IA muda reforço escolar e preparação para o Enem; estudo aponta ganhos de 40% entre alunos com tutoria personalizada
Marlon Andrade, CEO da Tutory, explica como a inteligência artificial pode identificar dificuldades individuais e adaptar a rotina de estudos para melhorar o desempenho dos alunos
A inteligência artificial começa a transformar a forma como os estudantes se preparam para provas e reforçam conteúdos fora da sala de aula. Um estudo da Macmillan Learning identificou que, entre os estudantes que utilizaram um tutor de IA, 40% passaram a recorrer regularmente à ferramenta ao longo do semestre e apresentaram ganhos mensuráveis de aprendizagem. O levantamento também aponta que a personalização do suporte permite oferecer feedback individualizado e identificar lacunas de conhecimento.
O resultado reforça uma mudança na lógica do reforço escolar: em vez de seguir uma mesma sequência de conteúdos para toda a turma, sistemas baseados em inteligência artificial conseguem analisar o desempenho do estudante e direcionar exercícios, revisões e explicações para os pontos em que ele apresenta maior dificuldade.
Para quem se prepara para o Enem, esse modelo pode ser especialmente relevante. A prova reúne diferentes áreas do conhecimento e exige uma preparação de longo prazo, o que torna o acompanhamento do desempenho um dos desafios para estudantes que precisam conciliar escola, cursinho, trabalho e outras atividades.
“A inteligência artificial pode ajudar a transformar o estudo em uma experiência muito mais individualizada. Quando a tecnologia identifica onde o aluno está errando, quanto tempo ele tem disponível e quais conteúdos ainda precisa dominar, conseguimos direcionar melhor o esforço. O objetivo não é substituir o professor, mas oferecer mais informação para que o estudante e o educador tomem decisões melhores sobre o processo de aprendizagem”, afirma Marlon Andrade, CEO da Tutory.
A evidência sobre tutoria por IA também aparece em pesquisas acadêmicas recentes. Um ensaio clínico randomizado publicado na Scientific Reports comparou estudantes que utilizaram um tutor baseado em inteligência artificial com alunos submetidos a uma aula presencial de aprendizagem ativa. Os pesquisadores identificaram ganhos de aprendizagem mais de duas vezes maiores no grupo que utilizou o tutor de IA.
Outro estudo publicado em 2026 com estudantes do ensino médio analisou características de tutores de IA e concluiu que fatores como personalização, eficiência e qualidade do conteúdo estão associados à motivação e à satisfação dos alunos, que, por sua vez, contribuem para os resultados de aprendizagem.
Na prática, a tecnologia permite construir jornadas diferentes para estudantes que estão se preparando para a mesma prova. Um aluno com baixo desempenho em matemática pode receber maior concentração de exercícios e revisões nessa área, enquanto outro, com maior domínio da disciplina, pode direcionar o tempo para conteúdos em que ainda apresenta dificuldades.
É nesse cenário que a Tutory, edtech brasiliense voltada à preparação para Enem, concursos, OAB e residências, utiliza inteligência artificial para apoiar a personalização dos estudos. A ferramenta combina banco de questões, simulados, cronogramas e acompanhamento de desempenho para ajudar o estudante a organizar a preparação de acordo com suas necessidades.
“A grande mudança está em sair de uma preparação baseada somente em volume de conteúdo para uma preparação baseada em evidências sobre o próprio desempenho. O estudante precisa saber o que estudar, mas também onde está errando, o que já domina e qual deve ser o próximo passo. A IA consegue processar essas informações em escala e tornar esse acompanhamento mais contínuo”, explica Marlon.
O avanço da tecnologia, porém, não elimina a importância da orientação pedagógica. Pesquisas recentes indicam que os resultados da tutoria por IA dependem da forma como a ferramenta é integrada ao processo educacional, reforçando a importância de combinar tecnologia, metodologia e acompanhamento humano.
