72% dos brasileiros vão gastar até R$250 no presente de Dia dos Pais, aponta pesquisa

Reunir a família pesa mais que o valor do presente para 41% dos entrevistados

Orçamento mais curto do que ano passado para 34% . 32% acham que a data está mais cara e comercial

O Dia dos Pais movimenta bilhões no varejo brasileiro todos os anos, mas também expõe uma tensão antiga: a data ainda é sobre afeto, ou já virou hapenas mais um gatilho comercial? Quais os planos, os hábitos de consumo e os sentimentos do brasileiro para a data em 2026? É o que aponta pesquisa inédita da Hibou em parceria com a Score Agency. O levantamento traçou o retrato do consumidor: 46% vão presentear o pai neste ano, 22% vão passar o domingo em casa sem receber visitas, e para 33% o que realmente não pode faltar é o almoço em família, à frente de qualquer presente. 

Quase 1 em cada 4 vai ficar em casa sem visitas

Segundo o levantamento, 22% dos brasileiros vão ficar em casa neste Dia dos Pais sem receber ninguém. Logo atrás aparecem os que vão até a casa do pai ou do sogro (17%) e os que vão receber a própria família em casa (14%). Esse movimento em direção à casa dos pais é puxado pelos mais jovens: entre os que têm até 34 anos, 25% vão para a casa do pai ou do sogro, mais de quatro vezes o registrado entre os brasileiros com 55 anos ou mais (6%). Só 7% preferem sair para comemorar em um restaurante, e 12% ainda não decidiram o que farão no fim de semana.

Entre quem vai ficar em casa sem visitas, o programa favorito é, disparado, dormir e descansar (48%), seguido de maratonar séries e filmes (41%) e brincar com crianças e pets (24%). Chama atenção o recorte etário: entre os mais jovens (até 34 anos), dormir/descansar sobe para 57% e ler um livro aparece com 36%, quase o triplo do registrado entre os brasileiros com 55 anos ou mais (12%).

TV ligada, com Netflix no comando

Entre quem vai passar o Dia dos Pais em casa, 63% afirmam que a TV vai ficar ligada durante o domingo. E, na hora de escolher o que assistir, o streaming lidera: 36% citam a Netflix, à frente da própria Globo (26%) e da TV a cabo (24%). Vale destacar que, entre os brasileiros com 55 anos ou mais, o consumo de TV a cabo sobe para 33%, indicando um público ainda fiel aos canais fechados.

“O Dia dos Pais de 2026 mostra que a presença continua valendo mais do que a performance do presente. Quando 41% dizem que estarem todos juntos é o maior presente e 72% pretendem gastar até R$250 na comemoração, fica claro que o consumidor não está abandonando a data: está procurando formas mais possíveis e significativas de vivê-la. Para as marcas, isso pede menos estereótipos sobre o que é ser pai e mais capacidade de reconhecer diferentes relações, legados e formas de demonstrar afeto”, afirma Albano Neto, CSO e CCO da Score Agency.

Pai é quem mais recebe presente

Na hora de definir a lista de presentes, o pai propriamente dito lidera com folga: 46% dos entrevistados vão presenteá-lo, seguido do marido/pai dos filhos (32%) e do próprio entrevistado, que se autopresenteia (20%). Também entram na lista o sogro (18%) e o filho que já é pai, que ganha peso entre os mais velhos: entre os brasileiros com 55 anos ou mais, 26% vão presentear o filho que já é pai, mais que o dobro da média geral (11%). Por outro lado, 13% dos brasileiros afirmam não comprar presentes no Dia dos Pais.

Sobre o que faz um bom presente, o dado reforça a tendência afetiva já identificada na pesquisa: para 41%, “estarmos todos juntos é o maior presente”; para 38%, o ideal é “aquele que cabe no bolso”; e para 32%, o presente precisa ser útil na rotina do pai. Itens de marca renomada praticamente não pesam na decisão (0%).

Maioria vai gastar até R$ 250

O momento financeiro também molda o comportamento de consumo na data: 34% dos brasileiros afirmam que o orçamento está mais apertado este ano e, por isso, vão gastar menos do que em anos anteriores. Outros 11% dizem que, mesmo com o bolso mais curto, pretendem manter a tradição de presentear a família. Já 42% afirmam que nada mudou em relação aos anos anteriores. Na prática, isso se traduz em tíquetes mais enxutos: 72% dos brasileiros pretendem gastar até R$250 no total com a comemoração (incluindo tudo o que for feito para si e para a família), e apenas 3% pretendem gastar mais de R$ 1.000.

Shopping segue como point das compras

Na hora de comprar o presente, o shopping continua sendo o destino preferido (50%), seguido pelas lojas online das próprias marcas (37%) e pelos marketplaces, como Mercado Livre e Amazon (26%), uso que é maior entre os brasileiros de 35 a 44 anos (34%) do que entre os com 55 anos ou mais (21%). Mas é na internet que a maioria busca inspiração: 44% pesquisam ideias online antes de decidir o presente, e 27% recorrem à indicação de amigos ou familiares.

