Mensuração de ESG: Como saber se vocês estão realmente avançando
Por Mariana Borges
Você tem uma meta de ESG. Você está trabalhando nela. Mas como você sabe se está realmente avançando? Como você sabe se o que você está fazendo está funcionando?
Essa é uma pergunta que a maioria das empresas não consegue responder com clareza. E sabe por quê? Porque elas não têm indicadores. Ou têm indicadores que não fazem sentido. Ou ainda, têm indicadores que são tão complicados que ninguém consegue acompanhar.
E quando você não consegue medir, você não consegue saber se está avançando. Você apenas espera que esteja.
Nas minhas mentorias, este assunto gera sempre muito interesse, então deixa eu te mostrar como medir ESG de forma que funcione de verdade.
O problema de não medir
Quando você não mede, você não sabe se está avançando. Você não sabe se o investimento que você fez está gerando resultado, se as mudanças que você implementou estão funcionando.
E quando você não sabe essas coisas, é fácil perder a motivação. Porque você está trabalhando, mas não consegue ver o resultado. É como correr uma maratona sem saber quantos quilômetros você já percorreu.
Além disso, quando você não mede, você não consegue comunicar resultado. E resultados são fundamentais para engajar as pessoas. Porque as pessoas precisam ver que o que elas estão fazendo está gerando impacto.
Então não medir é um problema duplo: você não sabe se está avançando, e você não consegue convencer outras pessoas de que está avançando.
O problema de medir errado
Agora, tem outro problema que é quase tão ruim quanto não medir. É medir errado.
Medir errado é quando você escolhe um indicador que não faz sentido. Ou um indicador que é tão complicado que ninguém consegue acompanhar. Ou ainda um indicador que não está conectado com o que você realmente quer alcançar.
Por exemplo, você quer aumentar a diversidade na sua empresa. Aí você escolhe como indicador o número de mulheres em cargos de liderança. Mas você não define o que é “cargo de liderança”. Aí, na medida em que os meses passam, você descobre que cada pessoa está contando de um jeito diferente. E aí, de repente, seu indicador não significa nada.
Ou você quer reduzir o consumo de água. Aí você escolhe como indicador consumo por unidade de produção. Mas você não consegue coletar esse dado com facilidade. Aí, você tenta coletar, mas demora muito ou custa muito, e no final, você desiste.
Medir errado é pior do que não medir. Porque você tem a ilusão de que está medindo. Mas na verdade, você só está coletando dados que não significam nada.
Como medir bem
Se você quer medir ESG de forma que funcione, aqui está o que você precisa fazer.
Primeiro, escolha indicadores simples. Não indicadores perfeitos. Indicadores que façam sentido para sua realidade. Indicadores que você consegue coletar com os recursos que tem. No exemplo que falei antes, se você quer aumentar diversidade, não escolha “número de mulheres em cargos de liderança”. Escolha algo mais simples: “percentual de mulheres na empresa” ou “percentual de mulheres contratadas no último ano”. Algo que você consegue coletar facilmente.
Segundo, defina claramente o que você está medindo. Se você vai medir “percentual de mulheres contratadas”, defina: mulheres contratadas em quais áreas? Em qual período? Como você vai contar? Quando você define claramente, você evita confusão.
Terceiro, escolha uma frequência que você consegue manter. Se você quer acompanhar mensalmente, ótimo. Mas certifique-se de que você consegue coletar o dado mensalmente. Se você consegue apenas trimestralmente, então acompanhe trimestralmente. O importante é que você consiga manter a frequência.
Quarto, estabeleça uma meta clara. Não uma meta vaga. Uma meta específica. “Aumentar o percentual de mulheres contratadas em 10% até dezembro de 2026.” Quando você tem uma meta clara, você sabe exatamente o que está buscando.
Quinto, acompanhe regularmente. Não espere o final do ano para ver se você atingiu a meta. Acompanhe mensalmente. Veja se você está no caminho certo. Se você não está, ajuste. Quando você acompanha regularmente, você consegue fazer ajustes pequenos que geram um resultado grande.
Sexto, comunique o resultado. Não comunique apenas quando você atingir a meta. Comunique o progresso. “Estamos em 60% da nossa meta.” Quando você comunica o progresso, as pessoas se engajam. Porque elas veem que as coisas estão acontecendo.
Lembre-se: o indicador perfeito não existe
Isso mesmo, o indicador perfeito não existe. Sempre vai haver alguma coisa que você não consegue medir perfeitamente. Sempre vai haver alguma limitação.
Mas está tudo bem. Porque o importante não é ter o indicador perfeito. É ter um indicador que funcione. Um indicador que você consegue coletar e que te dá uma ideia clara de se você está avançando ou não.
Então não espere pelo indicador perfeito. Escolha um indicador que faça sentido agora. Comece a medir. Aprenda com os dados. Ajuste conforme necessário. E depois, quando você tiver mais experiência, você refina.
A diferença que faz
Quando você começa a medir ESG de forma clara e simples, você começa a ver o caminho. Você sabe se está avançando. Você consegue comunicar resultado. Você consegue ajustar quando necessário.
E quando você consegue fazer essas coisas, o ESG deixa de ser algo que você está tentando fazer. Vira algo que você está realmente fazendo. Porque você consegue ver o resultado.
O próximo passo
Se você quer começar a medir ESG de forma que funcione, comece simples. Escolha um indicador que faça sentido. Defina claramente o que você está medindo. Estabeleça uma meta. Acompanhe regularmente. Comunique o resultado.
Na medida em que você faz isso, você vai descobrir que medir é mais fácil do que você imaginava. E quando você consegue medir, tudo fica possível.

Artigo escrito por Mariana Borges, fundadora da Move’n Up inteligência em Gestão Sustentável
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