comida fria…

você sabe que não trocaria esse caos por nada.

*Artigo escrito por Julyana Almeida

Jornalista, mãe de 3 crianças lindas e disposta a compartilhar as loucuras e gostosuras da maternidade.

Instagram: https://www.instagram.com/rabiscosdeumamae

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