Quanto à influência na escolha, mais da metade dos brasileiros (51%) prefere decidir sozinho o que vai comprar, enquanto para 38% quem mais influencia é a própria pessoa que vai receber o presente, percentual que sobe para 57% entre os mais jovens (até 34 anos), sinal de que essa geração tende a perguntar diretamente o que o pai deseja ganhar. Aliás, esse é o processo de escolha mais comum entre todas as faixas etárias: 56% dos entrevistados dizem “buscar descobrir com ele o que quer ganhar” antes de comprar.

Qualidade pesa mais que preço

Entre os fatores mais importantes para fechar a compra do presente, qualidade lidera com 51% das menções, à frente de preço (40%) e da opinião ou pedido do próprio pai (39%). Promoções e preços especiais também pesam para 31% dos entrevistados, enquanto a embalagem para presente é mais valorizada pelos jovens até 34 anos (27%) do que pelo público mais velho.

Roupas, calçados e perfumes lideram a lista

Quando o assunto é a categoria do presente, vestuário aparece isolado na liderança, citado por 74% dos entrevistados, seguido de calçados (51%) e perfumes (42%). Já entre os próprios pais entrevistados, que representam 34% da amostra, o que eles mais gostariam de ganhar muda um pouco de ordem: vestuário (40%), viagens (35%) e calçados (35%) dividem o pódio, com destaque para o desejo por viagens, que sobe para 44% entre os pais de 45 a 54 anos.

O que não pode faltar na mesa

Ao serem perguntados sobre o que é indispensável no Dia dos Pais, os brasileiros colocam o almoço em família em casa no topo (33%), seguido de respeito (30%), união (29%) e saúde (28%). Itens mais ligados ao consumo, como presentes (12%) e muitas fotos (10%), aparecem bem abaixo na lista, reforçando que, para a maioria, a data ainda é sobre convivência, e não sobre produtos.

Herança dos nossos pais

A pesquisa também investigou heranças comportamentais passadas de pai para filho. O amor pelos animais é a mais citada, por 31% dos entrevistados, seguida de habilidades manuais, como cozinhar ou fazer pequenos reparos em casa (30%), e a torcida pelo mesmo time de futebol (29%). O gosto por viagens pelo Brasil e pelo mundo também herdado do pai é mencionado por 28% dos entrevistados. Por outro lado, 15% afirmam que o pai não foi presente em suas vidas, e 24% dizem não acreditar ter herdado nada dele.

Emoção pesa mais que promoção nas campanhas

Quando o assunto é publicidade, os brasileiros dizem se importar mais com a mensagem de valores como respeito, amor e diversidade (27%) e com a emoção da história contada (25%) do que, propriamente, com promoções e descontos anunciados (18%). Representatividade, pais reais, de diferentes perfis e contextos, é especialmente valorizada pelos mais jovens até 34 anos (37%, contra 14% entre os que têm 45 a 54 anos).

Ainda assim, campanhas de Dia dos Pais nem sempre acertam o tom: 16% dos entrevistados afirmam já terem se sentido incomodados, entre “muito” (7%) e “algumas vezes” (9%). Entre os motivos, o mais citado é se sentir constrangido por uma comunicação que tenta “forçar” uma situação (47%), seguido por estar vivendo um momento pessoal vulnerável (20%) e a comunicação remeter à perda do próprio pai ou filho (19%), percentual que sobe para 29% entre os brasileiros com 55 anos ou mais.

“O brasileiro não abandonou o significado emocional da data, mas está mais crítico com o excesso de apelo comercial. Marcas que equilibrarem propósito e simplicidade tendem a se conectar melhor com esse público em 2026”, afirma Ligia Mello, CSO da Hibou.

Entre a saudade e o comercial

Quando o assunto é o significado da data, os brasileiros se dividem: para 26%, o Dia dos Pais é, acima de tudo, uma oportunidade de reconhecer o valor dos pais e agradecer; para 24%, é a chance de reunir a família para almoçar junto. Mas nem tudo é celebração: 22% enxergam a data como “só mais uma data comercial”, e 18% associam o dia a uma saudade imensa, sentimento que salta para 35% entre os brasileiros com 55 anos ou mais, evidenciando o peso da perda e da ausência paterna nessa faixa etária.

Essa percepção de comercialização também aparece quando 32% dos entrevistados afirmam que o Dia dos Pais está “mais comercial e mais caro” a cada ano, opinião ainda mais forte entre os jovens até 34 anos (39%). Por outro lado, 21% notam a data ficando mais emotiva, com foco em aproveitar o momento, e 27% dizem que nada mudou nos últimos anos.

Metodologia

A pesquisa “Dia dos Pais” foi realizada pela Hibou Pesquisas & Insights em parceria com a Score Agency, the re/shape agency, em julho de 2026. O levantamento ouviu 1.251 respondentes em todo o Brasil, por meio de painel digital, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais. A amostra contemplou brasileiros com 18 anos ou mais, de todos os gêneros, e das classes sociais A, B, C, D e E.

Fonte: Jessica Barreto – Fresh PR

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